Desmamando as Elites

Fev 24, 2016 por

Desmamando as Elites

DESMAMANDO AS ELITES

              *Travessia: oportunidade para uma  troca de gerações *

                                                  Apresentação

     Caminhandojornal.com nunca pretendeu ser apenas um site “político”.  Buscou variar com artigos sobre saúde, cultura, literatura , ficção, poesia ,esporte, entre outros . Até porque  entendemos política , em sentido amplo – reflete-se e está  em  todos os campos da sociedade. [Quem pesquisar o blog notará – poesias, contos, literatura , comentários ,esporte , futebol ,  Flamengo  Barcelona ,Carnaval].

        Pretendia-se  sempre discutir temas maiores , o futuro do país, projetos de nação , propostas, diferenças ideológicas, etc. Mas ,  a tragédia brasileira assumiu um caráter imediatista – crises diárias, crimes, assassinatos, manifestações , corrupção e violência desbragadas .

        Até absurda Copa do Mundo(2014) e Olimpíadas , o Brasil ridículo, altas lideranças envolvidas em corrupção . Queda  de presidente, inflação, corrupção desenfreada, crimes de Lula, Dirceu , PT , Dilma, depois, e antes, Temer , Aécio, etc. Envolvimento de diversas frações políticas nos crimes , todas ligadas entre si e aos interesses”neoliberais “.

       [MANIFESTAÇÕES EM BRASÍLIA(FOTOS ANEXAS ) COM PEDIDO DE TROPAS FEDERAIS -24-5/HORÁRIO DE TRABALHO.  Nesse exato momento , grupos mascarados caminham pela Esplanada dos Ministérios e  jogam pedras  na Polícia Militar , em Brasília, depredando alguns prédios públicos  – gritam “fora Temer” e pedem a  interrupção das reformas (as mesmas  pregadas antes por Lula e Dilma , que , por suas contradições, mascarados de esquerda , mal puderam levá-las adiante. Agora, por demagogia,  claro, são contra … Crise contínua , origens que vêm de longe – regime terrorista militar e sua “democracia golberyana”. ]

          Protestos com razão .Temer cheio de  pose , mas cínico e sem ética, exato como Lula e Dilma,  chegou a reunir-se com corruptos da JBS no porão do Palácio de residência , às 11 horas da noite, acertando propinas e obstrução da Justiça, igual  ao que fizeram Lula , Dilma  e outros, denúncia do líder do PT, então, Delcídio Amaral . Mas, todos ou  quase todos ,  como Joesley Batista(JBS), soltos e felizes ,  o último curtindo  seu dinheiro  nos EUA , quando o lugar deles seria no presídio de Bangu, como bem lembra Aylê-Salassiê .         Resultado de imagem para protestos 24/05 em brasilia

   Daí, neste espaço , faltam as poesias belas de um Emil de Castro, Marilza , Ivonete ,  contos  de um  Borsatto e  Pazelli , artigos sobre saúde de Ana  Lúcia Lima – a ficarem em segundo plano. O caos do dia a dia, bombas nesse momento contra manifestantes e tentativa de invasão do Congresso , o Braz$l Província de Ianni, ou Protetorado dos EUA  , de Unger , que arde, o povo desorientado , elites corruptas escondidas ganhando tempo, só o Império rindo – que vitórias, menos um pretensioso concorrente por aqui. Tudo isso impele a tratar-se de política e a do dia a dia,  neurotizante e repetida , a de um país encurralado e traído .

        Temer, como Lula e Dilma, nega-se a renunciar –  o mesmo caráter, política , despreocupação , igual à da dupla,  com os prejuízos causados ao povo brasileiro,  que cada vez mais os vê todos  como “farinhas do mesmo saco”, no caso “neoliberal” e antidemocrático , espocando aqui e ali cartazes patéticos e simples  com um “fora todos”, que vai-se tornando mais  inteligível.

       Por isso, o artigo , como sempre elegante, de Salassiê , mostrando que as “elites’ não apontam  projeto de Nação , futuro ,programas ,  nada – o que acabará por implicar , por certo,  em “rupturas”. O experiente jornalista: “O Judiciário está tomado pelo  nepotismo , o Legislativo pelo filhotismo , o Executivo pelo chantagismo e a sociedade enganada pelos crápulas .Tudo caixa 2,   alguns em espécie ! Num país sério Joesley estaria em Bangu, seus interlocutores  também.”

        Está certo .Como esperar até  2018 ? Os escândalos vão continuar ou terão que serem colocados (como é  tradição por aqui ) sob os tapetes rotos e sujos do STF . E , note-se, nem se abriu a  caixa preta do BNDES ou a  das tais “urnas eletrônicas” (para aqui  trazidas por militares, Golbery à frente, RJ,1982 , escândalo do “Pró-consult”) e nem dos crimes de membros do Judiciário . (Basta ver denúncias do Estado de São Paulo e acusações diversas , além das menções do historiador Villa).  Por isso ,  vimos pregando “Constituinte Já “, na  linha de Carvalhosa, Paes Leme  e outros, debate racional, plebiscitos, discussões – ao invés de precipitadas reformas e eleições com urnas eletrônicas inconfiáveis (à espera  de  escândalos sem censura prévia, como têm ocorrido, no caso  – cf. ex-parlamentar Protógenes Queiroz, lateral , tela  inicial ).

             Salassiê é o  jornalista ponderado que luta pela “autonomia”com “responsabilidade social , compromisso e  ética”,  que respeita “as diferenças de cultura e opinião”(apresentação em recente livro – “Codinome Beija-flor”).  “Rupturas”(por sinal , nome de um original livro seu ) , hoje, têm razão de serem previstas . De fato, como sair-se  da situação brasileira  atual, sem elas  ?
Uma saída via remendos legais   feitos por corruptos , contestados por outros corruptos e réus, em instituições esfarrapadas e corrompidas e ainda  sob ruas com povo espancado ,  pedras e bombas?  O que  , neste momento, ocorre em Brasília e outras capitais,  com pedidos de impeachment de Temer pela OAB,  depredações e pancadaria ,  em pleno dia de semana /horário de trabalho . A crise da Província Braz$l (Ianni) aprofunda-se .

             Caminhandojornal.com , por tudo isso, tem proposto , como outros , o menos ruim e mais racional caminho, não uma  solução  – “Constituinte Já”.      

                                                                                                                                        Caminhandojornal.com/redação

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      Travessia: Oportunidade Para Uma Troca De Gerações

                                                                                                               Aylê-Salassié F. Quintão*

     

                “O Hospital Regional de Sorriso, no Mato Grosso, está fechando as portas”, anunciou ontem, chorando, pela internet, o dr. Roberto Satoshu (30 anos de medicina), denunciando a falta de oxigênio, de remédios, de alimentação para os pacientes e pagamento para os médicos. Os internos começam a ser transferidos para outras unidades. Alguns tentam resistir. Contudo mais dois a três dias ali, e começariam a morrer por falta também de oxigênio na UTI e para a UTI neonatal. “Nunca antes neste País”… Não só fomos rebaixados, mas estamos também sendo ridicularizados. A política, a politicagem e o roubo dos cofres públicos tornaram-se explícitos  . Olhem no que deu: aos poucos, perde-se a confiança da própria população.

          O Judiciário está tomado pelo nepotismo, o Legislativo pelo filhotismo, o Executivo pelo chantagismo e a sociedade enganada pelos crápulas. Tudo caixa dois, alguns em espécie! Num país sério, Joesley da JBS  estaria em Bangu. Não em Nova York. Seus interlocutores também. O País não cresce, a classe média permanece no mesmo lugar, a pobreza se eterniza e os doentes começam a morrer nos hospitais. É a democracia  gerenciada pelos grupos de interesses e familiares, cujos vícios são  transferidos indefinidamente de um para outro ,   de pai para filho e até para os netos.

          O mal instalado é de raiz. Rizomático: brota em qualquer lugar(Deleuze & Guatari, 2006 ). Reproduz-se de geração em geração. É uma linha de hábitos sucessórios danosos ao País, que começou lá atrás, tornando o brasileiro mais permissivo que igualitário. O ponto de convergência é a máquina do Estado,  dentro da qual constroem-se redes de sustentação.  Espalha-se dentro dela, misturando o privado ao público e vice-versa.

            No âmago dos aparelhos de Estado abrigaram-se vícios e práticas delituosas usados cinicamente nos embates da direita e da esquerda. Nesse espaço pantagruélico (Rabelais, 1494-1553), uma quantidade enorme de advogados banqueteia, deglutindo, maravilhados, os frutos que eles mesmos se encarregam de adubar. Questionam e esvaziam leis, geram  interpretações convenientes, conseguem transformar privilégios em jurisprudências. Tumultuam o ambiente institucional.

          O cenário que aí está parece propício para uma transformação radical. Para começar , deveríamos ter, ao invés de um Ministério da Transparência – o Gil Castelo Branco resolve tudo isso sozinho –  um Ministério do Desmame, num estilo chavista mesmo, que se proponha a extirpar das entranhas do Estado estruturas oligárquicas arcaicas,  ladrões, criminosos e oportunistas.   Não se pode legar apenas à história o julgamento de determinados personagens. Como ficam os contemporâneos de tudo isso?

          Algumas medidas reclamam imediaticidade, como rejeitar ou extinguir na Justiça os recursos protelatórios. Suspender o foro privilegiado para parlamentares. Revogar a lei que assegura a prioridade à vaga de candidato, dentro dos partidos, para aqueles que já exercem mandatos. Limitar ainda mais o número de elegíveis, visando manter um ciclo de renovação constante da representação política. E last but not least trocar todo mundo que está chefiando por aí,  extinguindo, primeiramente, as tais agências reguladoras,

            Referenciada, simbolicamente, a denúncia da menina síria, de 7 anos,  Bana Al Abed, feita do seu celular, em plena rua de Aleppo, cercada de cadáveres e bombas,  ajuda a perceber que , no Brasil, “A população está sendo massacrada”. O Estado tornou-se um “não-lugar” (Augé,1995), espaço incapaz de dar forma a qualquer tipo de solução para os próprios brasileiros. A juventude  começa a  renegar as origens . Sírios e sudaneses passaram a migrar para o desconhecido, renunciando, inclusive, a nacionalidade.  É a evasão da massa crítica, dos melhores cabedais para administrar um País, os únicos que, de fato,  sabem conviver com as tecnologias de um mundo novo , sem precisar cobrar lealdades escusas. Esse povo está na rua desempregado.

         Seria oportuno, portanto, excluir do Aparelho de Estado as oligarquias e os oportunistas. Restabelecer a moralidade. Quem pretender um cargo de Estado precisa, primeiro, comprovar vocação para lidar com a coisa pública; segundo, ter formação ou experiência de gestão; e , terceiro, passar por uma Comissão de Desmame, na qual terá julgada sua competência e folha corrida – isso mesmo -, num estilo policial investigativo. Por princípio caberá ao candidato– e não o seu avaliador – provar o  que diz.

         Renovação política? Não!.. Ruptura mesmo – até nem sei se é possível sem uma revolução –,   introduzindo paradigmas novos e  um modelo alternativo de representação. Reformar as instituições totalmente, leis,  e dar lugar às gerações mais atuais. A mistura das novas gerações com as tecnologias de ponta tende a  viabilizar alternativas de gestão e  uma outra visão de mundo. Os mais velhos pouco teriam, certamente,  a contribuir para o futuro.  A grande dúvida é se os mais jovens precisariam, de fato,  manterem-se atrelados à retórica dos desígnios da História.

*Jornalista, professor, doutor em História Cultural.

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