“Dia das Mães” – Sentimento ou Dinheiro?

maio 9, 2022 by

“Dia das Mães” – Sentimento ou  Dinheiro?
  1.  “Dia das Mães” – Sentimento ou  Dinheiro/$$$”?

*uma reflexão sobre a manipulação da mulher-mãe*

Mauro M Burlamaqui

-I-

      Hoje,  pensei em você, amigo , amiga, na sua vida ,  família,  dia a dia, problemas. Bem como em mim mesmo e nos meus . Visualizei você e os que o cercam – e refleti , quando se comemora o “Dia das Mães, festividade que tem mudado muito através dos anos – para pior.

      “Dia das Mães” , surgido, oficialmente , nos EUA, líder do Império do Capital , 1914, via presidente Woodrow Wilson , sulino , democrata , eleito em 1912 , tendo apoiado a segregação racial e a supremacia branca, o que dá a pensar  .

          O “Dia das Mães   poderia ter-se constituído  em dia de alegria interior e  exterior – homenagem efetiva e humanística às mulheres e mães –  mas , não tem sido  bem assim. Gradativo, ou desde o início (?!) foi apropriado pelo dinheiro/$$$ e interesses financeiros  .

         Aquela menina que lamenta não ter, nesse dia , como dar presente mais caro à mãe, ou sequer um presentinho , tem esse seu frustrado comportamento ligado a toda a sociedade.

         Em nossos dias, ao  impiedoso capital selvagem imperialista. Não há exagero . Aquele mesmo…que explora nações, dirige um Império, provoca guerras , fez centenas de invasões e golpes, jogou bombas nucleares, matou milhões de pessoas na busca por petróleo ou nióbio – e  que arrasou o Iraque, Líbia, Vietnan . Hoje, metido na Ucrânia, incentivando-a e financiando-a, ostensivo, contra a Rússia.

                                                  -II-

      O dia das “mães” tornou-se mais um dia quase todo comercial , de incentivo a vendas –  faz-se  quase apenas propaganda de presentes para elas – desde automóveis, ricas casas, móveis,   aos mais simples ,  caso de livros, celulares à prestação , ventiladores ou mesmo flores .

       A mídia, em especial a televisiva, mais internet , não esconde a alegria nessa  data,  nem a  exibição contínua de lojas , shoppings e supermercados cheios . De fato , ela também faz sua festa,  mediante sucessivos caros anúncios, o que torna  tal dia altamente lucrativo .

         O objetivo –vender, lucro –   capital , em resumo,  a qualquer preço possível , mesmo com sacrifício e exploração  de valores e seres humanos  – crianças, mulheres, sexo  , amor , alimentação , doenças, mortes. Vale tudo . Aproveita-se os melhores sentimentos humanos , a gravidez, o amor maternal e filial – e submetem-nos ao interesse do Grande Capital- lucro acima de tudo.

                                              -III-

           Do mesmo modo, são explorados os piores defeitos humanos – ambição,  inveja , luxúria,  gula – estimulados,  caso a caso, para promover vendas , seja ao preço da saúde humana, morte, desmoralização e liquidação de famílias, desorientação de crianças, jovens  , adolescentes .

         Assim, promove-se cigarros, álcool, açúcar (provado prejudiciais à saúde ) , “amor livre”,  por exemplo , do mesmo modo que países ricos retém  patentes de vacinas e remédios , cuja liberação implicaria em poupar milhões de vidas .

            Não importa que isso implique em destruir famílias,   já confusas com a inflação, desemprego , transporte deficiente , estradas esburacadas , doenças novas e descontroladas, instituições e serviços públicos deteriorados , Estado disfuncional . A prostituição feminina ou masculina, ao fundo , por exemplo , de fato , é  justificada , “compreendida” e estimulada , na medida  em que sexo e beleza , submetidos à quantificação monetária e à lógica do  Capital, produzem lucros . Seja através de filmes, pornografia, anúncios ,  ou do próprio casamento,  reduzido o amor e sentimento , por séculos, apenas a transações monetárias entre famílias , nobres e empresários .

          A mulher, a mãe, a gravidez , tudo tem sido reduzido a interesses menores, patriarcais, dos interesses dominantes das  sociedades . Como não lembrar que  a mulher viria da “Costela de Adão” ? Interprete-se tal como quiser , isso explicita muita coisa .              

   Amor , sentimentos, relacionamentos naturais, tudo, longo tempo ,  reduzido à quantificação monetária – tem mais amor ou dedicação  quem mais  gasta ,  sacrifica mais …o bolso . Tal mostrado em novelas, romances , contos, narrativas diversas , só mais recente aumentada  a divulgação de críticas a tais posturas . Ainda que submetidas a doses muito maiores de propaganda em sentido contrário. 

                                              -IV-

        Assim tem sido , conveniente,  reduzida  a dimensão daquela que muitos dizem-se dispostos a homenagear- a mulher-mãe. Que , hoje , é em nossa sociedade , mulher-mãe em perspectiva amplíssima – porque também mãe de netos, sobrinhos , parentes, crianças ,adultos , famílias .Ah, e de clãs, tribos,  povos , nações. Até de cachorrinhos,  gatos, animais diversos . Quando não , boa parte, dos próprios maridos ou companheiros .

      A visão monetária dessa questão atinge a sociedade, a todos , mesmo os que querem , sentimentalmente, homenagear as “mães”, e com razão – uma especial e única , figura social .

        Mas, nessa sociedade, sempre os “ricos” irão reduzir , apenas a  dinheiro,  o que deveria ser uma  troca de sentimentos mais que  familiares –  sociais, coletivos. Fato  que numa sociedade em crise, irá sempre  agradar , fora comerciantes,  alguns parentes,  óbvios motivos.

            Apela-se, no caso , dias atuais,  às características mais “animais” do Homem , egoísticas,violentas. Vai-se ao encontro da agressividade humana , instinto, que Freud bem estudou . Tais instintos tem sido  estimulados , dia a dia , em busca do lucro , e mais especialmente, em datas como o Natal , Ano Novo , Páscoa ou “Dia das Mães” .

         Se , em períodos de maior estabilidade,  e ascensão  do Grande Capital , corporativo ,  isso era feito de forma mais mascarada, e mesmo discreta, hoje o apelo às vendas, lucros , presentes – e instintos os piores do Homem – é acintoso. Vai do estímulo de diferenciar, socialmente,  desde a casa ou móveis  ou carros mais bonitos e caros do  que os do vizinho ou parente ou amigo ou conhecido na internet . Tal distinção , que costuma virar disputa , atinge mesmo a qualidade de bairros onde cada um mora .

             Chega-se mais longe ainda. A propaganda estimula disputa e imitação sociais de roupas à forma física , dentes, maquilagem, plásticas , viagens ao exterior . Lucro antes de tudo . Or,daí , evidente, chega-se aos  presentes de dias “especiais”- de fato comerciais –  caso do enfocado “Dia das Mães”.

          Tudo ao contrário , forma hipócrita, do objetivo de uma verdadeira homenagem à Mulher e Mãe,  bases  da

Humanidade e do nível de civilização  que atingimos.

          Quem mais promove tal atual falseado dia  são as camadas dominantes, digamos assim, que tem poderio financeiro e pensam apenas em lucros .

Sob a superfície sentimental , o dia de homenagear aquela mulher tão especial torna-se ótimo dia para acumular capital , melhorar os negócios, estabelecer relações .

                                                  -V-

            A palavra mãe , nesse contexto , acaba por perder o sentido .Trata-se mais de apenas símbolo falseado , “mãe coletiva”, endeusada pela sociedade do capital ,  porque representa  hipocrisia , apelo a  instintos – e , afinal , lucros sempre  maiores . Ao fundo, mãe e família manipuladas , financeira e coletivamente . Quem é homenageada e quem homenageia . Sempre em função de lucros de uns poucos.

         Houve o total desvirtuamento desse dia das “mães” , que poderia  ser efetivo  importante em termos de reflexões individuais e coletivas   premiações, concursos , inaugurações de estradas e pontes, lembrança de mulheres heróicas como Anita Garibaldi , ou Olga Benário , entre outras .

           Por tudo isso, nessa data, segundo domingo de maio,  pouco se relembra de figuras como Simone de Beauvoir , Frida Khalo , Madre Teresa de Calcutá ou  Jinga , Ângela Davis, Lucia Murat, Zuzu Angel , Paraguaçu – não importa se mães no sentido estrito ou não . Tais lembranças não são convenientes aos interesses predominantes . Nem discussão maior sobre o papel de muitas heróicas mulheres-mães – “mãelheres”, melhor dizendo .

         Ninguém fala naquelas destacadas mulheres , e há muitas outras , não se debate suas vidas, persistência , razões. Discute-se superficialidades, presentes, preço de presentes, se as lojas estão cheias ou não , qual o limite de gastos do povo , a média deles, tudo quantificado e reduzido a dinheiro/$$$, lucro, capital –  e bem sabemos por que .

              Lembre-se que tudo isso  ocorreu, “mutatis mutandis” ,  também com a Páscoa, “Dia dos Pais”, Natal , Ano Novo e até “Dia  dos Namorados”. Este, ao invés de tornar-se singular “Dia do Amor”, virou ,como os demais, dia de boates, gastos,  comilanças, mensagens superficiais –  gastos e mais gastos, por vezes sem sentido , aumentando doenças ,endividamentos e crises familiares , em alguns casos.

        ( Assinale-se  que o povo sofrido  , ainda assim , curte tais datas, face à tradição  e às carências coletivas de lazer, descanso , valores sentimentais, alienação , face ao  frustrante dia a dia dos trabalhadores . O que inclui, especialmente, a homenageada, em geral muito sofrida).

                                                 -VI- 

                  O fato é que , ao  meio da festa de superficialidades e hipocrisias , dinheiro ao fundo , não generalizada , mas bem propagada,  costuma-se esquecer a mãe-mulher lutadora, até armas nas mãos, morrendo como enfermeira ou em guerras ou enfrentando riscos e sofrimentos , na gravidez. Em todas,  ainda a responsabilidade permanente na educação , desenvolvimento de seres humanos,  toda a vida – seu  exemplo , fundamental , como fator educacional.

         Mulher /mãe explorada durante séculos , mais recente forçada a jornadas duplas ou triplas,  face ao desemprego e crise econômica e social crescentes . Gradativo, mulher-mãe que vai assumindo papéis anteriores  do “homem”, que mostra-se em maior crise, pois direto mais ligado às tradições exploradoras de trabalhos sob o Capital .  Ausenta-se mais de casa  e dos valores familiares,  sentindo, mais direto, situações  comuns de humilhação , falta de oportunidades, desigualdade , segregação de classe e racial. Fora desgastes com transporte e más condições de trabalho.   

                  Ao final, um homem confuso, parcialmente perdido, fato agravado por crescente e maior participação social e econômica  feminina  .Daí , o resultado : problemas psicológicos de todo tipo.

         Além disso , com a ascensão mundial do Grande Capital, corporativo ,  a mulher foi  jogada direto no mercado de trabalho, com problemas diversos, mas conquistando  alguma autonomia oriunda de menor dependência masculina . Agora, com recursos próprios, mas não preparada para enfrentar a exploração e violência masculinas , passa a sofrer mais disputas ,  agressões, xingamentos, separações violentas . Veja-se os “feminicídios”, alguns com  ataques mortais a filhos e parentes próximos. As instituições não dando conta da situação, a clamarem apenas quase que por leis como  a “Maria da Penha” .  

            Por tudo isso , amigo/a , resolvi levar a VOCÊ, ser humano, mulher ou não ,  estas linhas – por considerar mal resolvida a questão da mulher e mãe na nossa sociedade. Em que pese ela,  maioria, hoje, do povo brasileiro .Uma questão mal conduzida na sociedade e por intelectuais , em novelas e livros, exacerbando-se questionamentos em sentidos contrários , confusos ,  longe do real conteúdo das questões.

        No “Dia das Mães”, e não do dinheiro, do  comércio , ou do poder financeiro sufocante, um bilhete a nossos amigos/amigas . Sabendo-se que apenas falar , por demagogia, em “todas” e “todes” , ou “amigos e amigas”, como alguns fazem , pouco acrescenta .

         É preciso mais da sociedade, porque ela é que precisa mais das mulheres – na política, vida social , segurança pública, instituições , família. Há premência e até apelo  quanto à participação maior dela , seja para reivindicar para si mesma , como tem acontecido , como para todos – lutas em especial por maior igualdade , democracia ,   respeito pela dignidade humana .

Em resumo, para todas elas ,  uma palavra- OBRIGADO. (*)

                                      caminhandojornal.com

             Caminhando Jornal TV

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(*)Original não revisado , o que não impede o entendimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

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