BRASILEIROS, POVO TRAUMATIZADO E MANIPULADO (I)

Fev 27, 2016 por

BRASILEIROS, POVO TRAUMATIZADO E MANIPULADO (I)

 BRASILEIROS ,POVO TRAUMATIZADO  E MANIPULADO ( I )

 -Notas :condicionamentos e “traumas” dos brasileiros, e suas conseqüências ,na   sociedade –“doentia”, “neurótica” ?

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“A ditadura militar é um exemplo desse tipo de ” trauma” , já que foi um período em que o governo militar massacrou, torturou, exterminou milhares de pessoas.”(Ana M.B.Rodrigues e outro.Cf.abaixo ).

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INDAGAÇÕES

 As reações do povo brasileiro, frente às ações de Lula , Dilma,  no “mensalão” e ,agora ,“petrolão”, entre outras, são “normais” ou “neuróticas”, indo da passividade , atitude reverencial , à queima de ônibus e assassinatos de PMs ?

 Na ditadura, parte do povo omitiu-se, fingiu que não viu, ignorou, fechou as portas a amigos e até parentes. E a grande mídia calou-se frente às denúncias de torturas , então em curso . Apoiou o “golpe”. Por quê? Só lucros para alguns e ascensão social pará outros?  Há uma “memória nacional” capaz de “reter “traumas e violências ?

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Hoje, os brasileiros sabem – e admitem, aceitam que continue  – o que está havendo nas prisões,  presídios , favelas , hospitais – genocídios ? E quanto à corrupção existente , de longa data , com acusações e provas , ignoradas , e que envolvem o próprio Lula da Silva e sua aluna Rousseff ?

 O “povo brasileiro” foi conivente com a “ditadura ” , assim como o povo alemão   com o nazismo e o holocausto ? Está conivente com o estado de exceção existente, violência, roubalheira , Petrobrás afundada, e impunidade para os responáveis maiores, Lula e Dilma, como indicam “imparciais” órgãos da “grande mídia” , como “Veja ” e “O estado de São Paulo”?  (imparciais no sentido de apoio indiscutível ao sistema capitalista e sua democracia e à governabilidade, o que significa apoio a qualquer administração que preserve tal ,tanto faz PT ou outra). 

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O “povo brasileiro” apóia Lula, até acusado de “dedo-duro”, quando da ditadura(década 70)  , sem ter o mesmo dado resposta ,ou processado , o acusador, que ainda  assinou embaixo(em livro)a infame acusação ; o mesmo Lula envolvido em escândalos(“mensalão” e outros) ,  e que  fez uma administração ruinosa , como comprovam dados e historiadores( Villa, M.A.”A década perdida”).Tanto apoia-o que reelegeu-o e a Dilma. Por quê?

 A grande mídia e o TSE decretaram  – Dilma “ganhou as eleições”/2014 . Se sim, realmente, por quê , depois de “mensalão”, “petrolão”, com inflação, tantos escândalos ? Só pelos “votos “do Norte/Nordeste? 

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 Como e por que o “povo brasileiro” tem reeleito  Silva\Dilma, mesmo os dois mentindo, em público ,  e contradizendo-se, como fizeram , na frente do Brasil e do  mundo ? Urnas eletrônicas, golpes e mentiras , uso do aparelho do estado , bolsas-família, distribuídas aos milhões? Isso, “apenas” , ou há, ainda,  outras razões que explicariam  tantos votos ?

 Embora havendo certa oposição, o povo aceitou , passivamente, com poucos protestos , a estranha vitória eleitoral de Rousseff e a validação dessas também estranhas urnas eletrônicas ( dez mil pessoas manifestaram-se , em S.Paulo, contra Dilma). Pois bem – O que um Freud , psicólogos , filósofos, psicanalistas , sociólogos, poderiam acrescentar sobre os fatos referidos e o comportamento popular ? Poder-se-ia indagar sobre traumas coletivos sofridos por esse povo que explicariam …? 

 As blindagens” da grande mídia explicariam essa” passividade popular”,   frente a  “mensalão”, “petrolão” ,  etc. , em especial se somadas ao apoio do capital financeiro e das multinacionais ? Ou  há algo mais , a ser entendido , nessas vitórias eleitorais da dupla Lula/Dilma?

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Existe alguma “coisa”  ,  fator , mais complexo , sutil , que  vem afetando  o comportamento do “POVO BRASILEIRO” ?

  E  as PMs , assassinatos, torturas,  cotidianas, contra  o “povão” mais carente  ? Mas, “povo”, “nação”, etc. não são conceitos discutíveis    ?

E as sucessivas queimas de ônibus , às centenas, feitas pelo “povão” ?

Recalques, pessoas traumatizadas –  por isso,  tão agressivas  ? A agressividade seria devida a sofrimentos e traumas passados e presentes e … ?

Trata-se de um povo , além de seriamente  traumatizado , submetido a “técnicas de dominação” ou “ferramentas de condicionamento” ?

 

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              BRASILEIROS , POVO TRAUMATIZADO

                                                 E

                                 MANIPULADO 

                                                (I)

                                                           

                                                                      (Mauro M.Burlamaqui)

PRELIMINARES

 

     “Artifícios” têm sido usados, nas eleições, pelos partidos detentores do poder do Estado, PT\aliados/Lula\Dilma , à frente, com o objetivo de vencer as eleições, “de qualquer maneira “ – isso não é novidade. Lula da Silva  , e agora Dilma, nas últimas eleições, afirmaram, abertamente, que em “eleições faz-se o diabo”. E fizeram , à vista de todos , Marina e Aécio que o digam. Imagine-se o que não fizeram nos bastidores – acordos, concessões,etc. Talvez , por isso ,Dilma, já nas “mãos”,  dependência , direta ou indireta dos  interesses estrangeiros , há longo tempo, de seus investimentos e concessões ,  assim como Lula, eleita, há pouco,  mal consiga montar seu ministério, mera administração subordinada,tantas as concessões feitas durante a campanha, e antes dela , para chegar à vitória.

Resultado de imagem para lula e dilma

[ Gastos acima de R$350 milhões, na última campanha de Luladilma  . Aliás,  “vitória” que tende a culminar , como sua última administração , e as de Lula da Silva,  pelo projeto neoliberal inadequado,incompetência generalizada,e falta de condições estruturais,transmutando-se em desadministração, em que “nada funciona” corretamente ,  ou seja , administra-se disfuncionalmente. O “sucesso” das administrações lulistas, colocado como contraponto à má administração dilmista , é falso. O historiador Villa, M.A., “A década perdida” , analisa essa administração e atesta seu inequívoco fracasso.

Uma coisa é conseguir manter aparências, via marketing bem feito, o que Lula conseguiu , outra é ter sucesso, econômico, social e político de fato, real . Essas administrações petistas significaram retrocesso único no mundo ,para o Brasil e o povo brasileiro (Cf. neste site, Petras, J., “Brasil – o grande salto para trás”, entre outros estudos ) . A grande mídia neoliberal , por certo, não concorda com essas afirmações, por motivos óbvios – é “neoliberal”, a mesma posição das frações políticas que concorreram nas últimas eleições , representadas por Dilma, Aécio e Marina . Busca saídas e soluções através apenas  do bloco neoliberal mundial ].

        Mas, se já sabemos disso , do uso de “truques políticos”petistas , como fingirem-se de “esquerda”, usando para isso ações diversas (algumas “inofensivas”, no campo ideológico,  internacional,  em direção a Fidel , ou Maduro – assim como Nixon\Kissinger viajaram para a China, há décadas) , nada disso significa , de fato, nada , fora negócios e interesses comerciais – e demagogia e lucros eleitorais .Caso também , e mais bem sucedido , da manipulação de bolsas-família , via Estado, angariando , por essa via, votos , em regiões mais pobres , em especial,  fora  alguns outros recursos políticos  (mentiras na TV, uso de marketing eficaz, etc.). Mas, “apenas isso” teria sido responsável pela votação de petistas e aliados ? O povo deixou-se enganar , tão facilmente ? Ou há outras razões ?

       É esse  ponto que queremos estudar. Fausto Wolff, velho e assumido comunista,  morre , alguns anos atrás, revoltado, meio desesperado ,sem entender  as vitórias do “lulismo” e sua aceitação popular. Dizia que havia , de um lado , apoio de banqueiros  e multinacionais , e , de outro, bolsas-família e demagogia, populismo. E , revoltado, abominava esse terrível esquema, de direita, talvez invencível. Estava certo, um esquema bem planejado. Recentemente, anos depois, vimos a mesma estranheza , por parte  de conhecido historiador(Villa) , que havia apostado na derrota lulista . Como explicar que Lula…?  A promoção e “blindagem” existentes , quanto a Lula  e cia., parecem ir muito além de recursos, mídia , “bolsas” e prática de ilegalidades  eleitorais  – impunemente .

       Há quem , no meio acadêmico, indiretamente, tenha levantado questões , pouco discutidas, que precisariam  serem  analisadas , e que explicariam, por outros meios,  os enormes êxitos eleitorais lulistas , isso além de pesquisas desvirtuadas. Isto é, explicações que iriam além das  já expostas e mais  conhecidas. Seriam importantes porque mostrariam fatores que poderiam estar  repercutindo , fortemente,  não só em  eleições , como no dia a dia dos brasileiros.

No seu comportamento social  e político – passividade, aceitação da corrupção, como algo natural, de um lado ; depredações, queima de ônibus, protestos violentos , de outro. Ambas as atitudes tomadas, simultaneamente , pelos mesmos ou diferentes grupos e classes sociais ? Ao que os fatos indicam, pelos setores “carentes da sociedade” , majoritários e decisivos,eleitoralmente, o que  foi revelado em votos, manifestações e protestos. “Marginalizados”, classe “média baixa” , “classes médias” – presentes em protestos. Adeptos, parcialmente, das “bolsas” diversas – e nas urnas, em votos . Os dois últimos, decisivos, eleitoralmente.

        Alguns mencionam a passividade do “povo brasileiro”, em geral, em especial o mais carente( o que é , em parte, controvertido, como vimos) e também a inatividade social e política das  “classes médias/médias”   e “elites” – certos comportamentos ( p.e., em relação à  última Lei da Anistia, urnas eletrônicas  ,  corrupção e autoritarismo estatais ) de coonestação ou omissão quanto a tudo antes referido. Tal seria explicável , além das razões conhecidas (fisiologismo , cooptação , corrupção individual  , recursos financeiros estatais )  ,  por outras  – “traumas coletivos”  , sofridos por esse povo, ao curso de sua história ; comportamentos deliberadamente condicionados, programados para ele , via setores dominantes poderosos ; questões psicológicas que , se internas, concernentes  , a princípio , a cada indivíduo, projetar-se-iam na sociedade, em geraL – múltiplas questões  “individuais” .

Temas complexos , envolvendo abordagem pouco usual – para começar , o dúbio entendimento dos conceitos de povo,  nação, classes sociais (logo objetariam , alguns, se não mencionada  a questão  , desde já  ), além do conceito bastante “freudiano”  de trauma , que alguns contestam,  no sentido que não poderia ter uso tão ampliado – para “trauma coletivo”, ou social – casos como o Holocausto, Alemanha na Segunda Guerra, ditaduras, de Franco , Sérvia , Brasil , etc .

A “LOGÍSTICA” DE LULA /DILMA

 

          Desde Lula , as campanhas petistas têm apresentado novidades

tecnológicas.  “Novo  sindicalismo” (Lula, no ABC ) ; propaganda científica ;

muito dinheiro; etc.[ Questão – de onde viria?] . Tentemos avançar .

 

         A questão de “povo” – que distinguiríamos de população , que englobaria estrangeiros e indivíduos em trânsito, por exemplo.  Quanto à questão da nação ,  implicaria em distinguir, desde logo , diferentes classes sociais, o que aqui não pretendemos. Admitamos que ,  havendo alguma “simbologia”comum , símbolos, língua ,  cultura, diversão, esporte, caso do futebol,  estado(traço marcante, conforme o caso) , bandeira, etc. pode ser aceitável, em que pese limitações : numa “perspectiva conjunta”,  genérica , com contradições internas não antagônicas , em determinadas etapas históricas .  

Assim , poderíamos falar  em brasileiros e admitirmos  que , entre eles, existem classes sociais diferentes, mas que todas aparecem envolvidas , em geral, de uma forma ou outra , no caso de fatos sociais de grande repercussão, que atinjam país e Estado ( tipo ditaduras, catástrofes, guerra, guerra civil , entre outras).E é o que importa-nos , aqui.

       Que entenda-se o que segue  como relativo a uma indagação sobre um povo – brasileiros, assentados na América do Sul,em certo estado,  nos limites de um país denominado Brasil, que fala a lingua portuguesa  e possui uma série de traços culturais comuns . Num caso , como o da existência de ditaduras , por exemplo, com certeza as ações dela repercutiriam   , ao menos, fortemente, na maior parte desse povo, seja do lado de dominadores ou dominados, de forma direta ou indireta – via mídia, herdeiros, parentes, amigos, empregos , mortes, enterros, desaparecimentos, reparações .

          A questão  é – haveria, além das óbvias razões mais ou menos conhecidas (repita-se – grande mídia, ideologia via escolas,apoio financeiro de multinacionais e bancos , corrupção, cooptação via fisiologismo de movimentos sociais ,quadros, partidos ) , outras razões mais complexas que explicariam ,  melhor, o comportamento dos brasileiros –  povo, sociedade  ? E  não só em questões eleitorais, mas em outras  – reações em relação ao Estado , e seus representantes, em geral, e quanto a líderes carismáticos  , tipo Lula da Silva .

 Recorde-se – nas últimas eleições ,  segundo os institutos de pesquisa , nos últimos quinzes dias de aqcampanha,  milhões de eleitores teriam mudado de opinião –  e de voto(?!) . Lembre-se,  também , que tais institutos divergiram ,  profundamente, entre si, tais divergências repercutindo nas decisões dos cidadãos –  nos votos ,  do povo alistado, eleitoralmente, que compareceu às urnas. Manipulação das pesquisas ou um fato oriundo em outras razões ?

         Há quem lembre  traumas coletivos sérios, sofridos pelos brasileiros,

para explicar esses comportamentos .Outros mencionam um comportamento “infantilizado” , resultado da educação familiar , por vezes quase inexistente, e  da própria sociedade , ” traumatizada” , no passado e presente [violência, torturas, estado autoritário, hospitais, penitenciárias ,estado corrupto e ameaçador, que “exige” comportamento criminoso, o “preço para o sucesso”(?!) ], entre outras razões ( povo analfabeto , ou analfabeto funcional , mal alfabetizado, inclusive essa disfunção chegando a nível de terceiro grau, universitário ) .

Terceiros  vão referirem-se ao uso de  técnicas de manipulação social , que estariam sendo utilizadas , com objetivos de conquista do poder estatal , fora aquelas  tradicionais de marketing , mais  conhecidas, desde a década sessenta (EUA),  e mais tarde trazidas para o Brasil(motivacionais) .

       Poder-se-ia  mencionar  o uso , simultâneo ,  de todas as anteriores hipóteses , para explicar a existência de um “povo atrapalhado” , confuso, e de uma sociedade que caminha, a passos largos , para ser administrada, quase que totalmente, de forma disfuncional. O que é corroborado  por declarações de figuras sociais as mais destacadas, embora sem preocupação em perceber o alcance dessa afirmação .Isto é, querendo mencionar uma sociedade ou país em que “nada funciona direito, corretamente, como deveria ser ou como fora programado “.

O que é sério , pois se incapaz de atingir seus objetivos(expostos nos primeiros artigos da Constituição e na sua organização )   –  em linhas gerais, que objetivos então alcançaria  ? Seria um “monstro “enorme , à solta, em boa parte ao sabor dos interesses dominantes? E por que  esse povo,   pseudamente tão confuso,  apoiaria tão maciçamente um Lula da Silva , nas condições acima? Confiança, por quê? 

O ESTADO DE EXCEÇÃO INFORMAL 

         Examinemos , ao menos  superficialmente, essas questões, via estudos realizados, no Brasil e exterior, por alguns estudiosos .Indaguemos em que eles poderiam ser-nos úteis , para o  melhor entendimento do comportamento social e político dos brasileiros ,  e do que vem ocorrendo , na sociedade brasileira, fora aquilo à vista de todos . Que não conseguiu ser escondido pelos detentores do “poder”local ,  via posse do aparelho estatal , apesar da ação diversionista e desinformadora, no que se refere a conteúdos sérios ,  deles é da maior parte da   grande mídia,  que  “blinda-os “, e a seus aliados externos, parcial ou totalmente, conforme a época e seus interesses de ocasião . Desejamos ir além dessas ações,    bastante  desnudadas, embora esse desnudamento, ao menos até agora, não tenha produzido resultados palpáveis, no sentido de qualquer mudança. Até porque pouco divulgados .

        Talvez não sejam somente essas ações da mídia  , recursos de bancos,etc. que estejam conseguindo manter essa  coesão mínima , ainda hoje existente , na sociedade brasileira . Que tem dispensado, nos últimos anos,  o uso sistemático de violência política  , tortura, terrorismo de estado – como na pior época da ditadura –  para manter os interesses dominantes , ligados ao bloco neoliberal mundial( em que pese todas as distorções, problemas, corrupção, violência oculta ,etc. – em curso, como insistimos em enfatizar , em anterior exposição).

 Até agora , o estado de exceção e um presidencialismo ultra-autoritário,  sem divisão de poderes, sistema apoiado na corrupção em larga escala ,  além de genocídios disfarçados (em especial de jovens, em favelas, penitenciárias, nas ruas , bairros pobres ) têm sido suficientes para manter a aparente “paz social”. Que vêm sendo desmoralizada, dia a dia. 

        [Aliás, essa situação “fora da lei” , de eliminação de rebeldes e criminosos, mesmo fora dos períodos  “ditatoriais” , na “democracia ” atual , situação que envolve genocídios não declarados , informais e ilegais, com extermínio dos “rebeldes sociais ” , em geral pobres,  lembra a sociedade de Esparta, 400 AC, aproximadamente. A aristocracia espartana , bem armada, na calada da noite, invadia zonas residenciais pobres, de surpresa, matando líderes”marginais” ,  em ações programadas  , como forma de manter a “paz social” .

Além disso, era proibido ao povo , classes inferiores, p.e., mesmo em caso de guerras, usar arcos e flechas e proteção corporal mais forte (tipo  coletes protetores , de material mais duro ), apenas reservados para a aristocracia.(Cf . “A cidade antiga” , Foustel de Coulanges” , entre outros ). Tal lembra, por acaso ,  a “Lei do Desarmamento” , brasileira , que proíbe a  venda(na prática, pelas exigências feitas e gastos com taxas, etc.)  , para civis , sem privilégios , sequer de armas de pequeno calibre, ou armas apenas paralisantes e  coletes à prova de balas   ? ]

  I – INTRODUÇÃO

              O BRASIL E O POVO BRASILEIRO-“TRAUMAS”

 

                       A QUEM  INTERESSA ESSE TEMA   ?

           Antes de tudo,  a ênfase, mesmo que repetitiva ,  no fato de que não se pretende responder ,aqui  , a todas essas questões. A questão é  outra – se tratam-se de caminhos pelos quais vale à pena ,  ou não, mais adiante , enveredar, em termos de estudos  –  ou se podem ser abandonados , desde logo, por não auxiliarem-nos na tarefa de maior compreensão do comportamento – atual , mas também passado –  da sociedade brasileira.

        Brasileiros, povo traumatizado,  e manipulado  – de alguma forma, esses caminhos, indiretamente, têm implicado em estudos, livros, ensaios diversos e provocado  dúvidas  , entre especialistas. Que , aparentemente, munem-se de precauções ao enveredarem por temas complexos e delicados – violência, ditaduras,etc. Até porque a grande maioria, senão a totalidade, dos possíveis pesquisadores , com condições para tal ,  exerce cargos acadêmicos ou dispõe de verbas concedidas pelo poder público ,  para suas pesquisas – condições colocadas em risco , conforme o curso das investigações – e os resultados .  

         Quer dizer, tratam-se de temas que requerem não só conhecimento acadêmico, tempo para pesquisa como , ainda,  liberdade para tal. Como esse tipo de estudos , além de um nível preliminar , como esse ,  que desenvolvemos , tem repercussões sociais  e políticas imediatas  – é óbvio que eles não interessam a muitos, muito menos aos que exercem o “poder estatal”, até porque seguem  no sentido de desnudá-lo (torná-lo transparente, democratizá-lo) ,  e entende-lo , embora , de outro lado,  interessem  aos que dele padecem.

         Portanto ,  importante  a atenção sobre  o tema, inclusive de setores  democráticos  e outros, com preocupação social, partidos, militantes sociais, desejosos de ampliar a democracia e avançar mudanças sociais . Estes são,  exatamente , os que voltam-se para os  não beneficiados pela atual situação ,crítica , da sociedade brasileira  – essa  uma tarefa , aliás , que reputamos  importante, independente dos resultados alcançados –  por ora. Outros precisam interessarem-se também por tais temas .

        Então há que refletir, buscar  entender melhor fatos e comportamentos, ir além do mais ou menos óbvio – por exemplo, a influência de pesquisas divulgadas por institutos, em vésperas de eleições(como ocorreu ,em 2014) , a maioria financiada, direta ou indiretamente , por interessados/beneficiados por elas. Alguns institutos e pesquisadores, crivados de críticas sérias , feitas por ex-clientes , conhecedores de suas formas de funcionamento, caso do político Ciro Gomes , famoso por ações intempestivas e declarações cravadas de “sincericídio”.O que , por certo , fez mal à sua carreira , mas bem ao povo brasileiro – ajudou a avançar no sentido da conquista de transparência, na política brasileira (mecanismo fundamental da democracia – Bobbio, “O futuro da democracia “) . Tais avanços são positivos , mas insuficientes , como outros citados, e é preciso ir além. Eles compõem um quadro que envolve múltiplas explicações sobre as razões de certos tipos de comportamento dos brasileiros , de atos violentos a votações, e atestam manipulações , mas não parecem explicar os fundamentos últimos justificadores da essência desse próprio comportamento. 

          Partidos , movimentos sociais, militantes devem ser – ou ,ao menos,  deveriam ser – os maiores  interessados nessas questões , pois , se  buscam mudanças sociais , a reflexão sobre esses temas visa entender , justamente, o que ocorre na sociedade , em sentido oposto – aquilo que dificulta mudanças e trava , não a elite , ou o estado, mas o próprio povo, impedindo-o de atuar de forma mais decidida – e no sentido daquelas mudanças . Conformado com migalhas de “mudança” , tipo  bolsas-alimentação  ; intimidado , como se viu na última campanha presidencial (2014) , incapaz de aprovar mínimas e efetivas mudanças , desde que os detentores do poder estatal exibiam até filmes em que , como consequência dessas mudanças, todos  perderiam empregos, escolas para os filhos , e até a comida , em suas mesas .O medo foi  utilizado  , com sucesso ,como condicionador de comportamentos .

       Ao serem reeleitos, de imediato, por outro lado, os detentores do poder mudaram de atitude e fizeram exatamente o que criticavam em seus adversários – para começar , convidando , para dirigir a economia – o tema mais central da campanha – um banqueiro dirigente do maior banco em atuação no Brasil. Exatamente o que criticavam em seus adversários. Quer dizer, o fator MEDO  foi usado, com êxito, como arma política eficaz.Claro que a conselho de competentes psicólogos sociais -e não”marqueteiros” . Essa a questão que queremos examinar, ainda que de forma resumida .

         Recorde-se que , se verdadeiro o acima apontado – e o é , desde que vimos tal na última campanha política –  não se trata, propriamente, de um “defeito” do povo , ao optar ou decidir . Ele cedeu frente  à utilização de uma campanha que , deliberadamente, utilizou   o medo , como ferramenta social alavancadora de decisões e argumentos. O povo mostrou-se receptivo e respondeu , em grande escala , favoravelmente ao apelo –  assimilou o medo de maior mudança  . Passa-se  a atribuir-se a ele , a partir daí, então, que teve e tem  ” o governo que merece “. Que ele terá, pseudamente , durante mais anos . Mas, ele , “povo”  , foi autor ou vítima de um ato ardiloso,  bem programado  ? E se algo foi perpetrado para enganá-lo, quem foram seus autores ? A “elite no poder”, que , precisamente, diz-lhe que pretende defendê-lo. Há uma inversão deliberadamente planejada das situações.

        Uma  piada conhecida,  contada de diferentes maneiras, coonesta , ideologicamente, o acima afirmado – a “culpa é do povo”  , que tem o “governo que merece “, na opinião de muitos  : “Deus colocou , nos EUA, tornados e terremotos. Vulcões , na Ásia.Temperaturas glaciais, geladíssimas , em outros países, Finlândia e Suécia , com quase ausência de sol . Então, alguém perguntou – “Mas,  não é injusto ? O Brasil tem  natureza exuberante , mar , sol. Nada de ruim.”  E Deus teria respondido : “Há Justiça, sim .Vejam o povinho que coloquei por  lá …”

          Altamente depreciativa a “piada” , quanto ao povo brasileiro . Poderia ser diferente a forma de ser contada. Por exemplo, inverter-se-ia  a relação- “vejam a elite que coloquei lá “. Teria sido mais justa , a piada assim contada.  Mas, muitos, e de origem popular, continuam contando-a dessa forma depreciativa – à cultura, ações, passividade, ignorância, do povo brasileiro. A forma de contar essa piada mostra as origens do autor e dela própria  (a ideologia incrustada  na narrativa ).

          Pois bem – essas posições dúbias, hesitantes, confusas , do povo brasileiro , poderiam serem explicadas, e há quem tal defenda , pelo sofrimento passado e presente ? Uma série de traumas , a começar pela violência da colonização – o que repercutiria até hoje. De qualquer modo , essas  indagações não interessam a todos  . Muitos menos aos que talvez conheceçam  , de longa data, as respostas .

            ATUALIDADE DA QUESTÃO

         Recentemente, verificou-se , nas redes sociais, preconceito quanto ao Nordeste. Desde que vinda de lá , zonas mais atrasadas , socialmente, a maior parte dos votos de Dilma Rousseff, a presidente que venceu  (vitória contestada por alguns, face à urna eletrônica,  sem controle popular), então em busca de reeleição , na posse do aparelho estatal , e disposta a “fazer até o diabo”, para ganhar a campanha, segundo ela mesma –  acabou por vencer, por um modo ou outro. Tal teria propiciado sua vitória apertada , sobre Aécio Neves  – e muitos , nas ” redes”  teriam culpado , por isso, a “ignorância” , “burrice” ,ou passividade ,do povo nordestino .

         Quer dizer , haveria uma “culpa” , de parte do povo,   simples, pobre, menos instruído, do Nordeste , por manter Lula, Dilma, e cia. , no poder,i.e.,   na administração subordinada  , apesar de acusações, com provas,  do envolvimento de ambos no  escândalo , envolvendo políticos e a Petrobrás – caso do “petrolão”, entre outros.

Vencendo as eleições, Dilma e Lula,  com  a posse do aparelho estatal mais poderoso , de  longe, em relação aos demais , o federal , teriam   condições de usá-lo para impedirem investigações isentas  ou , pelo menos , para dificultarem-nas. Assim, protegeriam a si próprios , seus liderados , e aliados, envolvidos em  crimes. Ao reelegerem-nos, com votos que teriam vindo de regiões atrasadas do Nordeste, essa parte do povo brasileiro teria permitido  não só mais anos da dupla na direção do estado , como condições de isentarem-se de acusações diversas.

          Teriam havido,   pois , “atitudes estranhas, “, não lógicas ou naturais, “normais”da parte  do povo brasileiro , em relação a certos  fatos e elementos , políticos , em especial  Lula da Silva , e , em menor escala , Dilma Rousseff , desde que foram  apoiados , eleitoralmente, com votação maciça , em que pese tantas acusações , amplamente divulgadas , pela grande mídia, com provas . (Deixando de lado , por ora, outros fatores , como bolsas ou “urnas eletrônicas” . A indagação – o que levaria a tamanha passividade  : “medo “do povo(?!)  ,  respeito reverencial, em relação a essas “autoridades” , que , por sinal, mentiram , de forma nítida , apontada por adversários , durante toda a campanha eleitoral ?

         Claro que existem explicações mais simples –e conhecidas –  recursos financeiros (bancos, multinacionais , que apoiaram-nos com verbas maiores que os demais ); apoio e “blindagem” da grande mídia, financiada por esses interesses , que , através de edições, omissões, contra-informações, desinformações, construção de imagem  , criaram e promoveram a figura de “Lula”, o operário de “esquerda”, o líder sindicalista puro . E ,depois ,protegeram Dilma. Tudo isso já foi dito . Mas, seriam  apenas essas  as explicações  ?

          A imagem de Lula da Silva /Dilma , gerenciada por “marqueteiros” , não corresponde  à realidade -pior,  há discrepância brutal entre imagem e realidade , quanto a eles , ou à sociedade em geral(condição da economia, reais benefícios ao povo ,etc.) . Estatísticas mostraram-se fraudadas, diversos truques políticos foram utilizados em relação ao povo mais simples , e até à militância de esquerda -esquemas estrambóticos internacionais estariam por trás de uma possível derrota de Lula/Dilma, o que prejudicaria , além do povo, até a “esquerda mundial”.

      Mas, a realidade  – teria prevalecido a dupla , Lula/Dilma , mais , essencialmente, pela propaganda e apoio do bloco neoliberal mundial , que , sem dúvida, sustentou-os-  em contrapartida , a dupla recompensou-o com os maiores lucros do mundo, produzidos em investimentos no Brasil, segundo declarações do próprio Silva  , confirmadas por estudiosos e banqueiros. Se tal foi relevante , para alguns intelectuais, pouco importou para o “povão” – todavia, estavam bem identificados escândalos, mentiras, falsidades,etc.

        Houve o apelo direto desses candidatos oficiais à calúnia, difamação, falsas promessas – tudo  evidente para os descompromissados e medianamente instruídos. Não para os demais . Estes , então , decidiram seus votos baseados em quê ? Apenas num marketing generalizado do medo , via mídia , bolsas-família distribuídas , ligadas não , genericamente, ao Estado (de todos ),  mas a seus atuais dirigentes , via demagogia desenfreada ? Talvez –  claro que tudo isso pesou , mas pode haver mais razões para o comportamento de medo, passividade, concordância , apoio. A questão do “medo ” destaca-se , mais uma vez.

                 PASSADO RECENTE – TRAUMAS ? 

      Não se trata apenas de indagar sobre o comportamento do povo , nas últimas eleições. Há   outros episódios que merecem atenção .Por exemplo – em 1964, quando do golpe militar que derrubou o governo legal brasileiro ,  muitos ficaram admirados com a não reação do povo e do governo Goulart. Ele- e boa parte do povo e  das lideranças populares e movimentos sociais – teriam condições de reagir, mesmo que perdendo ,talvez , mas não o fizeram.

Alguns acham que teriam condições de vitória. Embora seja uma discussão , eis que , em contrapartida, há os que consideram o oposto  – Goulart e movimentos sociais e lideranças populares teriam feito bem , em não reagir. Não haveria qualquer condição , esquadra americana por perto. Caso de Almino Afonso, por exemplo .(Entrevistas diversas e livro). Outros, estranharam essa passividade (Daniel Reis, historiador, por exemplo).

       Já Brizola , discordou dela e , no Rio Grande, propôs  reação. Com a qual o então presidente legal não  concordou . Há quem lembre a triste e estranha saída de Goulart , do palco político, sem reagir – e aos soluços. Para não dizer choro copioso? O que explicaria a não reação popular, passividade, até das lideranças , as mais expressivas, com condições de reagir?

      E o povo ? Em sua grande maioria , correu , escondeu-se , não foi capaz de qualquer reação , organizada ou não – nem genuinamente indignado mostrou-se . Faltaram lideranças decididas ? Por certo. Mas, grande  parte do povo  aprovou , ou acedeu ao golpe e , também , ao que ocorreu  depois – violência, cada vez mais evidente. Simplesmente, omitiu-se . Entretanto, as pesquisas (posteriormente divulgadas) mostraram   que o presidente legal , Goulart, contava com mais de 60 por cento de apoio,  a seu governo e às reformas que pregava.

      Na Alemanha , com o nazismo , em que o povo chegou   a ajudar a prender e exterminar vizinhos judeus , em todo o país  , sem reação da maioria, o que aconteceu ? Psicanalistas, psicólogos e cientistas sociais  têm discutido essas questões, quando o Brasil, isto é, a administração brasileira ,  insinua , através da Comissão Nacional da Verdade,  pretender  chegar a algumas “verdades redentoras”. Elas seriam capazes de permitirem  aos brasileiros superarem melhor traumas e raivas e ressentimentos ,  restabelecendo-se a “verdade” .

Isso  via compensações e denúncias e testemunhos  – sem estabelecer  ou buscar punições , mesmo para autores de crimes  hediondos , ao menos até agora, eis que a administração brasileira sustenta que a Lei da Anistia é aplicável aos torturadores, inclusive a autores de crimes hediondos, que estariam com a impunidade garantida para sempre .(Em que pese decisões e entendimentos contrários , em cortes internacionais, outros países, etc. que consideram tais crimes imprescritíveis . Mas, essa não é a posição da administração brasileira -insista-se ). 

         Se o entendimento  de Dilma Presidente e do STF é que os torturadores e assassinos não podem  mais serem punidos , em função da Lei da Anistia, e cortes internacionais, das quais, inclusive, o Brasil é membro-participante , e também a Justiça de vários outros países , entendem que crimes hediondos não cabem na Lei da Anistia – e são imprescritíveis – por que não  há manifestações , nas ruas, pela punição, manifestos a respeito ,etc.? Por que o governo federal não quer – e prevalece , nessas comissões , a vontade do Estado comprometido, de alguma maneira, com os militares acusados ?

    O QUE INDAGAR E  ABORDAR ?

          Então, o que interessaria entender ? Essa situação da anistia , no Brasil , que coaduna-se , também , com o anteriormente exposto , inclusive a passividade do povo brasileiro  frente ao entendimento acima, único no mundo,em   que a administração entende que a Lei da Anistia implica em impunidade para os torturadores . Então , essas situações  desdobram-se em algumas vertentes :

1 – indagar se existiram, ou existem , de fato ,  “traumas sociais”,  coletivos, causados por eventos como o holocausto(Alemanha, Segunda Guerra Mundial ), no  caso do povo alemão ;   ou  por ditaduras terroristas, no caso do Brasil , última ditadura brasileira ( 1964) ;

  2 – verificar a repercussão, no povo brasileiro,  da ação da ditadura(violência)  e , se possível , dessas Comissões da Verdade, impulsionadas por parentes das vítimas – desaparecidos, torturados  e mortos – em função da primeira indagação – se  realmente existiu um  “trauma  social ” , sentido pelo povo brasileiro ;  a partir daí , e as razões do desinteresse pela luta contra a impunidade(que vai ao encontro de outras omissões do povo brasileiro) seja por parte dessa Comissão Nacional da Verdade como  da administração Dilma e dos muitos movimentos sociais que a apoiam.

          E , se possível, indagar , ainda, quais as repercussões da ação dessas comissões ,  no que se refere a esses  traumas sofridos pelo povo , e , ainda, quanto ao comportamento das instituições político-jurídicas brasileiras(tipo Exército, MP, serviços de informação, etc. ) ao serem confrontados com essas questões e pela CNV (esta última parte mais conhecida ;

3 – outras razões que explicassem o comportamento do povo brasileiro, nessas questões , e quanto a outras , antes mencionadas , que relacionam-se no que toca a uma posição, fundamentalmente, de passividade(como nas eleições, apuração, corrupção,etc.) .(Claro que poucas dessas questões poderão serem respondidas aqui -algumas demandam até pesquisas de campo). 

     II –  TRAUMAS INDIVIDUAIS E COLETIVOS

      A primeira questão que tal tema envolve – indagar sobre a  existência do chamado “trauma coletivo “ ou “social”. Trauma – pode-se entender, numa primeira abordagem,  como um machucado , um ferimento, que poderia ser físico e psicológico.

     Para alguns autores –  …” no próprio Freud, o trauma na origem das neuroses de guerra é forçado a se tornar cada vez mais próximo de um trauma infantil, até a conclusão de que “temos todo o direito de descrever o recalque que está na base de toda neurose como uma reação a um trauma – como uma neurose traumática elementar.”(Freud,1919,p.210,AnaMariaRudge.Rev.Latinoam.Psicopat.Fund.,VI,4,102-116, fundamentalpsychopathology.org).

           Então , se admitido o “trauma social” , em que consistiria  o trauma trazido pelo nazismo  ? Um trauma social  visível. Mas, a  maioria dos autores defende que não há uma neurose específica produzida exclusivamente pela situação de guerra …( Rudge , id. )  – seria uma neurose como qualquer outra.

       “As neuroses resultantes de catástrofes sociais se apoiariam, na verdade, sobre um trauma da infância, e esta vulnerabilidade prévia é que, no fundo, os determinaria .”(Ib.) Interpretação freudiana.

       Se a  história da  humanidade é cheia  de traumas coletivos, envolvendo grandes perdas , existem “interpretações conflitantes a que o termo trauma está sujeito dentro do tema da psicanálise.” …”diversidade das abordagens e conceituações “. A ênfase na trauma infantil da literatura psicanalítica não contemplaria a “especificidade das novas sintomatologias com que nos deparamos  .” 

            Freud analisa a questão , mas esse trauma teria uma origem interna , na infância, relacionado com a vida sexual . Já o trauma social, de uma guerra , por exemplo, caso da Alemanha, teria uma razão exógena, não interna. Então… há uma corrente que entende que o segundo fator , exógeno, encontraria “respaldo” e poderia ir ao encontro do primeiro , daí sendo oriundas várias conseqüências. Alguns autores têm-se debatido sobre o assunto e levantado outras questões  , daí derivadas.

          Mas, tais autores acabam apenas por circundar o tema   , seja  pela complexidade que entendem encontrar no chamado “trauma social “, seja por haver divergências a  respeito , a maioria tomando essa posição combinada . 

          Freud chegou a referir-se ao emprego  da psicanálise em relação aos problemas sociais, mas não enveredou mais diretamente , de forma aprofundada, sobre esses  temas , mostrando apenas sua complexidade e planos para , mais adiante , analisar melhor a questão social, inclusive essa . (“Mal-estar na civilização”).

As guerras mundiais, primeira e segunda, ocorridas no período de fecunda produção das escolas psicanalíticas, colocaram,  na ordem do dia,  o tema – e a questão : por que o trauma social não foi mais estudado e discutido, se existente ,tendo havido duas guerras mundiais , entre outros dramas sociais ? Uma hipótese- pelos riscos que tais abordagens envolviam, num mundo em caminho para a guerra( 2a Gueerra Mundial, perseguição, aos judeus, ascensão do “comunismo”, etc.). 

          O trauma seria um “tipo de lesão psicológica ocasionado por um evento drástico”.

      “Seria fruto de catástrofes artificiais ou naturais, guerras , atentados , abusos sexuais, acidentes individuais ou coletivos , ou seja “todas as experiências ou experiência dolorosa que afete o ser humano física ou psicologicamente .”(“As estratégias da memória perante o trauma “, Ana M.B.Rodrigues  e Augusto Sarmento-Pantoja, “Grupo de Pesquisa Literatura e Autoritarismo”, Dossiê 4, ISSN1679-849X, UFPA).

        Para esses autores , o trauma coletivo seria fruto da opressão, tortura,  extermínio de várias pessoas . Veja-se o caso da ditadura militar , desde 1964, a última, no Brasil. 

          TRAUMA E MEMÓRIA 

          “A ditadura militar é um exemplo desse tipo de trauma, já que foi um período em que o governo militar massacrou, torturou, exterminou milhares de pessoas. Renato Janine Ribeiro, em A dor e a injustiça , fala que o Brasil durante seu processo de formação presenciou dois traumas coletivos : o primeiro ocorreu em meados do séc.XIX e está ligado a exploração colonial que acontecia de forma agressiva , e o segundo concerne a crueldade inerente a escravidão, que sustentou o processo de formação do Estado Nacional, no período imperial .

É por isso que os regimes autoritários tiveram, no período republicano facilidade de instalação e permanência. A partir dos regimes ditatoriais , pode-se concluir que o Brasil é formado de três traumas coletivos, sendo que a ditadura militar constitui o terceiro trauma coletivo. Logo, qualquer cidadão que nasça em território brasileiro adquiriu por herança cultural esses três traumas coletivos apresentados .”(Ana Rodrigues e outro, id.) (grifo da redação).

        A questão da memória (id.)está ligada ao tema – uma construção feita no momento presente a partir de vivência s ocorridas no passado .( …)”imagens mentais das impressões sensuais , com um adicional temporal , “conjunto de imagens de coisas do passado.” Tratar-se-ia de lembranças, conhecimentos, idéias , fatos adquiridos em momento pregresso. (Aristóteles, in Seligmann-Silva, 2008, p.74, in ob.cit., ib.).

 

III – PROGRAMAS DE “CONDICIONAMENTO”

            Além dos traumas sociais, um grupo social , ou uma sociedade , podem ser motivo de condicionamentos específicos – ou condicionamentos oriundos do passado mais distante , não necessariamente programados, ou condicionamentos deliberados, empregados com determinados objetivos.

        A par daquelas técnicas de motivação , que vendem idéias ou candidatos a cargos políticos ,como produtos (usadas há décadas, a partir de utilização, nos  EUA , através dos “marqueteiros “, de fato psicólogos sociais  ) há uma série de técnicas , tradicionais já , empregadas seja na sociedade em geral  (“deliberadamente”, planejadamente,  ou não -já “naturalmente” ) , seja por grupos religiosos , na formação de quadros e com objetivo de manter coeso o grupo. 

       Na direção desse objetivo  , num  processo de condicionamento psicológico, podem ser utilizadas uma  série de “ferramentas” , usadas de forma consciente, planejada ,ou inconsciente (ideologia teórica ou  prática )  –  “ferramentas psicológicas “para condicionar 0 comportamento de grupos, direcionando-os, por exemplo,  para apoio a uma certa liderança.

       Sem discutir questões éticas ou morais ou religiosas, tais métodos , ou “ferramentas ” , eventualmente, seriam utilizadas por líderes e outros interessados. Vejamos algumas,  historicamente identificadas .

         O controle social  por meio do ensino (escola, livros, músicas,etc.), da mídia , família , condicionamento ideológico tradicional , uma forma de poder. Bobbio lembrava o poder ideológico, econômico e político, como formas de poder . E considerava como ideológico “aquele que se vale da posse de certas formas de saber , doutrinas, conhecimentos, às vezes apenas de informações, ou de códigos de conduta, para exercer uma influência sobre o comportamento alheio e induzir os membros do grupo a realizar ou não realizar umas ação”. No caso dessa forma de poder, como  outras, ela serviria para manter a sociedade desigualmente dividida, no caso entre sábios e ignorantes, genericamente, em superiores e inferiores . (“Estado Governo Sociedade – Para uma teoria geral da política “, Paz e Terra, SP, 2000, pág.82\83) . 

          Também no sentido de uso de “ferramentas” de ação social,  há a questão da reformulação ou criação de novas palavras e conceitos . Seria o caso de , por exemplo, de chamarmos favelas de comunidades. Ou utilizarmos uma série de termos estrangeiros, caso de site ao invés de sítio ,e outras palavras de tal tipo , que revelam um processo de transculturação em andamento.

      O isolacionismo (impedimento de contatos com o mundo ) tem sido também forma tradicional de condicionamento, utilizado por ordens religiosas .

       A  delegação de uma autoridade ditatorial  ,  por vários fundamentos , seja sob  o de Deus (absolutismo) , ou outro, carismático ou legal, ou através mesmo do medo , ou de uma  mistura desses fatores  , ou justificativas,  caso dos “déspotas esclarecidos “, ou “pais da pátria “Estas  seriam outras formas de atingir certos objetivos,  meios de condicionamento social, por  vezes havendo , por trás deles,  simplesmente a força das armas , ou  forças militares , a justificativa sendo apenas  a nível de retórica .

       Outra forma  de influir, socialmente, ou de “ferramenta” , usada com o objetivo de condicionamento social , é o estabelecimento de  relacionamentos ,  promoção de fortes ligações com todo o grupo social , quanto maior em  número,  melhor . Essas ligações, além de simples presença em eventos coletivos, pode envolver  casamentos, empregos, adoção , sociedades em empresas, concessão de moradias , com preços pequenos,  produzindo dependência, etc.Pode envolver  , inclusive , certos tipos de caridade. No caso brasileiro,  recente, há o exemplo da distribuição de bolsas de alimentação , e casas, pelo Estado , que  iriam ao encontro desse tipo de condicionamento social . O objetivo será sempre criar certo tipo de comportamento. 

       Também um afastamento especial – comum no  mundo antigo,  mas utilizado , por certos grupos , hoje em dia , seja  da família ou amigos , pode ser   utilizado com esse objetivo condicionador.Veja-se casos de diferentes grupos religiosos, em que tal é promovido pelas lideranças. Muito usado nas épocas medievais, nos conventos, monastérios, ligado à idéia de purificação de antigas influências . Pode envolver separação, apenas  transitória ,do mundo, família, igreja , amigos, por período limitado, como uma espécie de  sacrifício pessoal, caso de retiros religiosos , em épocas como o Carnaval , por exemplo .

       O objetivo seria induzir a um  pensar diferente , sendo dadas novas perspectivas aos participantes . Também podem ser trazidos ao grupo , ou sociedades ,  moral interna condicionada, com a discussão e recriação de padrões sobre temas como mentira, violência, amor, certo e  errado,etc. Busca-se discutir e criar novos valores , até morais e éticos.

      Mas, os condicionamentos podem ter face  mais radical – caso da tortura – seja psicológica ou física. O objetivo é impedir desejos do corpo, produzir desconforto, sofrimento , uma penitência para “santificação ” , ou certo tipo de comportamento . Seria um meio de produzir castigo aceitável , para libertar-se do”mal”.

       Tudo isso leva a uma reflexão , no caso da última ditadura brasileira –

além de colher informações, o objetivo dela, com a violência, incluindo a tortura ,  não seria maior ? Um castigo em larga escala para os recalcitrantes e uma ameaça geral , intimidação ,  em direção a toda  uma sociedade já traumatizada e infantilizada , no sentido que esse “castigo “, realmente, poderia ser aplicado a todos os “rebeldes ou mal comportados”, socialmente. 

         O medo coletivo tem sido o mais importante elemento, ou “ferramenta “, de condicionamento social ,  envolvendo a própria tortura , como acima referido –  criação de um medo coletivo, elemento de destruição que , potencialmente, pode atingir a todos , caso do inferno, morte, doença, perda de  bens, familiares, prisão, tortura  . Essa a “ferramenta” mais forte de todo o processo geral de condicionamento . O medo seria justamente a origem de maior ligação entre os grupos de conduta. Ele controla e une.

           Há outras ” ferramentas” . Por exemplo , a própria  “aceitação do castigo” é importante.Criar um sentimento de culpa que  permita o reconhecimento do “erro” , do castigo justo , tudo em nome da aceitação pelo grupo – e numa circunstância válida para todos . O castigo , até a tortura , seria aceito, assim como o medo , a ditadura, a separação, numa subordinação , sem resistência , ou com , ao menos,  resistência fraca. A rejeição seria destruída , tida como  rebelião, erro, algo destrutivo, traição, blasfemação, loucura, algo maligno ; no caso religioso,  usando-se o argumento que o discordante estaria  contra e fora da vontade de Deus. Com o “diabo”, por exemplo.

         Até a vergonha  pode ser tida como um meio de condicionamento social  – poderá levar à necessidade do castigo, como acima, voluntariamente, e a uma dificuldade, posterior ,  de saída  do grupo, implicando em prévia contenção, para evitar isso.Temer-se-ia  o conceito dos outros . E passar-se-ia  a temer,  mais ainda,  o dos grupos “de fora” , temendo-se uma perda dupla . Poderia ,ainda  , envolver a humilhação. Seria , então , preciso, para a pessoa ,  unir-se mais ainda com os outros, ou a maioria (?!) para não isolar-se – e cair numa solidão social .

        Afinal,  os outros estão juntos e uma pessoa  apenas  estaria  isolando-se ,  afastando-se do grupo , ou da sociedade. Ela  seria condenada dentro e talvez fora do grupo.( Linhas gerais ,enumeração , síntese, de Marco Faleiro, referindo-se mais à religião ,mas  adaptável  a outros grupos sociais.Válida ,  em especial, para o caso brasileiro ,  se levarmos em conta a religiosidade , mesmo  agora, no século XXI  –  cada vez maiores participações de grupos religiosos, igrejas ,várias matizes, em campanhas políticas e eleitorais, participando e aliando-se aos maiores grupos, partidos, que exercem o poder, a nível federal ou estadual . Quanto a elas , essas lições servem para uso interno e externo.(CF. 28-12-2012, tetospararefletir.blogspot.com.br).

       ( Nosso objetivo, nesta parte, foi mostrar quantos recursos existem , a nível de psicologia social, capazes de influir no comportamentos de grupos ou na sociedade , em geral , adaptados a casos concretos, sem conhecimento dos cidadãos, mas tendo-os como alvos-objetivos . Outra questão seria – militares por si, ou um Lula daSilva/Dirceu teriam capacidade  para traçar e executar projetos tão sutis ? Ou eles foram- lhes presenciados  por “assessorias” ?   ).

 IV – TESTES E RESPEITO REVERENCIAL À AUTORIDADE 

      Os testes abaixo referidos, antigos e bem conhecidos, mostram, em outros países,a forma de relacionamento bastante especial , entre os cidadãos comuns e as “autoridade” , devendo ser mais acentuado tratando-se de representantes do Estado. Até mesmo mudança de vestuário de um , implica em mudança de atitude por parte de outro. 

  Brasileiros, Povo Traumatizado E Manipulado     Os testes de  Milgram , Stanley,Phd , Psicologia Social  – sobre choque de autoridade  – são bem conhecidos . Após a segunda guerra mundial , a questão foi discutida e depois reexaminada .   Eichmann , capturado pelos judeus, o grande responsável pelo Holocausto, seria julgado. A teoria corrente era a da “ obediência, rígida cadeia hierárquica” da SS .

    Resolveu aquele autor , Milgram , então,  fazer testes em voluntários, em condição de estresse, em que seriam colocados em cheque valores morais. O  objetivo era saber o momento em que um voluntário manifestaria, pela primeira vez, desejo de encerrar sua participação na pesquisa, em que, pseudamente, infringia sofrimentos a outrem (atores contratados ) .Ao ser submetido à autoridade do pesquisador, verificar-se-ia  seu limite final quanto aos “castigos” aplicados.

        “Mesmo que tudo o mais fosse falso, a angústia do voluntário era real. Tanto a  que sentia durante os choques que aplicava, quanto aquela ao perceber até onde foi. Ou até onde teria ido, pois achava que os choques era verdadeiros .”

        Achavam os colegas do pesquisador  que 3 em cada 100 iriam até o final. Em vez disso , houve a obediência de 26 dos 40 participantes do experimento. 65 por cento .E nenhum voluntário desistiu antes de choque de 300 volts, relativamente algo e doloroso, para a experiência . Não havia causa aparente para tão cega obediência. Não havia um tipo de obrigação do voluntário , para com o pesquisador. Um homem de jaleco cinza que apenas dizia algo como “por favor, continue…” ou … “é necessário para terminarmos o experimento”, etc.

       Esse estudo , da década 60, foi replicado num programa da BBC DE LONDRES  E OS RESULTADOS FORAM  PARECIDOS.        Tratar-se-ia do “Poder de persuasão de uma figura de autoridade”(Robert Cialdini , “Influence : The Psychology of Persuasion) .

       Veja-se que, em outros testes, havendo a troca de lugar entre o aluno e o pesquisador, a quem era pedido que continuasse o experimento, o resultado era absolutamente oposto. Havia recusa de quase cem por cento . Esse pesquisador, então , vai identificar figuras e situações que inspiram respeito e até submissão – títulos, médicos, roupas (pessoas bem vestidas), símbolos , ícones de status .

“Despidos de nossas carapuças , aparecemos covardes, sádicos e subservientes sob as lentes de um engenhoso pesquisador “. “Desde as mais ternas idades somos educados e condicionados a obedecer às autoridades , no sentido mais amplo da palavra. Enquanto crescemos e amadurecemos, ganhamos o discernimento e a independência necessários para avaliar e criticar tais determinações. “(Experimentos em Psicologia – S.Milgram e o choque de autoridade)( rodolfo.typepad.com)

             Sim, mas e se não amadurecermos ,  de forma normal, continuarmos, ao menos, parcialmente   ,”infantilizados” ?

           Na verdade , todas as experiências acima vão ao encontro da teoria freudiana, em que há a projeção do pai na autoridade e no Estado – administração.

               Marcuse, utilizando a teoria de Freud , analisa :

     “A revolta contra o pai primordial eliminou uma pessoa individual que podia ser (e foi )substituída por outras pessoas ; mas quando o domínio do pai se expandiu , tornando-se o domínio da sociedade, tal substituição não parece ser possível, e a culpa torna-se fatal . A racionalização do sentimento de culpa foi completada. O pai ,limitado na família e na sua autoridade biológica individual, ressurge , muito mais poderoso, na administração que preserva a vida da sociedade e nas leis que salvaguardam a administração. “(“Eros e Civilização”, Zahar, RJ, 1968, p.93).

        Em São Paulo, na rede pública, num todo de 200 mil professores ,

                                  50%(cinquenta por cento) foram agredidos por alunos.

          No caso acima, agressão de professores por alunos, como entenderíamos o respeito à autoridade , no que se refere à pesquisa anteriormente citada ? No caso, não a vemos , muito ao contrário . Poderíamos mencionar que, naquele caso, da pesquisa referida , tratar-se-ia  de adultos , mais “educados” e amadurecidos que os jovens agressores , em outras palavras , “menos infantilizados” que eles. Quanto a esses jovens, reproduziriam situações , recalques, manifestações originadas no ambiente familiar, vivências anteriores , a figura do pai presente , de forma  inconsciente.

            Muitos professores estão traumatizados e entram ,em salas de aula , com muita dificuldade, depois até de exercícios respiratórios. Como explicar-se  tal situação , que nada tem a ver , diretamente, com a política, autoridade ,  e ,sim ,com a sociedade, em geral ? Ou , como esses professores representam , e expressam, de alguma forma, uma autoridade, o Estado  , inconscientemente, os alunos  projetariam neles revoltas contra os pais , daí as agressões ? Quer dizer, jovens, não teriam amadurecido o suficiente a ponto de serem capazes de conviver com a inevitável repressão da sociedade  –  ou seja, da “civilização “.

       De qualquer forma, se teríamos ,no caso, confirmação da importância da teoria freudiana no estudo de problemas sociais , pois ela encerra a melhor explicação , no caso, de outro lado é evidente a existência de uma situação não natural, a-normal, doentia, nessas salas de aula e sistema educacional – afinal , metade dos professores já teria sido agredida ou ameaçada por alunos, alguns mais de uma vez . .Não se trata de um ou o outro professor -mas, de milhares deles. Esses alunos , em tão grande número, estariam revelando um “trauma coletivo “? Através da interpretação acima, ou outras, estaríamos vendo um comportamento agressivo mais ou menos padrão cujas origens remontariam à família , sabidamente em crise, que acabaria projetando-se nas salas de aula . Com graves consequências – tiros, presença policial, prisões. 

            Pelo exposto, pode-se inferir  métodos , meios e circunstâncias que possam repercutir nos comportamentos de um povo , seus valores e ações. E na necessidade de refletir  a respeito das origens e riscos . Não só “traumas sociais” de origem exterior , exógena, podem atingir a sociedade , em conjunto (em passado remoto , ou recente,  deixando suas marcas psicológicas ; e ,também , no presente ) , caso de guerras , revoluções , catástrofes. Há  fatores , aparentemente  “individuais” , individualizados , de  origem apenas “interna”  ,  que atingem grande número de situações e indivíduos, que podem projetarem-se sobre toda a sociedade , deixando marcas . Embora inerentes a cada indivíduo,  “per se”, acabam por   repercutir no todo social , na  relação com autoridades , escolas, profissões , trabalho e estrutura de poder existente .

INFÂNCIA, FAMÍLIAS, TRAUMAS

        Tem sentido a perspectiva de que já haveria , no indivíduo , oriundo da infância , determinado acontecimento , infantil, importante para ele,  que , em outra época de sua vida , adiante,  irá encontrar ,numa guerra ou  catástrofe ,etc., o momento de desencadeamento do trauma . Mas, se o acima apenas demonstra a importância do recurso à filosofia – e à teoria freudiana  – para melhor compreensão dos problemas sociais, não é esse , especificamente, nosso interesse , nestas notas. O que consideramos é que teria havido um “trauma” social , que é o que nos importar  aqui.

                  Cabe outra indagação – as “elites dominantes” manipulam , “naturalmente”, tais conhecimentos,  e métodos ou meios de  condicionamento social , em seu benefício, para manter seus interesses, geradores de desigualdades sociais ?  Mas, se tem havido agressões , como as acima narradas , poder-se-ia dizer que , no caso brasileiro, ao menos , esses métodos e meios parecem estar sendo insuficientes ou inadequados para atingirem seus objetivos . Ou seja,   os mecanismos de controle social inadequados seriam incapazes de resolverem situações como as descritas, sinalizando necessidade urgente e absoluta de mudanças. Outro tipo de sistema de ensino, escola, professor, educação .

        E reflexão sobre a questão da destruição da família ou das novas formas assumidas pela família na sociedade – a atual estaria gestando perigosos agressores, a um passo da criminalidade sem volta, apesar da sua juventude . O que pressupõe-se estar ocorrendo em grande número . Só mudanças profundas na estrutura educacional poderiam propiciar  ,talvez , adequado e natural controle social. Embora desde logo coloque-se a questão – como promover essas mudanças sem mudanças  na própria organização da sociedade que propiciou e vem mantendo tal sistema educacional, seus métodos, conteúdo e forma ?  

                   Ou seja, perceber-se-ia , ao fundo do túnel , face a uma situação que não pode ser eternamente mantida, e que só tem feito agravar-se , ou a mudança radical imediata ou a  sombra de quepes ,botas e fuzis, aquela última solução das elites em crise , que sempre consideram  essa uma saída –  política. Quando não o é – é militar, cujo começo percebe-se , mas não o fim. Embora para o povo esse acabe por ser nova situação muito pior a que engendrou a entrada da bota militar no campo de jogo.Como foi o caso do Brasil .

                Os  fatos, e as diversas sociedades em crise, tendo assumido mudanças desse tipo , mostram que trata-se apenas de meio para ganhar tempo histórico. Sendo que , adiante, os problemas ressurgirão  , com algumas novas bases  ,  mas, no conjunto deles, mais agravados ainda. Quais as heranças da última ditadura militar ? Que problemas , mesmo,  ela corrigiu ? Os de um comunismo inexistente até na velha União Soviética ? Ou a destruição da indústria brasileira independente , a desmoralização do estado, o aniquilamento do povo  – uma das bases de um “poder nacional” ? Em resumo , destruiu, com o auxílio de parte das próprias vítimas, aliadas por conveniência e benefícios , não só o antigo estado nacional como seu próprio povo e potencial maior como nação. E , então, para isso teriam servido tais conhecimentos, técnicas de motivação e “ferramentas sociais ” para condicionar comportamentos de grupos e sociedades ? Sim, sempre estão a serviço de algum tipo de política. Em outras palavras, de determinada ideologia e dos grupos que assumem-na.

                Escândalos sucessivos , inflação, dívida pública elevada , baixa legitimação das instituições ,etc. fornecem percepções  no mesmo sentido – disfuncionalidade das instituições, com multiplicação de situações fora de controle, em número  cada vez maior e ritmo cada vez  mais rápido. O que significa que sequer a manipulação de tais ferramentas, e conhecimentos, de forma maciça e eficiente, foi capaz de produzir os resultados almejados – embora tenha permitido outros, com um ganho de tempo histórico por parte daqueles que utilizaram-nas. 

              A solução , paliativa, afinal , até agora  assumida  pelas elites dominantes, em relação aos brasileiros, tem sido de um lado ,  o uso do “estado de exceção” referido (Cf. maiores detalhes em outro artigo, desde site, com o mesmo nome)  , anômalo, (em que as normas jurídicas não são aplicadas ,muitas vezes , num caso , mas, sim,  em outros , dependendo dos interesses políticos e econômicos em jogo e da força dos contendores ; e, de outro lado , os conhecimentos psico-sociais antes referidos, aplicados, diligentemente – e  usados com competência política.

          Quanto ao estado de exceção , via “interpretação jurídica ” ,  especialmente, e ações – ou omissões, no caso – de   procuradores gerais e ministros do STF . Auxiliados pelos conhecidos “sigilo de Justiça” e “foro privilegiado” . Conforme os interesses em jogo,  não aceitam-se ou aceitam-se  denúncias . Ou elas são colocadas sob segredo de Justiça . Ou ,simplesmente , são engavetadas  para serem decididas  “depois” – o que pode significar 10 ou 20 anos.Ou nunca, pela prescrição .Assim, escaparam da Lei, no Brasil ,  tanto um Collor como  outros. Dilma e Lula podem  estar na lista “secreta”, ao que parece na gaveta de algum ministro do STF . Sigilo absoluto.

              Exatamente ao contrário da transparência própria às democracias. Mas, todos calam-se pelo entrelaçamento dos interesses em jogo, incluída a a grande mídia , que joga importante papel , engajado, político , militante e a  OAB e outras instituições, todos capazes de serem envolvidos e cooptados pelos poderosos interesses em jogo, via “Estado Brasileiro”  . “Segredo de Justiça” + “foro privilegiado” + “interpretação jurídica” = estado de exceção. Faltam outros ingredientes político-jurídicos, , mas este é um resumo razoável, para o  caso. 

                 Jornais como “O Globo”, (24-11-14,coluna Noblat) , “Estado de São Paulo”( cf. artigo neste site, ) e  revistas como a”Veja”( semana  24-11-2014) têm anotado , didaticamente , o escândalo do “petrolão”(“lavajato”) – e mostrado o evidente envolvimento , nele , de Lula da Silva e Dilma Rousseff .Ambos de tudo sabiam, inclusive a atual presidente, no que refere-se  à Petrobrás, que dirigiu, durante bom tempo .(Não  argumente-se  que trata-se de mídia  de”direita” .O que importa é a veracidade da notícia, com provas, o que ocorre).  

                Nenhuma vergonha da parte de  Dilma e Silva  –  gritavam , na última campanha eleitoral, que o Procurador Geral, da época de FHC, era um “engavetador ” geral . E agora ? O procurador deles faz o mesmo e tudo faz sentido . Trata-se apenas de outra fração neoliberal. Que, aliás, já estava na direção do estado . Nomes e provas  em sigilo de Justiça , algo inexistente no  modelo do presidencialismo  brasileiro – os EUA . Os nomes da dupla protegidos ,  além dos de dezenas de parlamentares . Em vista do acima, nada divulgado . Mais um funcionamento  anormal do estado der exceção brasileiro  e de sua “democracia”, comportamento que não sabemos até quando poderá resistir , tais os absurdos que esconde e pelo relativo aumento de consciência popular .

                 E por que o “povo brasileiro “suportaria isso”?  E nele , povo, podemos também incluir OAB, militares, sindicatos, associações de classe, ABI, etc. Onde há líderes de elevado nível cultural . Talvez sequer entendam direito , pela complexidade , exatamente  o que se passa,de fato ,  no Brasil, confundindo , por exemplo , “estado de direito ” com o  “estado de exceção brasileiro” , já que este não é “ditadura”, (cf.Agamben, G.,”Estado de exceção”). É , deliberadamente,organizado em detalhes, para deixando  normativas com objetivos determinados e , por certo não mal, mas muito  bem estruturado : travestido sempre de estado democrático de direito , ao invés de estado de exceção (permanente e não assumido) por conveniência inteligente de sua “elite dominante” e seus aliados estrangeiros.

          Esse estado , com aquela democracia , justifica seus erros (deliberados) e manipulações com desculpas  como –  trata-se de uma “democracia ainda frágil  ou imatura “, que precisaria tempo para florescer. Muito ao contrário , trata-se de complexa solução bem acabada ,  crucial  para manutenção das “elites no poder “, de forma menos arriscada e traumática . Porque esconde sua verdadeira face , com certa “confusão”, que é própria dele , faz parte de sua essência (AGAMBEN, G., “Estado de exceção”) .  

DIREITO, PSICOLOGIA , HISTÓRIA

               Fecha-se o círculo , quase impenetrável , até para o entendimento do que se passa , por parte do povo brasileiro. Inclusive para estudiosos . Aí pesando um novo problema – o estudioso , apenas historiador , sem domínio de noções jurídicas e da estrutura jurídico-política existente , será incapaz de perceber como funciona tal processo, em seu “todo” ,e essência ,  sempre em mutação. E , de outro lado, o simples estudioso de direito, sem conhecimentos históricos e políticos , terá problemas semelhantes – não  conseguirá também perceber o “todo” , nem a forma como apresenta-se o fenômeno , muito menos sua essência.

         E as equipes interdisciplinares brasileiras  dedicadas a tais tipos  estudos , se existem, são insuficientes para a tarefa a ser desempenhada  (Cf. Adendo , ao final dessas notas ). De um lado,  “ferramentas” conhecidas, estudadas , sistematizadas, utilizadas com o objetivo de manter o controle social , via condicionamentos, e , em última análise, “manipulação” de povo já traumatizado , no passado e no presente .

      De outro, toda uma estrutura política , com uma essência completamente não correspondente à aparência – tipo separação de poderes, de fato inexistente ; independência do Judiciário, idem ; controle popular sobre os representantes eleitos, o estado, a elaboração das leis – nem se fale. Alguns desses fatos têm sido descritos por estudiosos , mas sem chegar as razões pelas quais tal tipo de construção jurídico-política tem sido promovida – e mantida. E a resposta é simples – manutenção do status quo, em outras palavras, dos interesses das elites dirigentes.  

              Pergunta – como vimos, um “esquema”de tal tipo , complexo, envolvendo suportes  de diferentes tipos, ao regime político brasileiro, ainda atual, e antes à ditadura militar, que , por sua vez, deu respaldo e “alavancou” a atual situação de retrocessos da economias brasileira (volta a uma economia de exportação de produtos primários)identificado, como o estamos tentando fazer, aconteceu ,”casualmente” ? Impossível. Foi algo cuidadosamente  planejado , um projeto bem feito (ao menos por 50 anos)  – e cuidadosamente executado. Segunda óbvia pergunta -por quem é com que objetivos?  E a insinuação maliciosa de mais uma “teoria da conspiração” não responde à pergunta.

                [“Confusão” , manipulação , “cortinas de fumaça”políticas e sociais, simulação , engôdos   esse não teria sido sempre  o objetivo, bem sucedido , das forças econômicas que , realmente, detém o poder, no Brasil , após a execução de “plano maquiavélico”, anti-nacional , violento ,   muito bem articulado, há décadas?  Mas, talvez seja algo ainda pior – todo esse conjunto de jogos e artifícios, políticos, econômicos e jurídicos, manipulações, são destinados a um povo , segundo muitos, diversas vezes “traumatizado “](**).

                           COLONIALISMO, ESCRAVATURA(ÍNDIOS E NEGROS)

                               DITADURAS ,ESTADO DE EXCEÇÃO PERMANENTE       

      Essa situação só teria  sido suportada , pelo povo brasileiro, em que pese traumas e manipulações identificáveis ,   por tratar-se , de um lado, de uma “elite”privilegiada , autoritária, protegida por um estado de exceção , aliada ao bloco neoliberal mundial, que , no Brasil , tem lucros dos maiores do  mundo(Cf. artigos neste site)  ; um estado anômalo que posa de democrático , longe seu ” liberalismo ” , inteligente,   do ponto de vista das elites, da democracia real –  controle do poder pelo povo .E , de outro , um povo fragilizado, neurotizado, traumatizado por colonialismo, escravatura, de negros e índios, e sucessivas ditaduras . A última deixando como herança esse estado de exceção e, ainda,  ao deixar a cena  , uma Lei de Anistia que protegeu , e protege , assassinos e torturadores .  Essa última parte é a”cereja do bolo” ,das que mais importa-nos,  diretamente . Já a primeira elucida pontos  de vista , mais ou menos sedimentados ,  perspectivas sobre o  que ocorre , atualmente, com o povo brasileiro . 

       A explicação para o povo  suportar tal situação , traumatizado no passado , e presente, envolve a  genial – reconheça-se  – e  maquiavélica construção política(que não pode ter sido “casual”)dos líderes neoliberais populistas  José Dirceu  e Lula da Silva,(Cf. neste site, “Dirceu, o livro”, “O fator Lula”, Mir, L. , “A revolução impossível, etc. ), que direcionaram e lideraram os interesses neoliberais ,  no Brasil , tornando-os populares ,de quebra com uma fachada de “esquerda”(Plano que Ellbrick já confidenciara a Cyrillo, 1970, quando do sequestro famoso do embaixador dos EUA. Cf. Mir, L, “A revolução …,” por exemplo) .

       Além disso, consolidou-se  dívida pública brutal , que compromete o país , deixando-o numa encruzilhada tipo a da Argentina (não pagar as dívidas com credores internacionais ou nacionais , brigar- sem condições  ; ou continuar pagando e continuar , como sempre  , a crise piorando dia a dia , sem  alternativas, fora  meios termos , para ganhar tempo  ) – situação que trava o país, sem investimentos sequer para uma reforma geral da infraestrutura debilitada , por anos sem investimentos adequados.

         Pela campanha eleitoral demagógica feita pelos vencedores ,há anos , Lula e Dilma, essa questão crucial não pode ser levada, com clareza , à frente dos milhões de brasileiros(dívida pública enorme ,etc.) , para uma decisão democrática . Some-se a essas feridas , bastante ocultadas,  milhares de “desaparecidos”, mortos, torturados, perseguidos . Cujas imagens , fantasmas, memória, estão entronizados na civilização brasileira, assim como outros fantasmas históricos . Estão em nós , de forma consciente ,  ou em nosso inconsciente. 

       [Nesse sentido, memória, traumas, ditadura, torturas, após décadas, sobrevivendo,de diferentes formas, em diferentes pessoas, afetadas de diferentes maneiras .Conferir , entre vários , o belo filme de Bille August , ” O último trem para Lisboa” ,2012 , baseado no livro de mesmo nome) .Refere-se à ditadura portuguesa , de Salazar .  E a memôrias . Além disso, a economia brasileira,  em violento retrocesso, caso único no mundo, através da negada inflação(até o momento que escrevemos), invade a casa de cada um . Aumentando o estresse, junto com as mentiras sucessivas e jogos de palavras. Enquanto a percepção de apenas uma minoria entende , desde logo , que houve uma melancólica volta do Brasil  à situação de  mero  produtor de matérias primas –  e importador de produtos industrializados. Caso único no mundo -repita-se.(Cf. análise de J.Petras, neste site) ]. 

              Esses fatos(mentiras, alterando-se informações sobre a situação real do país )  não traumatizam como torturas e violências cotidianas, físicas, mas  negados , formalmente, pela grande mídia ,  e pelos líderes desse estado de exceção, Dilma e Lula, em especial , de forma peremptória,na campanha eleitoral , e no  dia a dia , tornam-se fatores de estresse e neurose. Com efeito, são situações existentes, de fato  – e negadas tanto pela grande mídia, assistida , em comum, por milhões de brasileiros, como por seus líderes, ” vencedores “das últimas eleições, as “eleições das urnas eletrônicas infalíveis” ,  que têm a responsabilidade de  direção da nação .

       A inflação percebida por quase todos , no dia a dia ; a desindustrialização  , apenas  por uma minoria mais politizada e interessada , menor em número , mas mais ativa em participação, direta ou indireta.  O conjunto de mentiras, destilados sucessivamente , sobre a Petrobrás, a responsabilidade do governo , sempre negada, em relação à catástrofe daquela empresa,  a posição de Lula e Dilma, que tudo negam , entre outros fatos seguidamente divulgados , alimentam o clima de tensão e acrescentam-se à traumatização sucessiva, cotidiana, de nosso povo .Sem contar a questão  do exemplo dado  à sociedade – mentiras, trapalhadas, embustes, jogos de palavras. Esse o complemento    da desmoralizada educação formal.        

          Se nem os privilegiados vivem bem , no Brasil ( veja-se assaltos recentes e numerosos , até em casas suntuosas ,  no Rio de Janeiro , em bairros elegantes, com seguranças e bem localizados ), muito menos os mais pobres. Em favelas cercadas de UPPs, verdadeiros fortes policiais , que transformaram as velhas e quase  inocentes “favelas amarelas” em campos de concentração, tipo nazista , estilo argelino/francês , com entradas e saídas controladas – o que já atinge milhões de pessoas.

         A “elite” da sociedade local , capitaneada por seus aliados estrangeiros ,   sem  conseguir controle social  de forma “natural” , apenas essencialmente ideológica, via mídia , escolas, etc.  – passou a apelar , programadamente(!?) , para  a ilegalidade, violência, desinformação – recursos típicos do estado de exceção , travestido de estado democrático de direito . E , claro , para ampla cobertura idelógica(propaganda, censura disfarçada, uso do aparelho estatal em benefício privado de líderes e partidos).

 

     V -MORTE , MEDO E  INSEGURANÇA 

“Retratos” da sociedade brasileira (século XXI ):

Exemplos – genocídios  disfarçados ;  controle de natalidade radical(quando o Brasil precisaria de maior população, o que não convinha aos EUA ) ;  pms assassinas, torturadoras, intimidadoras (a” tropa de elite” , torturadora, assumidamente, é exemplo disso ) ;  prisões , que são centros de tortura e morte ;  grande mídia , desinformando e contra-informando, controlando , deixando claro que ela cria e desaparece com  fatos e notícias  (não há  “lei de antena”, no Brasil, que proibiria isso ) ; clima de medo e insegurança generalizado na sociedade , por diversas razões e diferentes posturas autoritárias –  (policiais assassinos, bandidos drogados, milicianos, vagabundos de rua com facas e canivetes) ; presídios ,  em que há abusos sexuais, prisões superlotadas (o que é divulgado e mostrado na tv, por imagens, o que é assimilado pelo povo até o mais simples, aumentando o clima de medo e terror ; torturas de prisioneiros por guardas e uns pelos outros  e até jogo de futebol com cabeças decepadas ;  fiscalizações corruptas,  em todos os níveis , cercadas de clima intimidatório e propaganda ;  controle do ir e vir,  por câmeras ; multas dos deptos. de trânsito, por detalhes impossíveis de serem contestados ;  ausência de policiamento, inclusive em lugares turísticos e parques, onde,  repetidamente , ocorrem estupros e assaltos ;  

MAIS –

propaganda maciça de repressão,

ameaças veladas,  da Receita Federal ( pagamentos a serem feitos -imagem de um leão ) ,  de prisões realizadas ,   invasões  de domicílios ,  detenções públicas, com presença da mídia(obviamente avisada ) ,  com algemas (sem necessidade) ; hospitais sem condições, com pacientes em cadeiras , e no corredor, por não haver leitos, enquanto guardas armados coíbem parentes, visitas, e vestem-se de “autoridade”, funcionários tomam atitudes autoritárias ,que visam humilhar , envergonhar doentes e seus acompanhantes, sem recursos ;

presos sem periculosidade filmados, dentro das delegacias, e depois sendo colocados em camburões, algemados, levados por  policiais com o dobro do tamanho deles , com metralhadoras, e colocados nas traseiras das  caminhonetes , olhos baixos, intimidados  (quando das classes inferiores ), o que significa além da pena,  humilhação pública, como fazia-se na Idade Média (só que, no caso, sequer houve julgamentos ou , muito menos , condenações  )  ;

AINDA –

fiscalizações do PROCON e outras, muito mais ameaçadoras e punitivas(multas e interdições)do que educativas ; prisões,  inclusive,  de elementos da elite corrupta com ampla publicidade midiática  (” Se isso acontece com eles, imagine comigo !” – dirá a maior parte do “povão” ), com o objetivo de “mostrar trabalho ” e intimidar a coletividade  – “coibir , prevenir crimes”; etc. A íntimidação atinge a todos , quase o tempo todo,de uma forma ou outra.

          Ninguém , nunca, fora meros momentos alienadores , ou  uso de drogas , ficará descontraído, no Brasil/ 2014 , sentindo-se em liberdade , para começar porque não há garantia de ir e vir , livremente, por exemplo, no Rio de Janeiro, seja dia ou noite. Tentar isso , e desarmado , como exige a lei, vira temeridade ou “loucura” . Garantia de assalto, morte ou sequestro.

              Se observarmos o acima , o que tem-se ? Um conjunto de leis ,  e ações , atos administrativos , aparentemente legais , mas infringindo direitos humanos, inclusive o da dignidade , aplicadas a diferentes situações sociais, e também  medidas administrativas , entre outras, atingindo o dia a dia da sociedade , direitos fundamentais dos cidadãos .Inclusive , aqueles envolvidos em crimes diversos, em tese, mas não julgados sequer , nem condenados , legalmente.

E  tudo capitaneado pelo estado , ações “distribuídas”  por diferentes setores ou classes sociais – alguns cidadãos exibidos , algemados, cabeças cobertas , em delegacias(pessoas de nível social mais baixo )  ; outros,  levados para camburões , algemados, cercados de homens enormes com metralhadoras , acusados de crimes como fraude, lavagem de dinheiro e outros (não violentos, ou feitos com armas nas mãos ), muitos , por certo ,  idosos (nível social mais elevado ) :  observaremos que há um fator comum – gerar  a intimidação da sociedade  , o “medo” (como vimos, das mais importantes , senão a mais importante, “ferramenta” de condicionamento de um grupo social ).

        Entretanto,  não há lembrança do famoso juiz “Lalau “, preso por desfalques milionários na Justiça , mesmo quando já condenado, ser  conduzido nas mesmas condições , num camburão , porta dos fundos . Há lembrança de uma bela casa dele , com jardins, em bairro nobre, onde  cumpria sua pena. Corporativismo do Judiciário, interpretação jurídica, melhores advogados ? A distinção de tratamento é evidente, assim como a imensa publicidade dada a esses casos . O próprio princípio da publicidade, que desdobra-se no da transparência, é aí seguido até o exagero(?!), fora do contexto (?) – conforme a condição social , humilha-se o preso , mesmo que sequer tenha sido julgado. A distorção de interpretações é evidente . A  todo o exposto soma-se o desrespeito ao princípio da igualdade. 

       Como o Estado é discreto, em sentido totalmente contrário ,  no caso do sigilo de Justiça de presidentes, líderes nacionais, parlamentares . Qualquer mínima menção a nomes é logo denunciada , policiais e juízes perseguidos .(Conferir o caso recente do “petrolão”) . Que discrição notável quando da última campanha eleitoral presidencial – o presidente do TSE, Tofolli , mencionava , como exemplo de total “segurança” cerca de trinta técnicos  do tribunal, fechados, isolados, acompanhados até para ir ao banheiro, salas também isoladas , com guardas na porta , tudo para “garantir a honestidade do pleito”.

Ora, o que garante é o contrário . Ou com tantos juízes já condenados, inclusive o “Lalau”, alguém pode confiar nesses trinta técnicos ou em toda a cúpula do Judiciário ? Aquele Judiciário que coonestou ditaduras, torturas, etc. durante a ditadura . E  permitiucasos de processos arquivados, sem julgamento, até prescreverem – Collor deve ser indagado sobre isso.

          Exatamente o oposto  dos princípios constitucionais . O que garantiria  a democracia, transparência, lisura do pleito , seria  , ao contrário, um grande número de pessoas acompanharem todas as etapas da apuração dos votos. E a possibilidade de recurso, com votos impressos , e sempre com conferência, pública , por amostragem, de ao menos 20%(vinte por cento ) das urnas. No Brasil, os princípios democráticos , princípios fundamentais estabelecidos na Constituição,  e até fundamentos constitucionais, aparentemente, tem interpretação estranha  – dá-se publicidade a cidadãos presos, algemados sem necessidade , humilhados, que sequer foram julgados, muito menos condenados( a mídia é convocada , filma, grava, persegue, eles saem quase que correndo dos repórteres )  ;

e oculta-se, de outro lado,  a apuração natural, normal, pública, ampla , que deveria ser feita obrigatoriamente,  de milhões de votos , sob a desculpa de segurança que, como diz Bobbio,  e qualquer pessoa de bom senso , está exatamente no oposto – publicidade, visibilidade.Uma das conquistas (não , no Brasil) da democracia .(“O futuro da democracia”) .

           Eis aí dois exemplos do estado de exceção , em pleno funcionamento. Alguém contestou ? Quem criticou ? No máximo, algum advogado mais independente, que não espera benefícios , a nível jurídico , de qualquer órgão do Estado . Mas, que pode ser, por isso, profissionalmente prejudicado. Ou um jornalista jovem, mais rebelde, não tão preocupado (ainda ?) com a carreira em algum órgão da “grande mídia”. Afinal, tudo deve passar por “filtros” ou “manuais de redação”, que , claro, são bem mais que isso. Na dúvida, consultar Armando Falcão (“Tudo a declarar” ), onde ele conta como fazia isso(pré-censura e censura), sem problemas, não na ditadura , mas no governo de JK. Por meio de dois ou três telefonemas.

          O pretexto óbvio da repressão e falta de transparência  é o “funcionamento normal, civilizado” da sociedade , a ordem , a obediência às leis. Mas, vemos que é o próprio Estado , em hospitais, Justiça, delegacia, ruas, etc. que desordena a sociedade e desobedece aos mais fundamentais princípios da Constituição Brasileira – a começar pelo da dignidade da pessoa humana . Esse estado, em nome da  civilização , ordem, progresso, dizendo representar a sociedade –  reprime-a , de forma violenta  (Cf. Freud , S.) .

      Uma “repressão” exagerada” ,minuciosa (caso da legislação que envolve restaurantes, por exemplo) , por vezes impossível de ser cumprida pelo cidadão, sem prejuízos,  ainda maiores,  em que a lei deixa sempre a possibilidades de sua  aplicação ou não , com  “brechas” , omissões, incompletudes – está aberto o caminho da “interpretação” ou preenchimento das “lacunas” pela autoridade estatal. Ou  seja, sempre uma série de  ambiguidades, incompletudes,  , em muitos casos, de forma a deixar nas mãos da  autoridade estatal a decisão e o destino de outrem, da sociedade inteira .

          MEDO CONSTANTE

           Essa autoridade pode ser  – um simples  policial,  até guarda comum , municipal  , delegado, promotor , juiz, desembargador, ministro, cada um no seu limite -com ampla possibilidade de “interpretação jurídica”, capaz de encerrar o caso antes de começar. Os diversos  “detrans” fecham o cerco e  fazem o mesmo em relação às suas ” interpretações administrativas “, o contraditório obrigatório , a nível administrativo, imposto pela Constituição, transformado, a maioria das vezes, numa sucessão de indeferimentos, sem qualquer fundamentação.

O recorrente acabará por ter que (ser obrigado) recorrer à Justiça , com altos custos e pagamento de custas diversas. Ou baixar a cabeça frente ao autoritarismo , evidentemente que aumentando traumas existentes ou criando novos. Não se trata da “repressão civilizatória” ,de Freud, mas algo que vai muito além . Porque , dentro dos critérios do próprio Freud, a sociedade brasileira tem um baixíssimo nível civilizatório (transportes, abastecimento, beleza, direito, etc.como critérios ). 

         A vítima , na sociedade brasileira , contra a vontade da “autoridade” até mesmo uma escrivã ou atendente de balcão , terá que voltar-se contra o Estado, que a outra representa ,  para tentar prevalecer seu ponto de vista  ou , por vezes, direito subjetivo o mais evidente – mas , independente do que se trate, será , em princípio,  mal vista , maltratada , desde o mais baixo escalão .Num estado ineficiente, corrupto, abarrotado de processos, só essa tentativa de faze-lo funcionar, trabalhar,  já gera antipatia e reação contrária , por óbvios motivos (com exceção de casos famosos, homicídios, quadrilhas ou quando há intervenção da mídia )  .

Trazer  mais trabalho para funcionários,  ou extenuados  de trabalho ou relapsos – em ambos os casos ha  a tendência de  rejeitar , seja lá o que for, no que se refira a mais processos ou investigação ou trabalho  . Assim, tentarão , por vezes , convencer a vítima a esquecer o caso , conformar-se ,  voltar depois, telefonar daqui a quinze dias (quando já mudaram os dias de plantão da escrivã ou atendente ), etc.

         Tal é válido em sentido contrário – no caso de um desafeto,  pessoa antipatizada, “rebelde”   ou que, em certos casos ,  negue-se a pagar “propina”(como, aliás ,  vem alegando  empresários e advogados, no caso do “petrolão” – teriam sido extorquidos ,  pela direção da Petrobrás – isto é, ou pagavam propina ou seriam excluídos das concorrências. Essa posição , infelizmente, tem lógica. Ou paga-se  propina ou paga-se alto preço pela honestidade, recebendo críticas de consultorias , advogados e talvez até da família e amigos: “O Brasil é assim mesmo…Isto é Brasil . Você não tem jogo de cintura, etc.” Novos traumas, estresses , são jogados , de forma absurda, sucessiva e incoerente, pelo Estado não brasileiro sobre os brasileiros.

[ Nota – E aqui fica mais uma questão , que não nos interessa, por ora, aprofundar  – trata-se de um “estado brasileiro” ou de um estado ,há muito dirigido por aliados a interesses estrangeiros, que põe à frente os interesses deles e não o dos brasileiros – dívidas com estrangeiros ; empréstimos do BNDES ; subordinação às normas e regras do FMI e Consenso de Washington , etc.

É válido indagar tal na medida em que Dreifuss(em seu clássico livro, “1964 – a conquista …” afirma que, já  em 1969,  nossas indústrias estavam tomadas por interesses multinacionais ; a dívida pública multiplicou-se , embora maquilada , e o Brasil atual retrocedeu , economicamente, a ponto de voltar a ser mero exportador de matérias primas .

Se acrescentarmos a essas análises o fato da ditadura militar ter sido patrocinada (comprovadamente) pelos EUA e seus serviços secretos, assim como a “distensão lenta e gradual “, de Geisel e Golbery, o chefe da espionagem brasileira, sabidamente ligado a outros órgãos de informação brasileiros e estrangeiros (e quem estava atrás de Golbery?) , poderemos , perfeitamente, entender que esse estado de exceção serve , de longa data , a interesses anti-nacionais, ou seja, a interesses não dos brasileiros – aqui analisados .

          O que seria um fator também básico para entendimento do comportamento desse povo – o Estado não tem qualquer respeito por ele, nem à dignidade de todos , nem de cada um , nem mesmo à sua própria distorcida estrutura política, que caracteriza um estado de exceção , na medida em que , de fato, não é dirigido , nem controlado , por ele. Mas, por prepostos, aliados dos interesses estrangeiros . Essa seria uma situação que produziria alto nível de estresse , na medida em que implicaria em todo um teatro político , propaganda, desinformação ,etc. – na tentativa de ocultar esse fato fundamental ].

                     INTIMIDAÇÃO E  INSEGURANÇA – AMEAÇAS

              Mais um ponto a ser destacado é que as formas de “distribuição social” , distribuição de “cotas de medo “, digamos assim,  feitas por esse Estado , pelas diferentes classes e grupos sociais, em outras palavras , “cotas ”  dessa permanente intimidação (ou  “cotas de multas/dinheiro/medo “,  “ondas de medo, insegurança , temor difuso ” ) , vão atingir seja todos os proprietários de carros, pequenos comerciantes, favelados, elementos já presos – mais  os que pagam imposto de renda, os que transitam pelas ruas,empresários de menor porte e de grande porte , marginalidade, juventude , os que tiram passaporte(podem serem presos,  no ato) , os que vão viajar de avião,  pelo Brasil, os que estão em ônibus com suas bagagens , etc.

              Em resumo , quase todos os setores e classes sociais são atingidos, hoje, no Brasil, não por medidas educativas – mas intimidatórias , capazes de produzir medo  . E esse medo representa  outra vantagem suplementar  para esse Estado –  arrecada mais  multas, taxas, impostos , etc.  . E propinas para seus funcionários, caso as vítimas , os que padecem do poder, queiram minimizar seu sofrimento ,embora correndo certo risco, de alguma denúncia  . Se  negassem-se , aumentariam  mais ainda o valor das multas. 

                     DESARMAMENTO –  A DEFESA IMPOSSÍVEL

 

           Quanto à vida, o bem mais precioso , numa ponta ,  temos a , de fato , impossibilidade de defesa – não é possível a legítima defesa , na medida em que o cidadão não dispõe de armas (a lei é ultra-rígida ) , ou seja, o cidadão desarmado, confuso, induzido a não  defender-se de nada,  pelo próprio Estado, autoridades, campanhas diversas na mídia ; de outro lado, uma polícia corrupta,  e bandidos assumidos, líderes de morros e favelas,  os únicos detentores de armas. A quem o cidadão poderia recorrer, em caso de dificuldade. Acrescente-se as sucessivas declarações de autoridades no sentido que jamais os cidadãos devem reagir. Claro que tal aumenta ainda mais a insegurança deles . São inúmeros os casos de violências e mortes causadas por policiais e autoridades estatais , armadas, frente a cidadãos desarmados, seja no tráfego ou em outras condições .

[ E , por pouco, nem com lei , nem sem lei , o cidadão poderia adquirir sequer  uma arma , pouco potente que fosse, de defesa , pela campanha desencadeada pelas elites e grande mídia , há alguns anos, quando o povo disse Não , por mais de 60%,ao desarmamento geral da população e fim da venda de armas. O  que mostrou grande maturidade, em meio ao clima de carnaval, anti-armas , criado por Ongs , financiadas por recursos estrangeiros e outros , e a maior parte da grande mídia.

Tudo indica que o objetivo era duplo – (a) político, deixar inerme o povo , mais ainda, com o objetivo de controlá-lo ; (b) facilitar a concorrência da indústria de armas americana , com o brasileira, que avançava e mostrava-se forte. Após essa Lei, deve ter levado grande baque . Foi uma campanha “neurótica”, anti-armamentos, com sofismas e jogos de palavras, de todo tipo, desencadeados pelos participantes deste lobby anti-armas ] .

       De qualquer modo , tendo vencido quase que totalmente , no sentido de  coibir o uso de armas e sua compra , essa “campanha de desarmamento “, muito bem financiada ,  contribuiu, inequivocamente, para aumentar a insegurança e o medo geral dos brasileiros de toda parte – em casas, sítios, etc. Além de tudo, a lei, rigorosa, ainda exige sucessivas renovações de registros , exames, taxas, etc. contribuindo para que , até por distração , um chefe de família esteja ao alcance de alguma punição. Durante as manifestações da Copa do Mundo , e de junho/2013, quando o estado de exceção mostrou suas garras repressivas e autoritárias, porque delas precisava , casas foram invadidas de parentes de jovens manifestantes, por vezes , após, tendo sido exibida , orgulhosamente, pela Polícia, uma arma , com registro, mas vencido, prova do “crime” e da periculosidade de todos .

              Essa lei, somada à legislação de trânsito, ( e “interpretação administrativa” dada pelos detrans , de toda parte ) e à legislação (no Rio de Janeiro ) que proíbe qualquer lixo nas ruas , inclusive pequeno papel, sob pena de multas rigorosas, deixa todos os cidadãos à mercê do Estado, de qualquer autoridade .Acrescentando-se a legislação do imposto de renda , que alcança outra parte e os famosos “alvarás” , sempre motivo de escândalo, exigidos de todas as empresas.  

No caso do papelzinho jogado na rua (uma mendiga foi levada para a delegacia e multada , por um papel de bala; o prefeito jogou um papel de bala no chão e, fotografado pela mídia, pagou a multa, demagogicamente) , é um absurdo pela ausência completa de lixeiras em todo o Rio e a sujeira imensa das ruas(águas – nem se fale. Perguntar aos atletas olímpicos) .

Quer dizer, o caos e sujeira são gerais – e tudo depende do “humor” da “autoridade”, no caso um “guarda municipal “(nomeado e escolhido e promovido sabe-se lá como , possivelmente por razões políticas )  – aplicar ou não a lei. Essa situação é típica do estado de exceção , o que melhor carateriza o estado brasileiro – autoritário, corrupto e injusto.

        Todo o referido vai no sentido  do estabelecimento do medo, da insegurança –  técnicas de intimidação , ou , se quiserem, dominação . Que,claro, repercute, assimilada pelos cidadãos .O que será visto por todos quando ele  for chamado a decidir , o que quer que seja , que possa colocá-lo sob  risco.

                A insegurança  começa na impossibilidade  de correta e possível defesa da vida , de defesa administrativa viável  , de dificuldade da defesa jurídica, no fato de estar , sempre , do outro lado,contra o cidadão , às vezes diretamente envolvido  (caso da Justiça Eleitoral) , o Estado , nas condições antes analisadas, envolvido em corrupção, autoritarismo, incompetência – o estado patrimonialista , herdeiro da pior tradição portuguesa.

[ O cidadão está   indefeso, na proporção de sua pobreza  . Se morar numa favela, por exemplo,  nas mãos de traficantes, milicianos ou policiais corruptos –  se tem uma filha,  bonita ,ela poderá ser estuprada ou levada a conviver com quadrilhas ,  e ele morto,se reagir. O pai trabalhador não tem a menor condição de defender-se ou à sua família . E tende a perder o respeito até da filha e da família, se pressionado .

E a indagação seria: como fica o estado mental  de pessoas nesse tipo de situação , ou semelhantes a ela,  o tempo todo , dia a dia  ? No mínimo, numa crise permanente e neurótica  – ou obedece ao traficante, à quadrilha , ao miliciano , abandonando todos os seus valores (religião, família, moral ) , curvando-se a uma situação e talvez ordens absurdas, para ele , (ceder em valores, propriedade)  ou morre , ou sofre vinganças talvez piores que a morte .  Mas, há a polícia , na equação. O que a  dificulta mais – e nada facilita. 

         A insegurança na sociedade brasileira atinge o indivíduo até num simples passeio de carro, ou pelas calçadas , ou praias. De um lado, não tem garantia de sua segurança pessoal , nem do direito de ir e vir. Inúmeros lugares estão-lhe vetados, de dia ou noite , dependendo de seu nível de informação e até sorte . Um erro e poderá morrer ou levar a família a uma tragédia. E,  como vimos , se trata-se de região pobre, ou zona conflagrada , no Rio de Janeiro , por exemplo , (mais de 1500 favelas ) , o risco multiplica-se – e atinge sua rua ou casa .

Pega o cidadão também  dentro de sua própria casa, por outros meios. Se o Estado omite-se quanto à efetiva segurança – e é ativo ao proibir qualquer armamento ao cidadão honesto , com a presteza necessária , é também ativo contra ele caso perca o prazo de renovação de uma carteira de motorista ,  ou arma . Ou atrase o  pagamento do imposto de renda.

         O Estado , autoritário, de exceção (cf. artigo neste site) de um lado investe contra os que padecem do poder via omissão, de outro ação . Nada ensina, informa, colabora – ao contrário .Quanto ao imposto de renda, por exemplo,  idoso ou moço, alfabetizado ou não , para começar tem que comprar um computador, aprender  a usá-lo, pagar  programas – ou contratar alguém para fazer  isso, pagar mais ainda e  perder tempo procurando auxílio, expondo-se a desconhecidos, aumentando seus riscos. Por isso corre dele , e desses impostos, confiando não ser pego . O Estado não se importa com o povo , nada lhe facilita, não tem esses serviços .  Fará alguns “pacotes de bondade”, como diz a mídia, na proximidade de eleições. Depois far-se-á presente para cobrar , tirar , ameaçar , intimidar .

         Ao contrário, se forçado, sempre dará  informações limitadas, porque a ignorância facilita-lhe a cobrança – e a segunda cobrança , a de propina, por parte de seus funcionários. Faltam formulários, o atendimento é ruim. O “cidadão” paga ao estado seus impostos e taxas  e tem problemas até para pagá-los . Quando for pagar sua cota de imposto, não será em qualquer lugar – terá que ser em banco determinado – pelo Estado. Com o qual ele , Estado , tem convênios secretos que ninguém sabe quais são.

             A insegurança e o medo dos cidadãos, em especial quanto ao ESTADO,   não são apenas de castigos físicos, torturas, violência direta. Eles também funcionam, indiretamente, atingindo a vida familiar de cada um , via impostos, taxas , pagamentos , por serviços que ou  fornece muito mal ou nem fornece.  A sociedade é amedrontada por todos os lados e não há controle praticamente algum a essa atividade estatal. Um funcionário de balcão, o mais modesto, sente-se à vontade para dificultar, valorizar sua função , intimidar , adiar, não responder. Mostrar sua importância.

Dificilmente será demitido e , nas paredes da repartição pública , há, geralmente , um cartaz que serve de ameaça ao cidadão :”Desacato- pena …” O Código Penal ali está , à disposição , ao alvitre do funcionário. Que pode interpretar o tom do diálogo ou as palavras do cidadão , por vezes indignado, da maneira que quiser – e poderá causar um sério problema ao outro. O outro,  não a ele. Ele representa, afinal ,   o “Estado Brasileiro” – autoriário, corrupto, corporativista.

                        ESTADO DE EXCEÇÃO VIGENTE

             Paradoxalmente, após mencionarmos o estado brasileiro , um estado de exceção, informal, implícito, anômalo, como disfuncional , o que é natural a ele , podemos assinalar que há um aspecto em que o estado brasileiro mostra-se  funcional, isto é , funciona segundo seus objetivos e programação, segundo inúmeros estudiosos. Objetivos que são alcançados numa proporção que mostra eficácia, isto é, os fins estão sendo atingidos . Trata-se daquela parte que refere-se a autoritarismo, repressão ,  violência – uso da força para impor sua vontade ou o cumprimento da Lei. Quando interessa às “elites” dominantes. Autoritarismo que vai proteger a corrupção , garantindo impunidade a seus executores.

        Isso pode ser demonstrado não só pelo quadro antes  exposto, em que destacamos  a disseminação do medo e da intimidação,  por quase toda a sociedade, como  também por alguns dados  sobre  resultados dessa forma de agir  -por exemplo,  o Brasil detém o maior índice de morte de jovens do mundo ; idem,  quanto ao número de presidiários, isto é, presos, condenados ou não (aliás, a maioria sem condenação ) , em proporção ,  só inferior ao dos EUA;  ao mesmo tempo, mostra péssimos índices educacionais , de uma forma inversamente proporcional . Exatamente na educação que,  em sentido contrário , seria uma das formas de ação  necessárias  para superar a situação enfocada, isto é , o controle social feito , essencialmente, através da disseminação do medo.  Na corrupção também estamos em destaque.

        Tal  confirma-se também na ausência de bom  índice de resultados positivos oriundos de ” condicionamentos sociais normais” , pela educação , ou outros meios, como exemplos, famílias, contatos sociais – eis que o Estado é incapaz de promover , sequer junto com a iniciativa privada , condições para tal . O que implica , em sentido oposto, na cada vez maior disseminação do medo e da violência ,  como forma de controle social , traduzida em  torturas,mortes e prisões . Em que pese normas rebuscadas e o pomposo título de “Estado Democrático de Direito ” .

       Suas escolas , repartições, presídios, delegacias, fiscalizações , etc. são incapazes de recuperar quem quer que seja , tornando-se focos de produção de  mais delinquência ainda, ilícitos , corrupção , mortes e torturas. Fora as exceções que confirmam a regra .

                 ESTADO E VIOLÊNCIA

         O Brasil apresenta os  mais altos índices de  violência e mortes do mundo , só semelhantes a guerras em curso, como a do Iraque, e isso , em especial, através das  polícias militares , sob a justificativa de reação por parte de indivíduos  abordados ou suspeitos . E de milhares de pessoas envolvidas em acidentes de trânsito ,e outros , onde destaca-se ou incompetência dos motoristas ou estradas deterioradas e  má sinalização , havendo outros milhões   respondendo a multas de trânsito, a maioria aplicada por máquinas eletrônicas,  incapazes de captarem  situações especiais.  Os recursos administrativos são praticamente ignorados . O Judiciário fecha-se  , dentro de si mesmo, sem controle popular, o que vai  ocorrer até mesmo com o Supremo Tribunal Federal . E assim, sem controle popular efetivo, base da democracia , o estado de exceção vai adiante, usando o nome de “democrático”.

            Que representa o exposto  ? O controle social desloca-se do ângulo da naturalidade, normalidade (escolas, famílias, aprendizado social ,etc.) para cair num clima de sombras e medo e ameaças, capitaneadas por agentes estatais , policiais e outros. Pior – violência pura e simples, com mortes diárias de policiais e cidadãos , por diferentes meios.

          O Estado , um estado disfuncional, no que se refere à maior parte de suas atribuições,  mostra funcionalidade, embora relativa, porque fora do parâmetro normal , legal (confira-se as  torturas  legitimadas nos filmes “Tropa de Elite”, tendo sidas aplaudidas , em alguns cinemas, quando exibidas ) , apenas no exercício de seu papel repressivo , ainda assim distorcido – cumprir a Lei, segundo o entendimento das autoridades, o que inicia-se no soldado da PM e termina na interpretação jurídica infalível de juízes, alguns ofendidos por ter-lhes sido dito que não são deuses (Caso recente , de uma agente  municipal que multou um juiz, acabando presa e condenada por danos morais) .  

         A violência aparece aplicada sem proporcionalidade , desmedida – torturas, prisões,  que ferem à dignidade humana , Justiça desigual , aplicada conforme os recursos do jurisdicionado e suas possibilidades de contratar defesa  de qualidade.  E é aí que esse estado vai  apresentar alguma funcionalidade – conforme a época (ditadura , 1964 em diante ) ,  abertamente,  como estado terrorista ,  ditatorial ou de exceção ; mais tarde,   travestido de estado democrático , que mantém minimamente coesa a sociedade brasileira,  traumatizada e neurotizada,  a grande mídia como sócia  da empreitada , substituindo condicionamentos educacionais e familiares corroídos .       

              Mas, o Estado é o mesmo – ele , se mudou alguma coisa, foi na superfície. Não foi pressionado para mudar . Saiu da ditadura terrorista para o estado de exceção , travestido de democrático, pelas mesmas mãos que empunharam os instrumentos de tortura , alguns anos antes . Não tem razão alguma para mudar. Ao contrário, seus novos dirigentes, os mesmos ou filhotes políticos dos anteriores, precisam que ele não mude nem perca sua face , agora oculta , de terror – afinal, ele é o fiador da nova ordem e tranquilidade – e da impunidade permanente para seus antigos e novos mentores, entrelaçados quase que por laços familiares, além de outros interesses -econômicos .

               E aí  aparece outra  intrigante  questão –   não será esse estado , construído dessa forma,autoritária, sem respeito às leis  (nas condições acima,  antes expostas) , o  responsável, em essência ,  pela própria crise nacional permanente , pela   neurose social,  destruição , em ritmo  acelerado, dos restos mortais do antigo  estado nacional  brasileiro  e , ainda ,  pelo sofrimento e desmantelamento psicológico , econômico e social de todo um povo – brasileiros ?

              Há uma lógica nessa indagação . Na atualidade ,  um  estado de exceção, cada vez mais desenvolto, que deixa soltos meliantes políticos de alto-bordo , protegidos por autoridades por eles próprios  nomeadas, mas muito  valente perante as classes e camadas  sociais subalternas .  Da mesma forma que, no passado, mostrou-se ativo  na Cabanada , em Canudos, na Revolução Praieira, revoltas populares resolvidas pela violência – sem diálogo .

Nos moldes que por aqui fizeram os navios ingleses , invadindo as baías brasileiras , na perseguição a navios negreiros, impondo a “libertação” dos escravos , a canhonaços. E , durante seus ataques, invadindo casas, queimando barcos e fazendo tudo de pior que pode-se imaginar . Sob silêncio das autoridades brasileiras. Quando, porventura,   havendo pendências com brasileiros, os “bucaneiros” ingleses eram julgados por tribunais ingleses , não por brasileiros – e isto no Brasil,  já “independente”,  do século XIX.

           Esses “bucaneiros”também trabalhavam , no passado, em sentido contrário, a favor da Coroa Portuguesa, levando a Independência Nacional a diversos lugares do Brasil, sempre com canhonaços , assassinatos, invasões de cidades, genocídios. Essa a escola de aprendizado do uso da força pelas tropas a serviço do estado brasileiro .Esses alguns parâmetros para podermos avaliar, passado e presente,  o funcionamento “democrático” da  sociedade brasileira, do qual  seu “estado democrático de direito ” , atual , é herdeiro direto .

Ou seja, utilização de recursos, ou  condicionamentos, deliberadamente programados, os mais violentos possíveis, via canhonaços,  com o objetivo de impor comportamentos – caso da interrupção do tráfico de negros para o Brasil , da Independência , da República, do “golpe democrático” de 1964, da volta posterior(já tomada a economia) à “democracia”  , com anistia ampla – sem punição para criminosos diversos, especialmente os torturadores.

         Claro que todos esses fatos repercutem ,  de forma direta , ou indireta que seja,  em toda a sociedade . Determinam padrões de comportamento , condicionamentos , formas de agir e pensar . Se as pesquisas sobre respeito à autoridade deram o resultado antes exposto, com povos de origem européia , é de imaginar-se os resultados caso fossem feitas com o povo brasileiro .  Ou , em vésperas de eleições, em que as  próprias autoridades estatais, identificadas, e recheadas de símbolos,  apresentam-se como candidatas. 

           Dilma,  candidata, era a  óbvia responsável pelos desvios na Petrobrás , entre outros ilícitos , mas era a Presidente, a dirigente máxima do Estado (autoritário)  –  repetidamente, ela insistia e  assinalava que “mandava na Polícia Federal , que iria apurar  os escândalos , doa a quem doer , que no governo dela é que apurou-se tudo  , etc.”   Óbvias inverdades, mas que representaram ganhos eleitorais. Talvez não porque o povo acreditasse  na distorção dos fatos, mas porque via nela , “falando com autoridade”, alguém que comandava o estado (autoritário) . Assim como o pai, em casa , ou  o pastor , no templo ? 

         As palavras da “presidenta” talvez tivessem outro objetivo,  além de seu próprio “significado”, que distorcia os fatos – segundo provável conselho de seus assessores , identificar-se com o poder do Estado , autoridade, intimidação, medo  . Tanto que ela dava entrevistas no próprio Palácio do Planalto. Mostrava que descia do andar de cima para dar entrevista no andar de baixo  – cafezinho, tudo por conta do Estado. Direcionava suas atitudes para o povão , via tv, mas também para todos os jornalistas e repórteres da mídia presentes. Mostrava sua presença e autoridade.  Ela diferenciava-se : os símbolos de sua autoridade estavam em todos os lugares – até no lugar da entrevista .

       O estado de exceção, sua legislação e a “interpretação jurídica” , sob medida,tornava tudo isso legal  . As pesquisas que vimos atestam a importância e repercussão , entre pessoas comuns, dessa demonstração de autoridade. Que seria transformada em apoio e votos , em muito maior quantidade que os produzidos pelos educados  comportamentos éticos e legais dos candidatos  Aécio e Marina,  afastados  dos símbolos do poder e da  imagem do estado autoritário. Que  , ao invés de significar perda de votos, significa o contrário  .

        Basta observar  que Aécio  vai   avançar , rapidamente, nas pequisas e votos, às vésperas do segundo turno ,   quando passa a  engrossar  a voz , enfrentar a “autoridade “, criticá-la  ,  fortemente, insinuando  e , depois afirmando  , que ela poderia ser derrotada . Ao chamá-la , diversas vezes , de “mentirosa”, uma verdade que, como tantas, “não deveria ser dita”  ,  ele ” desrespeita” a autoridade  , igualando-se a ela, nos debates –  colocando-se em pé de igualdade .

Em resumo, a maior virulência – agressividade – de Aécio ,  nas palavras, atos, frases,  e tom de voz, vão  corresponder a um proporcional  aumento de votação  e maior simpatia popular. O que significa aprovação crescente pelo povo brasileiro, face à ampla publicidade dos debates, via mídia televisiva . A candidata Dilma havia perdido a vantagem de falar, expressar , sozinha, com símbolos, ícones, e no ambiente adequado – sua autoridade :  isto é, a do Estado , autoritário e de exceção, com aquele passado conhecido, parte do imaginário e da memória nacional  . Esta posição  foi desmontada, parcialmente,  pelo adversário , nas poucas oportunidades que teve, nos debates – o que valeu-lhe avançar , na consideração popular .

        Os traumas sofridos , pelo povo brasileiro  , no passado, bem como as violências “traumatizantes”  , do presente,  exercem papel  no controle social, por parte da “elite dominante ” . Um povo doentio , cansado, amedrontado , é mais fåcil de controlar.  Assim usar-se os símbolos de autoridade , a voz mais grossa do representante estatal , seu status , como vimos no caso citado,  e nas pesquisas anteriormente referidas.

Como tudo funciona mal, na sociedade brasileira , em especial quando aparece, mais diretamente, a presença do Estado (com sua corrupta e patrimonialista burocracia ) (Faoro, R.”Os donos do poder “) ,  um ” Estado disfuncional” , repita-se ( e não poderia ser diferente, desde que estado de exceção) ,embora haja forte  controle social , aperfeiçoado  pela intimidação e recursos psico-sociais como os citados,  a crise continua  generalizada ,  eis que é profunda, com raízes que vão longe, chegando  à economia , à má administração , às dívidas interna e externa . 

        Mas,  crise  disfarçada e escondida , maquilada , mesmo atualmente, quando já reconhecida como tal  – minimizada  ao máximo que consegue a “elite dominante ” ,em especial auxiliada pela grande mídia “blindadora “[cadeias de tv, as únicas que atingem o povo mais carente,( aquele em maior número e mais importante em eleições)  , com seus “tapumes” de publicidade, desinformação, contrainformação e demagogia( aliás,  “demagogia midiática”, que  já existe, com pretensões de dar ao povo brasileiro diretrizes políticas, via editoriais, “Carta ao leitor”,etc. ) ] . Tanto que essa crise grandiosa, hoje admitida por todos , vem de longos anos e só foi desmascarada por alguns milhões de jovens , nas ruas, em junho/2013, aos gritos metafóricos de que “o rei está nu! ” .

          Ou seja, tudo no Brasil funcionava mal, há  tempos,  e estava sendo ocultado ou disfarçado –  transportes, hospitais, polícias, órgãos públicos .E , além disso,  a irresponsabilidade era total(gastos enormes e corrução com futebol, Copa do Mundo , entre outros )  . Exatamente ao contrário do que apregoavam os grandes líderes nacionais, Dilma e Lula à frente, seguidos de Renan , Collor, Sarney, Barbalho e outros .

        Isso ocorria enquanto, de fato ,  milhares de brasileiros  morriam nos hospitais, por falta de recursos , e outros milhares viviam os horrores dos presídios brasileiros, Lula e Dilma liderando , seguidos de diversos governadores e prefeitos, a construírem  estádios , desperdiçarem  verbas , chegando a oferecerem  vantagens únicas no mundo aos dirigentes da FIFA – isenções até  de impostos , inclusive não solicitados por ela , mas  aprovados pela dócil  maioria governamental no Congresso Nacional .

Uma vergonha  a nível mundial ,mais uma entre tantas , em que acabou transformada a Copa do Mundo-2014, apresentada por Dilma e Lula, cinicamente,  como a “Copa das Copas”, em meio a repressão e prisões ilegais, para poder levá-la até o final melancólico. 

               TRAUMA , JUSTIÇA, ESTADO DE EXCEÇÃO

       Sem contar o ridículo resultado do jogo Brasil versus Alemanha, em que o Brasil foi derrotado por 7 a 1 – um time pretensioso,  sem fibra, intimidado, acovardado pela pressão popular, nacional e mundial, e pela responsabilidade , quando a Alemanha não ganhou de mais ainda , claramente, porque não quis .

[Fato revelador de aspectos psicológicos, traumas, incapacidade de suportar pressões, o que vai ao encontro da postura passiva do povo , quando de violências econômicas , caso do “mensalão”, “petrolão” , entre outros,  sempre poupadas as autoridades e responsáveis máximos (caso de Dilma, Lula e outros políticos). Sendo as acusações contra eles, seus depoimentos, interrogatórios, indiciamentos,  adiados ou não realizados – no mínimo propiciando tempo para destruição de provas, formulação de defesas , pressão sobre depoentes. Sob os olhos complacentes do povo brasileiro ].

     É fato internacionalmente sabido que as 48 horas depois da descoberta de um delito são fundamentais para sua solução. No Brasil, são deixados correrem meses para só depois interrogarem, acusarem, indiciarem políticos ou autoridades importantes .  O que também dá tempo para aplacar a fúria da opinião pública, o cansaço da mídia, o aparecimento de fatos novos capazes de desviarem a atenção dos crimes dos administradores máximos do país. (O que ocorre no atual caso do “petrolão”, propinas na Petrobrás, em que Lula e Dilma estão claramente envolvidos . Mas, o MP só pensa indiciar os “os políticos” em fevereiro do ano que vem. 

         É uma tática de defesa , feita ou programada, seja pelos próprios dirigentes máximos do país (via suas assessorias e advogados) , seja  pelo MP ,  STF, TCU , etc. ,visando poupar essas  autoridades . Recurso absolutamente evidente – mas repetido, dando seguidos resultados positivos no sentido de poupar responsabilidades daquelas autoridades. E , logicamente,  há intencionalidade, face ao antes exposto .

         Mais um traço marcante do estado de exceção , que não se apresenta formalmente como tal, muito ao contrário . Cumpre seu papel e dilui-se, disfarça-se como estado democrático de direito , escondendo-se em meio a milhares de normas e da Constituição,  formalmente  democrática . [ Nem  esta  é , no Brasil ,  sequer, essencialmente democrática (basta ver as medidas provisórias, presidencialismo de coalizão , STF fora controle popular, assim como a Justiça em geral) , caso do TSE , em relação ao qual o cidadão não tem alternativa outra a que recorrer  ].

          Por tudo isso, Dilma/Lula/PT  venceram as últimas  eleições , somando-se  a tal esperto marketing , recursos em profusão (psico-sociais e financeiros, incluindo a mídia oficial e a grande mídia privada  ) e , ainda ,  as urnas eletrônicas infalíveis, dirigidas e controladas pela  Justiça própria ao estado de exceção brasileiro, como tentamos expor . O povo traumatizado , acostumado a curvar-se à autoridade , induzido também por outras” ferramentas” , como listamos (inclusive, em especial , a “caridade pública”, no caso a “caridade estatal” , substituindo aquela “caridade  privada”  , antiga, velha ,  em que troca/compra  de votos era  proibida por lei ).

      Agora,  a “compra de votos” , via indireta, uma troca , é incentivada e apropriada pelos detentores do poder político central, diretamente e em público , uma apropriação privada da assistência social estatal, por partidos e candidatos , via recursos vários (inaugurações, nomes em placas, induções, distribuição de casas e tratores , até utensílios domésticos , diretamente (o que fez Dilma) .Um absurdo, sem controle , do qual nem a “oposição” reclama com veemência .(Significaria conivência, algum tipo de acordo, ou a pretensão de usar do mesmo recurso adiante ?).

       Nessas condições , um candidato apoiado nessa máquina estatal só poderá ser derrotado no caso de uma grande avalanche de votos contråria, incapaz de ser detida por tais manipulações ou mesmo pela urna eletrônica(?) .(O que aconteceu com Lula da Silva , em 2002. Em compensação ,ele  já estava , previamente cooptado  pelas idéias opostas às que defendia , tendo chegado a assinar a famosa e tão referida “Carta aos Brasileiros”/2002). 

     MILITARIZAÇÃO  ; NOVOS “CURRAIS” ELEITORAIS ?

        Agora , a compra e troca de  votos é feita sob  direção desses dirigentes estatais , líderes políticos populistas e neoliberais  , à frente , capitalizando “benesses” dadas a eleitores com  recursos públicos , da própria sociedade, ilegais, mas  entendidas,  por grandes parcelas do povo,  como resultado da “bondosa “ação desses “líderes populares”. Quanto à ilegalidade, isso não é problema no estado de exceção .

Basta rápida interpretação jurídica feita por  algum tribunal. Quanto ao “estelionato”eleitoral contra o povo, sempre  é considerado coisa pequena  – o povo  prefere acreditar nos líderes populistas” estatais” , isso  é melhor para ele, traz vantagens e retira riscos  – afinal , Lula da Silva fez muito pior ao assinar a “Carta aos Brasileiros”, de 2002, e , mais tarde,ao  chefiar o “mensalão”. Ainda assim, por uma razão ou outra (algumas acima expostas )não  foi eleito e reeleito?  

         Nesse contexto , quanto mais pobre e indefeso  o cidadão, mais sofrerá, confundido e manipulado    – e esse eleitorado mais pobre constitui-se  na maior parcela do  povo brasileiro(que alguns vem chamando de “classe C ou D”, o que tentamos evitar , pela dubiedade  que envolve tais conceitos .Povo brasileiro ,  traumatizado e manipulado, como visto , no passado e no presente. O “curral eleitoral ” agora é oficial – estatal . Dentaduras e notas cortadas ao meio foram substituídas por cartões eletrônicos e bolsas de alimentação – totalmente legais  . O Coronel do interior foi substituído pelo Presidente . Ou Presidenta . Os jagunços e capangas  pelas polícias militares e forças armadas – se preciso.Agora, escondidos nos quartéis .  

A força do novo Coronel, seus métodos , seu poder , agora é muito maior . A Casa Grande virou Palácio . O Coronel virou Presidente. E , dando respaldo a ele,  não há mais um presidente fraco, tipo Campos Sales , de  um país de quinto plano , todo atrapalhado. Quem está por trás  do novo Coronel , agora Presidente do Brasil , é a maior força econômica e política do mundo – o bloco neoliberal mundial, chefiado pelos EUA. Não é pouca coisa – e grande parte do povo entende isso, a começar pela “elite dominante local”. Qual das frações neoliberais terá a preferência dele ? Provavelmente, aquela vencedora , apesar dos pesares e disfarces “esquerdistas”. Afinal , cumprindo seu papel , ele apoiou todas.É só conferir os recursos fornecidos na Justiça Eleitoral. Embora haja um “caixa”2 , é claro.

         Quanto à intimidação  popular,  direta e local , expressão de todo o exposto , o outro lado da “caridade estatal” que substituiu a “caridade privada”  ,temos , por exemplo , entre outros casos , e novidades  , as  UPPs ( Unidades de Polícia Pacificadora) (?!) , uma contradição,  no próprio nome, instaladas no Rio de Janeiro,  que  representam avanço naquele sentido intimidatório  – o cerco e militarização das favelas , áreas  pobres e perigosas para a “elite dominante”  . Aliás, elas já  passaram, desde algum tempo ,  a fazerem  parte desse processo de militarização em curso ,  violento e traumático, presente em nossos dias, hoje , como no passado. Fecham quadro lamentável, pela forma como vêm atuando, violenta , torturadora, levando para próximo da população pobre a guerra civil , agora à porta de suas casas , no caso do Rio de Janeiro.

        Todos os dias morrem inúmeros “malfeitores”(?!) e cidadãos comuns  , junto a essas UPPs , mas também  pms , assassinados a tiros de revólver  , em “justiçamentos” , por  armas de longo alcance . Terão sido “essas unidades pacificadoras”  programadas apenas para combaterem alguns marginais, ou o objetivo seria outro ? Avançar no sentido de intimidação coletiva da sociedade ,  com  criação de mais medo ainda  (usam até tanques e carros blindados, nessas áreas militarizadas, controlando diretamente a população ) , nos lugares considerados perigosos, cheios de rebeldes, embora  sem conscência política?

         Talvez . Porque a “elite dominante”, frente ao exposto anteriormente,  e ao que vem ocorrendo, no dia a dia (tiroteios, verdadeira guerra civil não declarada) parece insegura . O cerco às camadas mais pobres da população , potencialmente aquelas mais propícias a desenvolverem consciências rebeldes, mesmo que  despolitizadas ,  pode fazer parte de projeto maior , vindo do alto da burocracia militar (comandos militares, ligados a mentores estrangeiros) , visando prevenir situação social calamitosa , talvez  já detectada por eles  –  e a curto prazo.

De qualquer modo, como todas as ações importantes  do “poder”  , elas são sempre “conspiratórias”  (feitas nas sombras) – seus objetivos reais escondidos por simulações, tapumes e máscaras . O povo jamais as conhecerá ; seus autores jamais o admitirão .

           TRANSPARÊNCIA E PUBLICIDADE

       A tarefa dos interessados numa efetiva democracia é desnudar  fatos que estão  escondidos , dar-lhes transparência, tirar esses  tipos de planos das sombras . Tais hipóteses  coadunam-se com o estado de exceção existente e com a crise social  crescente – sem aparentes saídas ,  que beneficiem o povo brasileiro. O que Dilma, Lula e cia . podem fazer é ganhar tempo histórico, com empréstimos, ajustes fiscais e arrochos (salariais ) , diretos e indiretos , além de mostrarem-se receptivos aos  investimentos estrangeiros, à custa dos juros mais altos do mundo , o que já fazem de longa data . Isso além de comportarem-se “melhor ” em relação a seus mentores estrangeiros . Engolirem “sapos “, humilhações, com elegância. Estão limitados pela política neoliberal.

        Face à crise, terão que ceder mais ainda a eles, tornando mais dependente o país . Se é que isso é possível.  Outra  alternativa seria apenas para líderes , de fato, dispostos a enfrentarem resistências às mudanças efetivas necessárias –  um caos social provocado pelos conservadores. Ora, são aliados e sustentados por eles.  Não  têm condições para isso , nem há  alternativas , no momento. Jogaram-se nesse abismo de longa data. Daí a entrega da direção da economia nas mãos de Joaquim Levy, homem que até a pouco trabalhava na campanha de Aécio Neves,  alto dirigente do Bradesco, antigo colaborador do FMI e dos mercados os mais conservadores .

O mesmo que foi feito , anos atrás, por Lula da Silva , em relação a Henrique Meirelles, com os resultados que hoje conhecemos. Trata-se da continuidade das administrações Lula/Dilma e  FHC – a economia brasileira mais uma vez entregue à elite política brasileira , corrupta e incompetente, subordinada a interesses estrangeiros – sem  importar qualidade técnica – com os bônus da Petrobrás delapidada. Como o resto da economia e da sociedade. Terão, pois,  como única alternativa ganhar  tempo, pedirem empréstimos , mentirem , cinicamente – como já vêm fazendo . E é claro-  isso repercutirá no povo  brasileiro.

         Como visto , muitos fatores indicam  que há todo um “esquema” delineado e percebível  , talvez sofisticado , que pode beneficiar ,  especialmente , os candidatos que contarem com recursos , o aparato estatal e a grande mídia  para implementá-lo , esquema singular e quase imbatível . No caso,  foi e é beneficiada a fração neoliberal lulista. De qualquer modo, ela ou outra , com tal esquemas,no poder , sempre uma fração política neoliberal .

            Levantamos questões, caminhos, indagações – hipóteses .E ousamos análises . Novos dados e análises , prosseguindo , adiante , sobre esses traumas e os recursos psico-sociais , meios que, aparentemente, têm sido usados , no Brasil , via Estado e aliados , pelas “elites”  , para a manutenção dessa mínima coesão , ainda existente,na sociedade. ( Cf. a continuação (II) e os trabalhos  “Estado de exceção “, “Tropa de elite “e outros , relativos a esse tema –  sociedade brasileira – neste site).

(CONTINUA .Fim da parte UM).(*)

 

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(*)Continua- DOIS (II) :

(partes – VI- A risada dos culpados ; VII– Memória nacional e coletiva ; VIII -Tortura e sintoma social ; Conclusão-  um “povo”(ainda) sobrevivente ). (Confira neste blog, eB d

(**)  caminhandojornal.com/blog/2013/12/08/brasileiros-um-povo-traumatizado-e-manipuladoii/

ADENDO 

 

       TRAUMAS POPULARES –

      TEMA COMPLEXO, ABORDAGEM ARRISCADA 

           Essa questão é importante – forma de abordagem de um tema.No caso, certo fato social. Ela desdobra-se em outras . Durante um tempo,  falava-se muito, no meio acadêmico brasileiro ,  em estudos “interdisciplinares” . Noção depois minimizada, até pelas dificuldades  em implantá-los  – no Brasil- desde que, em princípio, envolve equipes, com custos elevados  .Ou seja, estudos de certos fatos sociais, sociedades em geral , e outros , que exigem  , da parte dos estudiosos ,  troca grande de informações  (equipes) ou uma formação individual, muitos aperfeiçoada, difícil de ser conseguida , pelos  estudiosos , formação que incluiria  política-direito-ciências sociais-história  e até psicanálise (filosofia ) freudiana, entre outras disciplinas .
          Trata-se de projeto  caro e difícil de ser implementado , no Brasil, por motivos óbvios. Além disso, há uma questão política – não há interesse em pesquisas nesse sentido, que “desnudem” , por exemplo, a realidade brasileira atual , e  o que ocorreu nos últimos 50 anos, que explicariam-na . Nem interesse da elite local ,  e muito menos da estrangeira, a qual a primeira é aliada/subordinada, nesse tipo de estudos . Numa sociedade , em  crise grave , como o Brasil, a análise do passado repercute no presente.  Porque, na verdade, fora “corte”,  epistmológico, com o objetivo de melhores sínteses e estudos parciais, não se trata nunca , no caso de uma sociedade , de buscar-se “isolamento” de um fenômeno , no tempo e espaço, o que dificultaria seu  estudo. Há um processo em andamento , na economia e política, e a ação dos homens (política) influi nele – aumentam as dificuldades. Há, na realidade ,  uma estrutura jurídico-política a ser compreendida, em dado espaço  e tempo – ela reflete , parcialmente,o que passa-se , na economia e política. Um fenômeno -ou vários, um “sistema” – que envolve fatos, normas, valores e determinados fins , “incrustado” , temporalmente , numa certa sociedade , por exemplo.Importante para  entender-se  o contexto social . Não havendo “ferramentas” teóricas e conceituais para tal entendimento, que envolve mudanças que estão ocorrendo , sucessivamente , um processo ,  em busca determinados objetivos (um “projeto “em andamento, buscando certos fins  ),  tende-se a uma visão fracionada e incompleta do que tenta-se estudar. Daí a necessidade de abordagem,  sob diferentes ângulos . 
  ESSES TEMAS NÃO INTERESSAM ÀS “ELITES DOMINANTES” 
                   A par disso, há uma”ideologia dominante” que luta , deliberadamente, contra tais esclarecimentos – dificulta  bibliografias , estudos, ângulos desses estudos, pesquisas, financiamentos(até oculta-os ) . Porque- repita-se – tal não interessa aos detentores do poder político. Ao contrário, isso pode prejudicá-los . Por exemplo, na sociedade brasileira atual, 2014  , envolta numa crise de  profundidade , por razões que entendemos já podem ser determinadas (e têm suas origens remotas na década 40, com os projetos hegemônicos mundiais dos EUA, em fase de implementação na América Latina , apressados pela segunda guerra mundial e pela influência da Alemanha,  no Brasil, em especial no meio militar, chegando até a época de  Vargas e Goes Monteiro  ) ,  só estudos históricos ( convencionais ), para  o entendimento dessas situações, atuais, não se mostram  suficientes.
               Não há como  entender a atual crise brasileira sem outros enfoques – esse entendimento depende de levantamento histórico (via bibliografia, depoimentos, etc. não convencionais) , conhecimentos filosóficos,  jurídicos,  de política , sociologia,economia . Um exemplo – o entendimento do que é o “estado de exceção”, da questão da divisão de poderes (na atualidade) , do “sistema presidencialista”, ou parlamentarista, da invenção brasileira adaptada do “presidencialismo de coalizão”, entre outros conceitos “jurídicos”. Que são fundamentais para entender-se  o que ocorreu e ocorre , no Brasil. O direito tem sido muito utilizado como uma ferramenta de condicionamento social e também para alcançar certos fins. Sem esse conhecimento, historiadores não se mostrarão capazes de entender, em “conjunto “, como um “sistema”,  o que hoje ocorre , no Brasil, o que inclui até a  utilização de métodos dedutivos, eis que certas questões jamais serão admitidas pelos “donos do poder”, muito menos do poder mundial  – pelas consequências que causariam. As provas serão  sempre escondidas ou destruídas. As testemunhas subornadas ou assassinadas.[Não há exagero – p.e. , os dois Kennedys , Luther King (EUA) ; prefeitos Celso Daniel, Toninho e outros(PT), no Brasil.  ].
                   AÇÃO CONSPIRATÓRIA, RECURSO DO “PODER”  – HÁ SÉCULOS 
           Porque para produzir o que ocorreu no Brasil, nas últimas décadas ( e defendemos, sim,  a tese que foi um projeto bem articulado ), provavelmente,  foram utilizadas desde  “ferramentas psico-sociais”, técnicas de motivação”, cooptação por via política e pela violência de líderes nacionais , “construção” gradativa de lideranças, corrupção do sistema político e eleitoral brasileiro (incluindo as urnas eletrônicas ) , injeção de enormes recursos financeiros, em especial da “grande mídia”, etc. Além , é claro, de mortes, assassinatos , torturas (na ditadura, que serviram para “virar” lideranças políticas , quando não liquidaram-nas de vez, fatos comprovados  )- o período terrorista  , que chegou quase às eleições de 1982 .
[ Antes , o PCB, pacifista, desarmado , foi  dizimado pelos serviços de informação da ditadura militar, ordens de Geisel/Golbery, enquanto pregavam a “distensão política “.Julgavam-no ainda perigoso e não queriam entrar na “democracia ” , antes dessa chacina . (Cf. O Globo, 24-11-2014) ] , entre outras. 
          Teoria conspiratória ? Sim, exatamente – precisamente. A Grande História é sempre um conjunto de conjuras, conspirações, simulações. E essa acusação “teoria conspiratória”) é feita sempre  pelos que sabem o que ocorreu, ou está ocorrendo , conhecem a conspiração mencionada  (ou “conspirações”)  e querem deslegitimar aqueles que percebem , ao menos , parte do que está em execução . (Cf. neste site, “Estado de exceção “) . A “conspiração” é inerente ao poder, como a simulação , a mentira, o engano , o assassinato , a tortura . (Cf. Bobbio, mais uma vez – “O futuro da democracia “).  Esse é um ponto fundamental que tem limitado o entendimento do que ocorreu , nas últimas décadas , e o que ocorre,   no Brasil/2014 . A tarefa dos estudiosos independentes é perseguir a transparência.
                   O BRASIL FOI E É IMPORTANTE PARA OS EUA 
               O Brasil foi  – e ainda é – um país importante dentro da estratégia americana – o crescimento de um concorrente , nas Américas, ainda que em segundo plano, era  e é altamente inconveniente.  Um concorrente com ideologia anti-americana, ou socialista, ou comunista , ou até “nacional desenvolvimentista “, nem se fale.Foi , por isso , via lideranças ainda nacionais , combatido, sorrateiramente, de todas as formas – controle de natalidade, domínio dos serviços secretos , influência no meio militar , sabotagem às indústrias nacionais , corrupção utilizada como arma política .  
Daí, uma série de consequências , inclusive no que se refere a dificuldades para estudar , de forma coerente e conjunta, o que ocorreu e ocorre  no Brasil – um país que decolava com uma indústria nacional promissora, apoiada no estado, ter retrocedido a ponto de tornar-se , 50 anos depois(?!), da “revolução redentora” democrática(1964) , um país simples produtor de matérias primas e importador de produtos industrializados(como vários estudos mostram, J.Petras, inequivocamente, de forma simples, não tendo sido desmentido por qualquer economista , com ou sem renome, de forma séria ).  
E ainda um país  com enorme dívida pública, dívidas com credores internacionais, com a infra-estrutura depauperada(transportes, portos, estradas , lagoas, energia, água )  , educação em plano ridículo (quando é imprescindível mão de obra qualificada para qualquer pretensão de industrialização e desenvolvimento  ) , mantendo a paz social a preço de ações lamentáveis como as anteriormente  enumeradas.(violência generalizada, ameaças, etc. ) .
            Quanto ao plano estratégico, “grande estratégia” , dos EUA ,  que existe, embora,  naturalmente , os próprios EUA não detalhem exemplos específicos,  em relação a cada país, há inúmeros livros.(De passagem, mas com boa síntese, ver Mir, L. , “A revolução impossível”. Com detalhes maiores ,   “O estado militarista”, de Cook . ) . Nosso objetivo, nessas notas, não é  esse tema. É mostrar as dificuldades postas a quem pretenda estudar, sem mistificações ou concessões,  o que vem ocorrendo no Brasil, na atualidade  . Quanto aos pesquisadores estrangeiros, em especial americanos, tinham e têm todas as condições de efetuarem os estudos interdisciplinares acima referidos . E é evidente que fizeram-nos, há muito tempo .
            Esse plano estrangeiro  , plenamente vitorioso, empregado no Brasil, tenha o nome “Projeto Brasil/EUA”, ou outro , e a mostra de como chegou  ao Brasil , quando de sua parte mais importante (intervenção direta , armada ,se necessário )  estão ” carimbados” , com reconhecimento de firma , por autenticidade, tanto no “golpe de 1964″(mais que só um golpe – uma contra-revolução antidemocrática e antinacional – inúmeros livros; cf. neste site) como na”anistia”, distorcida e manipulada e na “lenta e gradual ” – e inteligente – distensão política,  proposta pela dupla Geisel-Golbery, apoiada em  estudos de mestres estrangeiros .
                 Confira-se a presença do sociólogo Samuel Huntington, no Brasil, dando “seminários” , nos palácios governamentais, para os generais,  responsáveis pela ditadura terrorista – mostrava-lhes  a necessidade de “abertura política controlada ” e “democracia”(essa que aí está ) , após a “limpeza” do terreno”, nome usado para chacinas de militantes políticos, caso da Lapa (PC do B , 1976) e , depois , do PCB (1979) . O militarismo serve para a tomada de meios de produção e mercados , abrindo caminhos para acumulação de capital(Rosa Luxemburgo) . Mas , depois , é preciso “democracia” para comercialização e estímulos ao  consumo .
O projeto , do que sabe-se , foi capaz de levar ao golpe de  1964 e,  ainda , à “abertura”,  a partir de 1980(porque,  em 1979, a “ditadura militar ” ainda prendia e torturava) .Por aí , pode-se calcular seus tentáculos políticos. E , evidente,  o projeto não terminou aí , desdobrando-se até nossos dias . Atualmente busca irreversível consolidação, o Brasil já tendo voltado a ser mero produtor de matérias primas, endividado, sem tecnologia própria, ou  infraestrutura , paraíso de multinacionais, com sede no exterior – insista-se. 

Leia também

http://caminhandojornal.com/blog/2013/12/08/brasileiros-um-povo-traumatizado-e-manipuladoii/

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(Original não revisado, o que não impede o entendimento).

 

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