“RECEITA DE ANO NOVO “- Drummond

Dez 25, 2013 por

“RECEITA DE ANO NOVO “- Drummond

 

 [ Mais uma vez, lembramos o Ano Novo, com a poesia de Drummond . Trata-se da mais  inteligente, simples, curta , com um recado importante, que conhecemos . Refletir. Desejamos a todos os amigos BOAS FESTAS, agradecemos todas as colaborações e sugestões.  Aqueles que desejarem , procurar outras poesias,sobre o Ano Novo,  neste site , inclusive na barra lateral. (Redação /caminhandojornal.com ) ] .

 
 Carlos Drummond de Andrade.

                                                                 Receita de Ano Nov-2014/15

RECEITA DE ANO NOVO - DrummondPara você ganhar belíssimo Ano Novo                                                               
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas                                                     
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.                  

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
                                  cochila e espera desde sempre.

 

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Fonte: fotos retiradas da internet ; poema do livro de Carlos Drummond de Andrade, de mesmo nome. Mantido,  em nossos votos de Feliz Ano Novo, por considerarmos dos  mais belos e  inteligentes que conhecemos.

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2 Comentários

  1. TANUSSI CARDOSO

    Meus amigos, a Revista está Caminhando cada vez melhor. Drummond é sempre certeiro, apesar de algumas bestas-humanas tentarem corromper sua imagem. Não sabem que o poeta não se basta numa estátua, não se contém no seu aço, nem no mar por trás de seus óculos, nem na cidade que o acolheu, nem no berço que o acalentou. O homem-poeta só cabe no “sentimento do mundo”, esse mundo que ele carregou com os ombros da poesia. O homem-poeta vive nas palavras que ajudaram a construir um mundo de beleza; nos versos encantados que aprendemos a cantar.
    Que façam mil estátuas; que destruam mil estátuas! Enquanto as bestas-humanas trabalham, o céu gargalha de suas ignorâncias, e a Poesia paira e sorri de todas as inutilidades mundanas. Drummond nos ensinou que “a pedra no caminho” serve para vencermos os obstáculos e crescermos como seres humanos. “Perdoem, eles não sabem o que fazem”, já disse um outro grande Homem-Poeta! Drummond tem toda razão: não há fogos, nem bebidas, nem falsas alegrias que construam um mundo novo, um ANO NOVO. Só quando cada um de nós construir o “nosso” homem novo, um ANO NOVO, NOVO, se fará sobre nós. “Caminhando”, de certa forma, está tentando seguir pela beleza de estradas novas, verdadeiras, humanitárias, procurando a diretriz, o nascedouro desse homem novo, a que se refere o poeta; a que se refere Jesus. Seus textos seguem a linha tênue da ternura e do corte brusco da palavra exata, ou seja: o caminho poético da vida, porque traça para si, o viés da igualdade. O do homem novo, o do verdadeiro e único ANO NOVO: o DO HOMEM NOVO! Parabéns por isso e por estarem “caminhando” por ruas, vielas, becos tão ásperos e lindos! Abraços fraternos do amigo Tanussi Cardoso

  2. Cochilando sobre o novo

    O Ano Novo cochila, sem dúvida dentro alguns. Gostaria imensamente de não fazer parte desse grupo, e “ merecer “ mesmo , como diz o Drumond, algo que possa ser incorporado como novo. Mas as novidades só existem por causa do seu contraponto: as permanências. Ambas são importantes mas , enquanto as permanências lutam para se preservar, as novidades acham-se no direito de enterrá-las. Novidade surge como uma espécie de voluntarismo e, como tal, sucumbe muito mais rápido do que as permanências. Então do que estamos falando? Falamos de algo que precisa surgir, como novo, mas de uma plataforma, de uma raiz humana. Fazer-se representar não apenas no imaginário, mas ser um reflexo, uma resultante, mesmo, no mínimo, da dialética. Nesse formato não seria uma novidade, apenas um “re-flexo” do real, com configurações conhecidas pelo menos em parte. Mas, fruto da experiência humana. Assim, merecer o novo exige antes que se tenha condições para habitar nele e estar aberto para ele habitar em nós.É muito complicado. Enquanto não entendemos, , “ poemamos” ansiosos do saber ou indignados com o dever. E nos divertimos, empurrando a existência com a barriga. Já é alguma coisa. Pelo menos, estamos vivos: se vale a pena viver.

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