Oportunismo, Doença Senil do Socialismo ?

dez 21, 2020 by

Oportunismo, Doença Senil do Socialismo ?

“Oportunismo”, Doença Senil do Socialismo ?

* notas sobre as derrotas e comportamento das “esquerdas” e “democratas”,  frente às “armadilhas neoliberais”,  do Império do Capital , nas últimas décadas e  em nossos dias  ;(…) (*)

 

 

[ Esboço,  apenas,  de parte de Introdução , para correção , ouvir críticas, etc. Referências bibliográficas exatas apenas na forma final. Este não é um trabalho acadêmico  ].
 

 

                                                                                                      HUGO BRANDÃO

 

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   -I-

   

    DERROTAS POLÍTICAS À ESQUERDA

    

 

                             Desde as últimas décadas, vem-se assistindo derrotas à esquerda, sem aspas, comunistas e socialistas,  especialmente, em diferentes países da Europa e da América Latina . Caso destacado, embora antigo,  o da queda da URSS , ao final da década de 1980, e sua repercussão , efeito dominó, na Alemanha, na queda do “Muro de Berlim“, mais  Hungria, Polônia, Iugoslávia, Romênia, etc. Embora, admita-se ,  tenha havido avanços e resistências populares, em alguns lugares, como Cuba(1956), Vietnan (1968) e , bem recente,  na Venezuela(2020) . No caso desta última,  uma resistência firme à pressão imperial, de todos os lados (face a uma “guerra híbrida”), com inteligentes alianças(caso de Rússia e China), tema que carece  análises mais acuradas, que não cabem aqui.

Como explicar-se certas derrotas,  recentes , em alguns países , quando havia crise econômica e política, caos administrativo, aparentes condições objetivas , com ,avanços democráticos significativos à esquerda, atestados até por resultados eleitorais ?

Note-se , ainda, que houve derrotas , em diferentes países , com  traços comuns, já percebidos ao final do século XIX,  início do século XX,  avaliadas por vultos do peso , à esquerda ,  de Wladimir I. Ulianov(WIU, Lênin) a uma  Rosa Luxemburgo.

Mais tarde, com o avanço dos anos e do capitalismo financeiro, tal tema foi analisado  não só pelo citado WIU como por Bukharin,  entre outros. E, logo adiante, por um teórico do nível de Gramsci, que levou  em conta não só  as análises anteriores como as novas modificações em curso  no “metabolismo” capitalista mundial, para usarmos termo mais moderno , de István Mészáros.

-II-

OPORTUNISMO E REVISIONISMO ?

                           Nas análises do teórico italiano, década de 1930-o que mostra de quão longe vem a preocupação com essas questões – encontram-se  bases para entendimento de  problemas,  ainda,  hoje,   na ordem do dia , como vimos antes. Embora com novos marcos na práxis e na teoria , sem cuja superação repetem-se erros similares , mutatis mutandis,   sobre os quais achamos importante maior reflexão  . Há indícios no sentido que, ao menos, as razões de  algumas daquelas derrotas eram conhecidas –  e que  fatores específicos influenciaram a recorrência delas .

Certas ações ou omissões, ou despreparo teórico ou político , ignorância , ou, inclusive,  traições programáticas e partidárias, oportunismo, revisionismo e reformismo, teriam se repetido , ao longo do tempo , com influência nos resultados negativos. Isso independente das alterações havidas na sistêmica capitalista e nos tipos de intervenção, direta ou indireta, feitos pelo  I.C., (Império do Capital/Wood) , seus aliados ou países satélites , casos de nova assistência social , previdência, mudanças nos regimes políticos,  criação de  “democracias do bem-estar social “, mais  direitos trabalhistas ,etc.

Fatores subjetivos teriam sido bem explorados pelo IC , focando em indivíduos(líderes, direções partidárias, intelectuais, quadros políticos, militantes), informações, pressões, condicionamentos, aqueles acabando por jogar papel chave nas derrotas , em foco, em diferentes países . As possíveis e necessárias condições subjetivas , deterioradas, por ações bem planejadas pelo I.C., de diferentes tipos(reformas pequenas, alterações legislativas, repressão , atuação dos serviços de informação , entre outras) , teriam influenciado de forma a compensar as objetivas, por vezes muito desfavoráveis a ele. Assim, anulando-se ou atrasando-se ou perturbando-se  ações políticas das esquerdas, desmontadas ou fracionadas ou apenas  obstaculizadas .

Isso , envolvendo ardis diversos  e luta ideológica acirrada, direta e indireta , mais uma propaganda bem articulada , teriam repercutido no resultado das batalhas políticas , via  partidos, programas, palavras de ordem, formas de atuação ,  direções partidárias, líderes , teóricos de esquerda , intelectuais.

Em especial,  nos últimos , intelectuais , que ,  ao contrário do que alguns pensam – numa ingênua apologia da “origem operária” dos militantes de esquerda , que jamais deveria ser  pequeno burguesa , muito menos burguesa – são indispensáveis à luta socialista, e não só nas etapas iniciais delas,  ou naquelas envolvendo “sindicalistas”, preocupados mais com salários maiores e vantagens econômicas (WIU). E mais necessários nos momentos decisivos daquelas  lutas,  em vista da busca  de mudanças qualitativas nos movimentos políticos de massa . Isto é, tentativas de encontrar  formas de avanço  e  rupturas políticas e sociais .

A História vem mostrando  tais intelectuais , aos poucos , cooptados ou assimilados pelo “academicismo”(cargos, carreiras , títulos,  prestígio na   sociedade  capitalista ) ou mesmo integrados,  direto, às estruturas acadêmicas, em essência ” capitalistas” ,  sejam como simples assalariados ou , por vezes,  dirigentes .Pouco a pouco, afirmam-se não como “profissionais da luta revolucionária” , aqueles  defendidos por WIU, mas como profissionais de instituições propagadoras e defensoras do grande capital  , do IC ,   justo o que pensam estar  enfrentando . Formadores de quadros defensores delas , ainda que divulguem aspectos ou linhas gerais básicas do chamado materialismo histórico.

Em outras palavras, os “intelectuais” , por vezes também dirigentes partidários ,  ao enveredarem e travarem a “luta democrática” , na sociedade capitalista , com regime “democrático tipo ocidental”, mantendo-se  nos limites da legislação  em vigor,( o que seria por  “tática”) , acabam envolvidos, na práxis diária  , pela ideologia capitalista , passando a postarem-se na defesa desse tipo de sociedade . O que vai  projetar-se em suas teses , artigos, bolsas de estudo , via também orientadores, melhores situados que eles na carreira acadêmica (e dos quais dependem). Vão pesar em suas posições , ainda , as  questões  relativas à sobrevivência .

Isto ocorre ,  embora ele e os que o cercam, muitas vezes sequer se  percebam  dessa condição. Ou muito menos  intitulem-se defensores do IC . Muito ao contrário . Também não são vistos , desta maneira,  seja por militantes à esquerda , alunos, colegas , ou  pela sociedade em geral . De fato , posam como “esquerda”, ou mesmo “comunistas”, direta ou indiretamente, frente à legalidade de partidos garantida ou mesmo face a uma semilegalidade,  espertamente concedida pelo regime “democrático” – e , assim, são considerados e , em essência , autoconsideram-se “marxistas-leninistas“. São vistos e aceitos como tal  , face, em especial ,  à legalidade das esquerdas e de seus partidos –  “comunistas” ou “socialistas”  – pela sociedade em geral , pelas massas populares  e pelos militantes partidários, o que é facilitado pelas direções que, em geral, também exercem,  tanto nos partidos como, algumas vezes,  no meio universitário .Uma situação pessoal, em essência,  cômoda, tranquila, que vai repercutir, como já  referido, em seus trabalhos teóricos ou na mídia ou em programas políticos e ações sobre as quais votam ou opinam ou influenciam . Só quem os vê, de fato ,  mais isentamente, paradoxal que seja ,  são os agentes  a serviço do IC – inteligência policial ou serviços secretos, alguns dedicados apenas à ordem política e social .  à política. Ou seja, quando analisados pelos estrategistas do I.C., que induziram-nos, espertamente , a essa aparente dúbia situação , na verdade bem definida .

Pois bem  , também dessa situação , daí  e deles, é que vão derivar certas  “interpretações do marxismo” , de textos dos  mestres , que vão repercutir  na práxis partidária e política – projetos, programas, palavras de ordem, ações, formas de analisar conjunturas e intervir na sociedade. Tarefas para as quais são imprescindíveis.

O problema é complexo, com sérias consequências . Afinal, nessas hipóteses, trata-se de intelectuais reconhecidos e  prestigiados à esquerda , autores de livros  importantes, com análises brilhantes (teses acadêmicas) sobre diversos temas, embora não sobre os mais urgentes ou prioritários , no que se refere a mudanças ou rupturas sociais. (Isto é, não sobre os temas que realmente interessam, de imediato ,  aos que buscam a ruptura e renovação do regime pró-IC ) .  Porque  nada disso , em geral, foi estudado e  defendido por aqueles intelectuais , ao longo do tempo, voltados mais para suas carreiras sob influência de orientadores bem sucedidos, profissionalmente. Evidente, tal não é o único fator a explicar insucessos à esquerda , pois há a mudança cotidiana dos  contextos políticos  e do próprio capitalismo , através do tempo. Mas, é fator crucial, fundamental ao desfecho do processo e ao avanço da consciência das massas,  que não se dá por si só .

O “prestígio”social e político  desses intelectuais “esquerdistas”  , assim,  com belos  cargos, salários, posições de destaque , bolsas no exterior ,  aprovação,  com louvor,  de teses, etc., ( sempre antes pré-aprovadas por seus “orientadores”, mesmo no campo da Política, História ou Economia) ,  vai condicionar sua práxis política ” à esquerda”, além de análises . Elas acabam oriundas mais do “establishment” acadêmico do próprio Império do Capital  que imaginam combater , do que do interesse de classes exploradas ou massas despolitizadas. Isto é, das entranhas do Império – que financiam cursos de pós-graduação, graduação, doutorado, pós-doutorado , bolsas de estudo ) – , de seus estrategistas , de alto nível, de universidades do mais alto gabarito mundial , que são  também agentes, responsáveis e executores  de suas táticas e ações.( Na maioria das vezes, não tem consciência disso. Cf. “Quem pagou a conta? ” , de Frances Saunders) .

De fato, em sentido contrário, não consta que nenhum dos trabalhos importantes de R.Luxemburgo  ou  Trotsky  ou Bukharin ou WIU, entre outros, tenham se  originado  nas entranhas acadêmicas ou da inteligência dos países e regimes que eles  pretendiam revolucionar . À exceção, que confirma a regra , de um ou outro , talvez a começar por Marx, isso parece um fato . Embora o próprio Marx e Engels não tenham produzido seus essenciais estudos inovadores e revolucionários de dentro do útero da sociedade que buscavam mudar . Retiravam todas as lições dela e iam adiante, participantes da luta popular , congressos, etc., embora com o uso indispensável de bibliotecas ,não sendo parte da estrutura acadêmica sustentáculo do sistema que buscavam derrocar .  Aliás, em diversos países , os que assim não  agiram ou não se dedicaram,  especificamente,  a à tarefa no sentido de ruptura política e social  – ou foram derrotados , previamente, nessa pretensão, ou sequer se arriscaram a qualquer tentativa efetiva de ruptura política, na sociedade em que atuavam.

O envolvimento das esquerdas na luta parlamentar, e, em especial , sua participação em governos , sob “democracia capitalista”, agravam essas  questões . Tal participação parlamentar sempre foi , de fato, defendida tanto por um WIU como por R .Luxemburgo e outros  , mas apenas  quanto a parlamentos, não governos. Chegaram a prever crises, derrocadas e até corrupção quanto à participação de esquerdas em governos capitalistas – burgueses – , via sempre alianças , pois tratam-se de blocos de poder dominantes. O próprio Brasil assistiu tais resultados durante as administrações Luladilma. Há mais de cem anos atrás, Luxemburgo refere-se a situações similares na Europa de então .

A (1) participação de esquerdas , via partidos,  ou mesmo  indivíduos ,(esquerdas  sem aspas , não aquelas assim  consideradas , falsamente, apenas por agentes do IC ou sua big mídia) , em governos capitalistas, de diferentes níveis(municipal , estadual , federal, por exemplo) , tem-se mostrado desastrosa ; e ainda, por vezes,(2) surge integrada ou paralela à natural ambição de militantes, em especial intelectuais, por  ascensão social( ter) , no caso via acadêmica ,ou profissional ,  além da busca de  prestígio social( representar), aumentando o desastre político à esquerda . Empenhados em carreiras e promoções ,  só adquiridas via tempo , com  longas carreiras acadêmicas ou profissionais,  neste passo mostram-se mais fragilizados quanto  a  cooptações pelo regime estabelecido(pró-capitalista). Inicialmente, em geral , via ideológica, ou mesmo profissional ; de qualquer modo ,  depois,  na práxis, envolvidos numa “carreira” (cargos, direções universitárias, postos, títulos ,etc.) – daí resultando o que também poderíamos chamar, sem preciosismos , ou detalhes ,  de alguma  espécie do gênero  “transformismo”,  para usar-se termo conhecido de Gramsci .

Se pode haver , hipotética e inicialmente,  de forma bem intencionada , uma compreensível posição “tática”, por parte dos intelectuais ,  seja na luta cultural , ou visando  uma “infiltração no sistema” , ou mesmo  lenta  acumulação de forças à esquerda , o fato é que concretiza-se , em geral, exato o contrário. Ou seja, a  assimilação  de suas ações ou atividades sejam parlamentares(cargos, nomeações , etc.), ou outras pelos interesses do IC . Tal vai ocorrer  mais  certamente quando eles participantes de governos ou academias (universidades)  ou  atividades profissionais(jornalista, colunista , etc. ) diversas .

Quem e como se poderia impedir isso ? Há , quase sempre –  falta de profissionalismo dos militantes ; partidos inadequados para enfrentar aquela  situação  ;  ausência de segurança política interna dos partidos  ;  de serviços de inteligência e contra inteligência , corroendo-os por dentro  . No nosso caso, hipotético, modelo, o partido esquerdista está na legalidade e usufruindo até  de pequenas verbas partidárias  oriundas do erário público, isto é ,do  próprio regime que buscaria combater.

Esses problemas se desdobram em outros e condicionam comportamentos, táticas, lutas e até o próprio discurso que deveria ser revolucionário . Como fazê-lo , nessas circunstâncias ? Como preparar um futuro se no presente você prepara a aceitação do sistema, o reformismo , o revisionismo ? Como organizar partidários e conscientizar massas para mudanças em regimes, rupturas  estruturais, com um discurso limitado e reformista , imposto pelo contexto ? A hipótese aparente óbvia de  simples dubiedade , duas linguagens, dois discursos , um  interno e outro externo, não iria longe , no contexto descrito –  haveria os riscos de sabotagem, repressão , provocações , ou outros , gerados via  serviços de informação policiais, invisíveis , com certeza  infiltrados, face à legalidade existente  , apenas das esquerdas  .(Fatos notórios, fartamente comprovados. Adiante serão melhor apreciados, com exemplos e referências  ).

Em resumo , o resultado são derrotas . Assiste-se um trabalho político esquerdista  cômodo , confortável , de lento revisionismo teórico , reformista,  com até mesmo luta ideológica branda (eis que o acirramento dela  poderia oferecer riscos a carreiras, cargos, empregos, de muitos intelectuais, por vezes também dirigentes ). Que termina perdendo-se no tempo, com estudos secundários, atividades não prioritárias , distorção de teorias clássicas  . Até quadros políticos serão formados bem adaptados aos limites do sistema capitalista , desde hábitos e ações políticas – até discursos .  Um trabalho mais no sentido de manutenção de um mais arejado capitalismo, flexível, adaptável, sensível a pressões e reivindicações populares, via legal , do que ao  rompimento com ele. Que seria  sempre brusco, violento, repentino , oneroso, para cada indivíduo participante . Nenhuma classe abre mão do poder por razões éticas ou igualitárias ou mesmo de Justiça.  Além disso , ate  porque , também por isso,  a teoria marxista tradicional enfatiza o papel dos intelectuais e da “fagulha”, i.e., de uma ação fora e além do “sindicalismo” tradicional , reivindicatório salarial e de melhorias  , para promover rupturas. O que dependeria ,  essencialmente,  de partido com uma  diferente pregação, organização e ação  , via militantes, intelectuais, ações, programas, palavras de ordem, envolvimentos com a massa trabalhadora, em luta . O que o contexto de dominação capitalista, em análise, jamais permitiria, a repressão e agentes secretos agindo,  previamente . Em último caso, agiria  o próprio IC, hoje, primeiro, via guerras híbridas, sabotagens, sanções econômicas, bloqueios – afinal, se preciso, com tropas. Tal fora exceções, cujo caminho esperto alternativo foi mostrado  pela Coréia do Norte, Vietnan, Cuba , Iran e outros, como a Síria – mais recente , pela Venezuela- com  sólidas alianças, com regimes divergentes do I.C.

Então , para avançar é necessário o aproveitamento do tempo, organização , novos métodos de ação partidária . Isto é impossível nas condições hipotéticas antes descritas – fora houvesse um rigoroso controle partidário , o que não pode ser o caso de partidos nas condições legais  descritas. Tal vai ocorrer e tem ocorrido não só por aqui como em outros países , onde as derrotas e golpes sofridos à esquerda viraram lugar comum, além do envolvimento dela com a corrupção .[E não nos  referimos, em princípio,  aos casos brasileiros do “mensalão” ou do “petrolão”, mas aos mencionados há mais de cem anos por R.L.(“Revisionismo …”)] .

Note-se outro aspecto ,  em vista da legalidade das esquerdas – com a invisibilidade dos agentes secretos da direita, toda aquela corrupção direta ou indireta já até  prevista, historicamente,  passa a ser do pleno conhecimento daqueles agentes. O que não quer dizer que usem-no , de imediato. Todavia , com aquelas informações , ficam em situação privilegiada em relação aos envolvidos em corrupção, seja de que partido forem  – estes poderão serem coagidos ou , direto,  anulados, politicamente,   no momento que interessar ao regime vigente (IC). Aparente, essa situação tem sido usada em diferentes países , em especial contra líderes, por vezes até  presidentes,  “progressistas e/ou populistas”, desmoralizando-os , na medida em que eles  não mais  úteis aos projetos imperialistas do momento .

Outro ponto deve  ainda  ser lembrado – com terceirizações , globalização avançada , “mercados”, etc. mudou a forma de atuação do IC (Wood) . Tornou-se mais difícil a identificação,  para as massas populares , das formas de exploração, do “mercado”, da  manipulação dos trabalhadores,  raras as intervenções com tropas estrangeiras . Este aspecto mais agravado por novos métodos de produção ( via robôs , com  o crescimento da  “precarização”, etc.).Passam a serem exigidas, das esquerdas, desta forma, novas formas de atuação  que, desnudadas, o que ocorre via serviços de informação ,face à legalidade ,  perdem  muito ou toda a  sua efetividade. A Direita está  com todas as condições de informação, ardis , atuação, administração, repressão , legislação  . A Esquerda condicionada pela obediência à legislação , à legalidade, a certos comportamentos, até para que possa usufruir de fundos partidários.

Todo trabalho e ações desenvolvidas  dentro dos limites legais e ideológicos e políticos permitidos por um  regime capitalista ,  nos moldes  descritos, em geral – fortalecem-no e  legitimam-no .E não o contrário. Não  contribuem direto para sua crise,  rompimento, desmoronamento, qualquer ruptura . Apenas criam-se ilusões políticas , por vezes interrompidas por golpes militares ou , atualmente, via recursos mais sutis ,  como “guerras híbridas” , por exemplo. Ou “golpes jurídicos”, métodos tentados , com êxito , em 1964, no Brasil(golpe militar) ,  tendo fracassado , na Venezuela, contra Maduro, um ano atrás; e tentado mesmo no interior do Império  , na  última eleição  , por Trump contra  Biden . Um “golpe jurídico” , que não surgiu efeito face a experiências anteriores lá havidas e  rigorosa vigilância do maior partido opositor – o Democrata.

Ações à esquerda, em moldes “democráticos” ,  como as antes descritas, mesmo reformistas radicais , sem forte apoio organizado de massas,  ou militar também,(o que o regime não permite organizar , legalmente),  vão resultar  no sentido oposto ao pretendido   –  confusão ,  comunistas e socialistas desacreditados, esquerdas  desmoralizadas ,  não levando a quaisquer rupturas radicais e estruturais, à esquerda. Ao contrário , poderão permitir , via golpes ou outros meios , a  ascensão das” direitas” , seu fortalecimento e organização .

Mudanças estruturais e efetivas teriam que serem promovidas  , embora não só,   por algum tipo de ação “especial” vinda de “fora” do “sistema” . Isto é,  envolvendo propostas e atos capazes de romperem o esquema “elástico”, não estático ,  da democracia capitalista , que manipula as próprias oposições , mantendo-as sob limites , cooptando-as e corrompendo-as , usando   fachada democrática enganadora, mas eficaz  , pois formal, embora não substantiva –  material .

A democracia “capitalista” ocidental organiza-se , hoje, ainda usando o estado de exceção como  técnica de governança .Um  regime capaz  não só de manter fachada democrática, na  forma, superfície , como admitir críticas e debates e  oposições,  dentro de certos limites, inclusive discutindo , parcialmente, seu próprio conteúdo. Embora todo esse processo limitado  por normas, com interpretações , via Judiciário , em especial(mas também via atos  administrativos). Hoje, ela usa recursos implícitos , mas não explícitos,  de tipo  especial de estado de exceção –   informal, implícito(Agamben, “Estado de Exceção”). Assim, manobra via interpretações jurídicas e outras( o que, nos EUA, , p.e., permitiu   a guerra que esmagou o Iraque;  e ainda manter o centro torturador de Guantânamo, absoluto fora da lei). Ora, só ações de fora desse  sistema, embora conjugadas com outras “de dentro”,  seriam capazes de mudá-lo em seu âmago , seja  por meio de partidos inovadores e bem  articulados ou movimentos, em condições de atuar nele, mas não serem condicionados, totalmente,  por ele , quanto a objetivos fundamentais. Entre eles,  o de não perder de vista prioritárias  mudanças qualitativas- e não apenas quantitativas, como pequenas reformas pontuais , que perdem-se através do tempo, gerando apenas retardamentos, criação de novos obstáculos, perda do foque no objetivo principal.

Essa situação se apresenta e ocorre porque tal “conjuntura”, fechada em si mesma, historicamente, desde que existente ,  foi depois estudada , planejada , articulada , visando maior sedimentação e não mutação , pelos  estrategistas do grande capital .E  daí testada, experimentada, observada ,  mostrando-se, por décadas , e no campo mundial,  favorável a seus interesses . Daí ser colocada sempre na bandeja política da diplomacia,  negociações e propaganda – uma democracia com direitos humanos. E ser oferecida pelo IC , aos povos do mundo , como a verdadeira “democracia “, a da “liberdade” , com  oposição livre, legalidade para comunistas e esquerdas, eleições por sufrágio universal. Ao fundo , o IC , o grande capital, uma plutocracia apoiada em propaganda eficiente.

Muitas questões surgem, pois,  quando enfoca-se  a da “legalidade” das esquerdas,  sob “democracia capitalista” .Dessa,  derivam outras. Um “jogo de xadrez”, previstos  lances futuros e  resultados , envolvendo o tempo , e ,  dos dois lados,  uma pergunta básica  –  a quem ela mais beneficia ? O esquema descrito visa favorecer os interesses do IC, dando estabilidade e segurança a seus negócios . Há uma legalidade, envolvendo um tipo de regime político e legislação que  beneficiam , em essência,  o sistema capitalista,  os interesses do IC e sua segurança . Mas, com ela, é oferecida aos opositores radicais não capitalistas , que pretendem rupturas, ainda uma armadilha – podem organizar-se livremente, desde que nos limites do regime. E conquistar mudanças , sem riscos ou violência, via legislação em vigor. Cada contendor com suas “cartas” – a “sociedade democrática” o palco ou campo do jogo , absoluto desigual , sob todos os aspectos.

A História mostra que  quem mais se beneficiou e lucrou com a “legalidade” dos partidos esquerdistas  e com essa  democracia “formal”  foi o sistema capitalista . Tanto que até hoje ele persiste  oferecendo-a , embora todas as falsidades e distorções substantivas conhecidas. Então, por que os partidos de esquerda continuam a aceitá-la e dela participar ?

Se o IC mais favorecido com tal tipo de regime ,  por que  opositores radicais insistem em atuar nele , ainda hoje , repetindo erros ?  Por causa, talvez , das derrotas militares, armas nas mãos,   ocorridas  na América do Sul, Central , Europa,  em toda parte , décadas 1960 a 1980, em especial  ?

 As indagações valem , tanto para  ontem como  hoje,  ou para onde e  enquanto existam  democracias ocidentais , ainda que apenas formais  . Até porque elas,  volta e meia , continuam   desrespeitadas,  sob a égide do I.C. Agora , não só por golpes , militares e outros,  violentos , como por novas  “técnicas de governança” , que agem nas entranhas delas ,  em essência abandonados os tradicionais “estados de direito”, só mantidos nominalmente .  Situação  capaz de levá-las a  rumos de extrema-direita , neofascista , com pregações tipo Hitler ,  Deus , Cristo, religiões, família . O que ocorreu em alguns países, como o Brasil . Parece haver , plano mundial,  em experimento , novos métodos de atuação do IC , como assinalou Empoli (“Arquitetos do Caos”) . Atuação que já teria levado ,  diversos países , e via democracias tipo as referidas, não no rumo do socialismo , mas a formas toscas de neofascismo.

À esquerda , décadas atrás , manifestações fora da legalidade, em momentos inadequados , baseados em falsas premissas, análises teóricas equivocadas ,  em diferentes países, levaram partidos e movimentos  , a grandiosas  derrotas e desmantelamentos. Mas, elas não teriam caracterizado , apenas e tão só , mais uma vez , o chamado esquerdismo , fenômeno analisado,  há mais de século,  por WIU? Não teriam havido repetições mal sucedidas daquele velho e conhecido  esquerdismo , com erros crassos , o que apenas confirmaria análises anteriores, do final do século XIX ? Esses erros teriam  induzido , junto com outras condicionantes, a mais erros , agora  no sentido oposto ?  Ou seja, no do oportunismo , reformismo e revisionismo,   este último  capaz de tudo explicar tudo , mas nada justificar .

De qualquer modo, o curso da história tem mostrado que a situação aqui enfocada, nas “democracias ocidentais” , tem gerado mais benefícios à solidificação do sistema capitalista do que à sua ruptura ou avanço , ainda que gradual, no sentido do socialismo , sonho de toda esquerda . Mais ainda – vem demonstrando, últimos anos,  avanços no sentido de uma direita extremada , tosca e radical, com traços neofascistas  – não o contrário.

Aquelas “democracias ocidentais ”, com poucas e bem medidas concessões à “esquerda” , reformas que não atingem o âmago do sistema , assistência social, “bolsas família” para milhões de carentes e desempregados, indicadas até pela ONU e Banco Mundial ,  tem-se mostrado bem mais favoráveis  à manutenção do  “establishment” capitalista  do que aos interesses dos que pretendem mudá-lo . Os métodos  usados por  opositores , para alterá-lo, estruturalmente – tem fracassado. Mais do que hora, pois, de  repensarem-se razões e soluções .

Pesquisar-se –  erros sucessivos de caráter  “esquerdista”, além de espertas táticas do IC e seus agentes , teriam contribuído para, adiante,  desacertos à direita,  no sentido oposto, em diversos países ? Oportunismo tardio , senil ,  beirando ao ridículo ,  acompanhado dos  seus velhos amigos ,  reformismo e revisionismo , como  lembravam mestres, há mais de século ?(*)(**)

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(*)(**)( Original não revisado, o que não impede entendimento. Adaptado para divulgação  apenas de esboço das questões enfocadas .  Não se trata de ensaio acadêmico . Apenas foi  retirado,  o acima , da Introdução, de outro trabalho, mais amplo , sobre  reformismo, revisionismo, oportunismo, não necessariamente nesta ordem.  IC – Império do Capital , termo usado por Ellen Wood ).

 

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