EMIL DE CASTRO , POESIA, DEVANEIO , VERDADE .( I )

Ago 17, 2014 por

EMIL DE CASTRO , POESIA,  DEVANEIO , VERDADE .( I )

      Emil de Castro, o poeta de Mangaratiba, de quando em vez oferece um prêmio a seu público – e isto vem de décadas . Em 2012 , foi em forma de contos – os belos e sensíveis contos de “A Ponte” , que divulgaremos neste site.

      Mas, Emil de Castro  é , por excelência, poeta – a sensibilidade de “Aprendiz do Nada “, “Vozes do Mar , “Estação de Partida “ e tantas outras  obras .

         Poeta ,mas também contista, advogado, escritor , memorialista, professor , jornalista , político , sindicalista, autor premiado …Um homem que também lutou para melhorar a Nação, preocupou-se com o sofrimento de seu povo , enalteceu e promoveu sua inesquecível e amada Mangaratiba.

           Aos poucos, iremos divulgando, neste espaço,  a obra reconhecida de Emil de Castro, começando com” pílulas” que permitirão sentir a emoção provocada por um poeta  , capaz de levar o leitor tanto ao devaneio como à reflexão sobre a vida, os homens, a natureza, de onde viemos, o que somos, para onde vamos.

           Escrevamos menos , e comecemos a mergulhar , devagar, primeiro apenas molhando os pés , e, depois, enveredando  , aos poucos, pelo mistério , sensibilidade e devaneio que provoca o trabalho , criteriosamente técnico , deste escritor brasileiro. Caminhemos, lentamente, através das águas cristalinas de sua poesia, deixando a água cobrir-nos  os joelhos , depois o corpo todo e, afinal , nossa própria cabeça e mente , quando estaremos no campo da vida e da morte , do amor e da crítica  , do passado e do futuro , do real e do irreal, imersos na temperatura agradável dos sonhos e da mente e do imenso amor pelos homens,  construções inesquecíveis de Emil de Castro.

           CAMINHANDOJORNAL.COM   é ,essencialmente , um site de análises políticas . Mas, pode-se aumentar o entendimento da realidade via poesia e literatura em geral, chegando além de qualquer análise  formal. Mais – tudo que é humano” não  nos deveria ser estranho”. E a poesia , por isso, tem sido cultuada , sempre, neste site. Deliciem-se, pois.

(Não revisado, o que não impede entendimento).

       

                                    “Não me pergunte o que é mistério ,

                               que não me correspondo com andorinhas

                                             nem viajo em arco-íris”.

 

Os simples têm morte linda.

Apesar da roupa

desbotada .”

                                            “Era um menino esquálido

                                             transparente

                                             dava para enterrar

                                             numa caixa de fósforos.”

“Orelha de porco

não é tão nutritiva

como a de Van Gogh

                                 dizem .”

  

                                                  “Aqui jaz um homem triste.

                                                            Música maestro. “

  (Retirado de “Aprendiz do Nada “, 1992. Continua.)

 

“Não sequem o mar.

Deixe-o assim calado

Murmurando nênias ao pescador .

O mar soluçante poema sempre eter

namente mágico.

Ei-lo solto em puro vôo

pássaro verde.

A paz reina sobre seu reino de mistério.

Eternamente marinha suas

águas.

Não sequem o mar onde me refaço 

minha fonte onírica:braços, pernas, seios

ondulantes.

Ondas ou âncoras minhas raízes

ou cabelos azuis do menino que ficou no porto

e nunca mais quis ver outro país.

Por que o mar e seu retorno – túmulo de deuses

há de morrer enfim

se a morte inventa

essa mentira, a vida ?”

                                                                      ( De “Vozes do mar “,2009).

 

Posts relacionados

Compartilhe Isto

1 Comentário

  1. emil de castro

    Mauro, não sei se já lhe disse que me senti super honrado em ocupar o espaço de seU jornal. Minha obra sou eu. Eu e minha circunstância, o que me move é o tempo. Mas o tempo me encurta. Como Cassiano Ricardo: o tempo nunca é mais, é sempre menos. Para Mário Peixoto: o relógio da vida marca a hora para trás: menos uma, menos uma
    Desejo-lhe uma feliz 2014.

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *