A Esquerda perdeu o “avião da história” e a Direita tomou-o . Por Quê ? Como? o ?

dez 13, 2021 by

A Esquerda  perdeu o “avião da história” e a Direita tomou-o . Por Quê ? Como?  o ?

A Esquerda perdeu o “avião da história” .E a Direita tomou- 0.  Por quê ? Como ?

                                                                                                           Hugo Brandão.

                                       

                                                                              -I-

                                                                                 No século XXI

             Poucas vezes,  ou nunca,  a situação foi tão  favorável a mudanças sociais mais igualitárias do que no século XXI, incluindo-se as revolucionárias . O grande  capital- o capital-imperialista  teve desnudada sua impotência, violência, falta de escrúpulos , crise estrutural e não conjuntural. .

        Entretanto, ao contrário, assistiu-se diversas derrotas dos igualitaristas, digamos assim,  ou democratas , ou mesmo socialistas e revolucionários. Elas batem à  porta de todos os que buscam aquelas mudanças, em diferentes países. As mudançãs esbarram em blindagens políticas, intervenções de todo tipo, golpes idem , mesmo não havendo projetos em sentido contrário e por vezes sequer racionalidade e argumentos capazes de vencer qualquer luta ideológica. As razões para isso ? É possível percebê-las.

           Em nossos dias, não tão difícil entender o que aconteceu.  no Brasil e no mundo , caso da queda de Dilma (2016),por exemplo,  Lula preso e solto e candidato depois (2021) .

     A lenta e progressiva destruição do  país, indústrias, riquezas , conquistas institucionais, etc. ,  com Bolsonaro na presidência , após descarada ação estrangeira (isto ocorreu aqui e em outros países) .Houve e há como entender-se como perturbado tipo , como um capitão sem ética , e problemático , após algum (pouco)  tempo em tratamento psiquiátrico , chegou ao Planalto, à Presidência, e, pior,  com condições de , em pouco  tempo, promover destruição nacionl sistemática , aparelhamento das instituições , desorganização e desinformação popular .

          E mostrando-se, ainda ,  com  condições de promover reeleição e mesmo avanço drástico no sentido pretendido,  por ele e seus apoiadores – no caso , a começar por poderosa fração politica extremista de direita do Império Americano.

            O mesmo vale quanto a uma cúpula militar , hoje  privilegiada , e no poder , via um jogo de “poker -truco” político,  e de corrupção,  que levou o velho e já depredado  estado democrático  de direito , (?!), gerado com a Constituinte de 1986, rapidamente, a um estado de exceção informal, quase que descarado e, por isto ,  formal ,  em  plena atuação .

        É verdade que , ainda, mostra-se  implícito , embora já descarado(com vais e vens da Justiça, manobras , interpretações estranhas, etc.) ,  forma jurídica tomada pelo neoliberalismo , (a respeito, consultar Agamben, G, “Estado  de Exceção” e outros autores),  seguindo, por sinal,  os moldes de seu mentor do Norte , que , de longa data, incorporou Guantanamo ilegal e outros atos fora da lei , a seu estado de direito só igualmente e aparente formal, na verdade a sua plutocracia .

        Funcionou,assim, aliás,  durante anos,  com um Dick Channey, o famoso “Vice”, atuando no lugar do quase marionete presidente Bush Jr . Beleza ocidental capitalista  , pois até há quem continue chamando “isso” de “democracia” , bem como chamam a aberração brasileira(seu regime político, em especial)  de “estado democrático de  direito” – e não de aberrante estado de exceção.

         Realmente, tal  já tema de  livros , com fatos , desde mesmo antes de um  “Fogo e Fúria”, de M. Wolff , nos EUA ,  aos “Os onze” , de Recondo e outro , por aqui , ou aos “Os engenheiros do caos “, de Empoli , na Europa – muitos dados sobre como e por que tal consolidou-se .

           Hoje, até em filmes , como o citado “Vice”,  está retratada , e em detalhe , como dão-se  manobras que anulam a democracia, decisões do Supremo ou de qualquer estado pseudo-democrático. (E observe-se que o filme foi conservador , limitado, assim como outras obras sobre o “estado de exceção”, a forma juridica das “democracias ocidentais” de nosso tempo. Incapazes de respeitarem e submeterem-se aqueles antigos estdosd de direito que, em que pese expressarm interesses dominantes, eram capazes de preservar algun direitos básicos dos que padecem do poder.

           Atenção . A extrema-direita de Straitbart , Bannon, Carvalho , KKK , Trump, etc. tem seu lado de boçalidade, mas também de sutileza e domínio $$$, sempre disposta a ir do melhor ($$$) ao  pior , da corrupção, propina , compra de votos e eleições e políticos e leis, ao  assassinato (vide os Kennedy ou King) , sequestro, tortura .Isto é , da  simples compra e corrupção do dia a dia , sua melhor face , à, hoje,  melhor fotografada  e mais descarada ou violenta , de Guantanamo aos conchavos em procuradorias, ministérios, antesalas de tribunais  . Ah, ela vem manobrando mundialmente, na medida em que o soft power do Império Americano, mesmo mesclado com o hard power de bombas e invasões, não mais dá conta do recado , frente a inimigos mais conscientes e dispostos, com aliados também municiados por bombas nucleares.

           Por aqui , de algum tempo para cá, a ponto parece ter sido via incentivo  do filósofo americanófilo , Olavo  de Carvalho, manobrando desde os EUA ,  e,depois, da evidente carente e fraca de caráter  família de milicianos-rachadinhas – os famosos  Bolsonaro. Estes,  hoje , mundialmente, mais famosos e na ordem do dia do que os Corleone, do “Poderoso Chefão”, de Mário Puzzo. Aliás, a origem do poder desses falsos extremistas de direita (falsos porque, per se, não tem qualquer ideal ou crença política, fora ascensão social fácil , isto é, busca do “ter” e do “representar”, sustentados por terceiros, não importa quem . No caso, por aqui,, inicialmente, pobre milicianos, e funcionários terceirizados ou de segundo plano de assembléias legislativas ou câmaras, deles tomando , ilegalmente , os ganhos, na verdade assaltando os cofres do Estado. Mais tarde , tanto faz como antes fez, sustentandos pelos bolsos carrregados de dólares do Império do Capital , mesmo que por sua fração minortitária ainda,extremista, mas generosa , financeiramente, com seus adeptos e soldados – assim, fácil deve ter sido engajar a soldadalha deseducada e com caráter fraco – bolsonarista. Como se vê, um sustento muito ,  muito mais sólido e além daquele dos Corleone, fichinhas perto de um Trump, Bannon  e outros, parte do Império do Capital e seus anseios de poder mundial, desde as origens justificando-se via manipulações religiosas .

                                                                                          -II-

                                                                     Então, o que aconteceu  ?

 

               Apesar de sempre atrasados, os democratas e “esquerdas” locais ,  nos seus aviões teco-tecos , e via seus intelectuais mais empenhados em prestígio pessoal e carreiras sólidas (com rendosas viagens ao exterior , mais bolsas de estudo ou pesquisa)  do que em efetivas reformas democráticas , capazes de representar avanços populares , e muito menos em revoluções de fato , correram atrás para entender situações como as referidas . Em que ,  muita atenção , já são usadas  tecnologias mais recentes(uso de diversas redes sociais, algoritmos, internet, etc.).

           O que aumenta-lhes a dificuldade de manobras políticas e divulgação de idéias, assim como dos partidos que apoiam ou que servem. Ainda assim, eles tentaram “fotografar” , retratar, embora tardiamente, o que se passava.

            Para tal,  rabiscaram ,  linhas gerais , resumo do que se passava e percebia, caso não só do citado livro de Empoli , como de outros , caso, por aqui ,  de  “A Nova Direita”, de Casemiro , ou , nos EUA , da “A era do capitalismo de vigilância”, de Zuboff ou , voltando para o Brasil, “A era do capital improdutivo”, de Dowbor . Isto , para não lembrarmos o famoso “O capital no século  XXI”, de Piketty , de mais de década.

            Todos bem  documentados e enfatizando origens , não só de ações e causas , como da  desigualdade máxima e crescente caracterizada ,  a nível mundial, sob a égide do grande capital-imperialista  – isto ,  além da comprovada decadência e improdutividade do capitalismo americano , a nível mundial , sem condições de promover igualdade mínima, ao contrário , todos demonstrando a consagração da desigualdade a nível máximo, com grande potencial de revolta. A ponto deles se perguntarem – e por que elas não aconteceram como poderia prever-se ? Piketty chega a essas indagações e dá resposta – pelas efetivas e espertas intervenções políticas sobre tais situações. A forma dele referir-se é mais amenas, a nossa mais clara – golpes, abortos políticos, desinformação , assassinatos, torturas – contra os que avançaram a ponto de efetivas revoltas.

            Isso acima para não enfatizar-se demais ou  fazer-se maior referência ainda ao acima referido Piketty, tornado quase  herói dessa fase de capitalismo em crise ,  desesperado por saídas lógicas e não catastróficas.Exato  o que o economista europeu indica e sugere, o mais  pacificamente possível , no seu  livro, do agrado , por isso , é claro , do neoliberalismo ocidental dominante . Propõe algo bem mais civilizado ,progressivo , concessivos, modelo bolsas-família e outras soluções tipo ONU , com taxações progressivas de grandes capítais, fortunas , heranças . Algo bem diferente daquela rigidez e ambição incontrolada de poder e finanças e riquezas que levou classes dominantes a nível mundial e um poder policial-judicial ao nível americano a catástrofes tipo as ocorridas no Vietnan ou Afeganistão , entre outros .

                                                                                           -III-

                                                         Como sobrevive o capitalismo ocidental?

         Os vários tipos de golpes, guerras híbridas, invasões , armadilhas, financiamentos, mentiras descaradas, torturas evidenciadas e comprovadas – confirmam o que Piketty  bem percebeu. O que ele chama de “ações políticas” atuando para evitar a efervescência e revolta social – com resultados efetivos. E que nós chamamos  de abortos políticos da História , isto é , a violência agora não como parteira da História, mas aborteira . Sempre coadjuvada pela corrupção, infiltração dos serviços secretos , assassinatos seletivos – e intervenção violenta , se preciso.

          A sutileza desses abortos históricos, (ações políticas ou intervenções militares ou incentivo a ditaduras , sob a capa já  descolorida de “lutas pela democracia”) – só  tem aumentado.

           O controle do Google e outras corporações sobre milhões de pessoas  , comprovado por teóricos até de Harvard(Zuboff, “A era do capitalismo de vigilância”), com corporações privadas controlando instituições públicas e fiscalizando-as,  absurdo legitimado  pelo uso(?!), ao menos no Ocidente , e, sabe-se lá , talvez também no Oriente .

         Quanto às “guerras híbridas”, seu uso tornou-se  cotidiano até por aqui – vide o poder dos que atrás do “golpe” que rápido derrubou Dilma , anulou Lula, e,  quando convém , mostra ter força suficiente até para relevantar,  politicamente, o antes destruído  Lula e seu prestígio . “Guerras híbridas”, de todo tipo, com muito $$$ ,  caso de Ongs , instituições “democráticas”, empresas avaliadoras de índices de democracia, jornais, editoras, redes  de televisão, etc. E o maior poder militar do mundo por trás – sempre – e atuando desde discretamente (mais de 800 bases militares pelo mundo) a ostensivamente.

          Ao fundo , aparente gozando de democracia e liberdade , livres para morar nas ruas , comer ratos, e vender muito barato e sem legalização sua força de trabalho, grandes massas populares controladas por tecnologia de alto nível, ciências comportamentais prevendo comportamentos e gostos , com amplo campo para exercer suas técnicas e trabalhos , via controle de massas por corporações bilionárias, utilizando os famosos e conhecidos algoritmos. O tabuleiro do jogo está posto na mesa , os limites estabelecidos pelo neoliberalismo .

        Do mesmo modo que juiz , jogadores, regras . O povo , em sua maioria, jamais vencerá este jogo . Ao fundo, progressivamente, totalitarismo, alto-falantes modernos inculcando valores – redes sociais, smarts, distribuídos até de graça na Índia, redes de tv , e a velha força policial ao fundo . A ameaça de torturas no ar – o medo como condicionante social , a mais poderosa . A famosa série Round 6, da Netflix , dá alguma noção do que se trata e de que mundo se prepara para as grandes massas de nosso tempo.O jogo já está tão claro, e deve ser assimilado e aceito por todos, que não há sequer o que esconder- livros são produzidos, sem restrições ou censura , críticas idem, e até filmes com imagens poderosas. Todos devem ir desde já preparando-se e condicionando-se . Por isso, a divulgação.

                                                                                           -IV-

                                                           Vitória ideológica :mentes e corações 

 

       Os avanços tecnológicos vão-se  reproduzindo em todos os campos, em especial  no campo digital e eletrônico , com  espantosa  rapidez.

          Antes , os diagnósticos e entendimentos sobre as rápidas transformações políticas no Brasil e no mundo apareciam , aos poucos, caracterizadas em livros, vídeos, relatórios . Isto embora afirmada a decadência do ensino em várias partes do mundo, crescente desinformação com objetivos políticos, fake news como um comportamento  comum e pouco punido – guerras híbridas, capitalismo de vigilância, estados de exceção , etc. Tudo razoável  caracterizado , ao menos para os mais atentos estudiosos .

             Pouco importa a queda generalizada do nível de educação das classes mais baixas . Ao contrário, tal favorece o mundo totalitário. Eis que , no mais alto nível social, há verbas , tecnologia cada vez mais sofisticada , capital humano , como eles mesmo chamam , de altíssimo nível –  tudo dedicado a manter dominação , supremacia, impedir revoltas e insatisfações .Para isso, celulares, smarts, filmes de todo tipo, tentativa de satisfação do gosto de cada camada ou estrato social  – de forma cada vez mais seletiva e sofisticada.

          As grandes corporações privadas atropelando concorrentes menores , avançando sobre o terreno público , passando por cima , via  financiamentos e corrupção , dos executivos, legislativos e judiciários .Culminam , de fato ,  por comprar leis , constituintes, constituições e países, pelo volume de seus recursos , audácia, organização e fraqueza  de caráter de seres humanos educados  sob o capitalismo, om sociedade em que o dinheiro passa a ser a medida  de tudo, anistiando , ao final ,todos os ilícitos porventura cometidos .

            O sucesso e a cobertura legal , mesmo que injusta e até absurda, representam o manto diáfano branco como a neve capaz de encobrir , quase totalmente, os mais descarados corruptos e criminosos – aí o caso de um Trump ou Bolsonaro e muitos outros, que vão muito bem , obrigado,  soltos, lépidos e fagueiros. Em que pese algumas acusações e tentativas de reverter tal situação. O que parece significar que a tática parcial soft power do Imperio do Capital está prestes a ser abandonada e substituída pela do hard power , segundo alguns a única capaz de enfrenar , nos dias atuais, massas mais conscientes e organizadas , em especial em alguns países que já não aceitam , passivamente, os ditames do Império do Capital. A temperatura mundial esquenta, em todos os sentidos. Um Biden não se acha seguro, o que significa aqueles de sua fração política , muito menos quando um Putin e Xi apertam as maõs no Oriente e acertam ponteiros.

                                                                                     -V-

                                                            Dentro da armadilha neoliberal 

            É nessa armadilha em  que todos ou a grande maioria(?!) de nós se  encontra – e , em relação a ela, e sua atual posição,  tem que decidir o que fazer- sobre sua privacidade, liberdade , futuro seu e de familiares, amigos, herdeiros .

           Podemos referir-nos , assim,  a tal situação , desde que a grande maioria  dos povos não percebeu, até hoje,  o  antes descrito – onde exato nos encontramos. Para começar , todos sob controle do Império . Situação que ,  embora comprovada e descrita em livros e estudos,  expostos em bibliotecas  e universidades e currículos , resultados de teses e pesquisas, uma grande maioria de jornalistas e mesmo intelectuais recusa-se a encarar .

           Muitos por comprometidos com os regimes e sistema capitalista-imperial aberrante , outros porque duvidam do que estão vendo e , percebendo, que tudo  chegou-lhes muito rápido , numa rapidez que não se compara a mudanças históricas anteriores – acham que duvidar é até científico, havendo precedentes .Terceiros  , poucos, percebem , de fato,  tudo isso, até porque preferem não enxergar tal situação. E se o percebem, parcialmente,  não as soluções , com planejamentos efetivos , o que é muito mais complexo.

           Então , culmina-se  por chegar a  proporem impostos progressivos , para ser diminuído aos poucos,  tal poder dominante ; ou,  simplesmente,  apelos ao próprio lobo para que seja mais bonzinho com as ovelhas , nós todos, a grande maioria,  caso de alguns dos teóricos antes citados, estrangeiros e nacionais.

              Embora tudo indique que a situação real vivida pelos povos do Ocidente seja essa, quiçá do Oriente, insistamos , pouco conhecida por aqui , o foco passa a estar sobre a  questão  daí derivada –  é possível sair  desse “buraco”, prisão sutil e aparente agradável , com  filmes, vídeos, informações, aparente  liberdade, alguns com belas casas e certo conforto ? [ E esta parte Marcuse, há décadas , bem explicitou – um lado , conformista , passível de ser oferecido pela sociedade industrial de alta tecnologia,  já então implantado em outra etapa ( “A ideologia da sociedade industrial ” e “Eros e a Civilização”) . Ou nos conformaremos com essa situação para o todo e sempre ? Ou  estaremos condenados  a viver nela e para ela durante décadas , gerações,ao menos, como ja vem ocorrendo, a depender do”livre arbítrio” daqueles que estão no alto da pirâmide de poder , claramente definida e até percebida ?

       No momento , toca-se música não tão  desagradável para um razoável número de pessoas, de melhor conhecimento e percepção, o que é poder .Embora haja outra percepção ,  terrorífica, assassina e mortal para a grande maioria dos sem casa, sem emprego, sem perspectiva , sem planos de saúde , vivendo de auxílios demagógicos, ao fundo propostos por aquela ONU , mais organização de desunidos com fachada formal mascarada , do que nações unidas . Não há como não lembrar . Essa música, qual seja em qualquer parte do mundo , e os dominadores sempre gostam de tocá-las para entreter os que padecem do poder,  lembra , inadvertidamente, aquele  tango da morte que os nazistas tocavam para massas judaicas e outras , a caminho das câmara de gás, como a História Mundial, séria, nos ensina.

                                                                                               -VI-

                                                           Refletindo sobre o logogrifo

              Um tom , uma música , que pode ser distorcida ou emudecida  a qualquer momento, atingindo mais e mais pessoas . Em especial as que perceberam a armadilha e tendem a denunciá-la para mais gente. Concessões e facilidades,  ainda que falseadas, para alguns , não todos , nunca , pois ao fundo permanece a miséria, mentira, manipulação  das  pessoas elevada  ao último grau,  sendo vidas cortadas , em diversas partes do mundo, inclusive nos EUA, em que já se denunciam dezenas de milhões de pessoas desabrigadas e passando fome – o caminho da morte , necessária para que nesse jogo e sistema, outras mais fortes e poderosas possam sobreviver – e em melhores condições. O $$$ ou banana e mover-se à frente de cada burro , atraindo-o, enganando-o, para que ele possa continuar a andar , sonhando com o prêmio , enquanto tal for interessante para os donos que o colocaram ali, frente ao focinho dele.

        Fora as óbvias e indiretas resistências , com  discreção , “educadas”, limitadas, para evitar violenta repressão , apenas desconfiança natural e pequenos reclamos de todos e cada um , aos  órgãos estatais diversos, daí sendo aplicadas  multas até  vultosas para um do povo , mas que para essas big corporações nada significam –  pouco tem-se feito para alterar essa situação – aqui e alhures. Meros protestos , ou passeatas, ou gritos esporádicos, já pouco efeito fazem – todos passaram por isso muitas vezes, viram os resultados negativos, não querem repeti-los eternamente. E  , doentios, famintos, física e psicologicamente, precisam sobreviver ,guardar as poucas forças, até esmolar é mais interessante do que bater cabeça , seguidamente, contra pedras, sem ver resultados.

           O que se tem visto são derrotas. Desmoralização , capitulação , desinteresse , adesão , uma cooptação progressiva ao poder por  partidos e movimentos de quem se esperaria reação, defesa  de  direitos humanos e individuais, do estado democrático, dos direitos humanos , da privacidade, da dignidade da pessoa humana, de igualdade mínima entre cidadãos. Estão legalizados, financiados pelas próprias forças dominantes, a ela submetidos, cumprindo as regras delas – sabendo, ainda, que elas as descumprirão se sentirem-se perdendo o jogo. Golpes já fazem parte do cotidiano das massas mais politizadas. As outras, analfabetas ou analfabetas funcionais, nem sabem o que é isso – são tocadas amis ou menos como gado , ovelhas ou porcos rumo ao corte, dentro dos centros de produção.

                Muitos povos, a grande maioria, parecendo anestesiados , talvez por tanta informação , acenos de esperança e riqueza, como  os da série “Round 6” citada ,  muitos precarizados e sofredores expelidos pela  parte de cima da sociedade . Empurrados a trabalhar e  lutar apenas pela sobrevivência miserável. Educação insuficiente, doenças físicas e mentais, fome  , ausência de recursos – tudo contribuindo para a passividade e derrota, na maioria das vezes repetida inúmeras vezes – a esperança esborrachada no chão. Alto nível de ciências comportamentais, condicionamentos impostos a grandes massas, cientificamente programados – em curso. Elas, suportando repetições de sofrimentos, mortes, descasos, injustiças – já não se  impactando com elas. Isto está provado por testes e experiências comportamentais.

                                                                                             -VII-

                                                                                  Há saídas ? 

             Evidente que para impedir fugas ou saídas todos os recursos deverão serem usados pelos que exercem o poder . O que significar também recursos atômicos. Já o usaram antes, matam milhões sem eles. Por que não usá-los quando caso imprescindíveis, se a situação extrapolar … é claro.

              Como sair fora disso ? Difícil, ou impossível, tao cedo,  com utopias delirantes, voltadas para modelos de décadas atrás , sem atualização  e raciocinando dogmaticamente.

           Também não há solução quando Hobsbawn lembra Bloch, com seu “Princípio da Esperança”, de décadas atrás , embora faça-lhe justas restrições .Ainda assim, destaca “partes …brilhantes…estimulantes … “e menciona …”notável discernimento …”, culminando em digressões filosóficas – “ tipo … a alienação termina com a descoberta, pelo homem(“um ser oprimido e desaparecido”), de sua situação verdadeira. Porque não é todo dia que somos lembrados com tanta sabedoria, erudição,  inteligência e domínio da língua, de que a esperança e a construção do paraíso terreno são o destino do homem”.(“Revolucionários”, “O princípio da Esperança”).(grifo nosso, não do Autor).

        Hobsbawn escreve em 1961 e, já então, mencionava que“os homens desconfiam do mundo ocidental e não esperam  muito do futuro …”

       E assinala  que mesmo “…o sonho dos famintos, um continente repleto de comida farta e programas  de televisão,transforma-se numa  realidade de úlceras e degeneração gordurosa.”

          A crise e desigualdade de hoje são  muito maiores do que então , e dentro do país matriz e sucesso do capital-imperialista,EUA,  de lá para cá preservados seus valores e tecnologia via bombas e recursos como os antes descritos , mascarados por fantasias democráticas e urnas viciadas , compradas por Adólares e corrupção descarada – e isto já Jimmy Carter , ex-presidente dos EUA, denunciava,  há décadas. (“Formação do Império Americano”, Moniz Bandeira ).

                                                                                              -VIII-

                                                                    Crise gera oportunidades ?

                  De lá para cá, de 1961 para um quase 2022 , 60 anos – em que as coisas se complicaram e agravaram , o chamado neoliberalismo esfaqueando , com motivos claros, de seu ponto de vista , as democracias, mesmo que limitadas – a ordem do dia é neolib eralismo, totalitarismo, estado de exceção . Os projetos autoritários cedendo frente aos totalitários bem elaborados , apoiados por massas confusas – ao fundo de toda essa história, o mesmo grande senhor, por trás dos  googles da vida , surgidos no meio militar : o Império do Capital, diria Wood , entranhado com seu comprovado e implacável complexo industrial-militar .

            Hoje , só detido , parcialmente, em seu projeto de  dominação mundial  genocida pela expectativa causada por milhares de artefatos nucleares para ele apontados –por seus competidores  chineses, russos ou mesmo coreanos.

         Aqui , América Latina, parque consumista e produtor de commodities , bem dentro da área protegida do colosso imperial , importante para suas defesas e sobrevivência , já dada uma grande  “rapada política” nas  esquerdas , dos principais países latinos,   décadas sessenta e setenta,  eliminando-se  lideranças, ameaçando-se , torturando  , esmagando instituições democráticas.

            Evidente, os que exercem o poder não permitirão  reforma  alguma  além de ponto  mínimo que não  toque em seus lucros e interesses  básicos pretendidos – nem permitirão a criação de novos rivais.Isto torna-se  mais verdadeiro  quando enfrentam crise estrutural e não conjuntural.  Não o permitiram , de forma descarada,  por séculos, e quando de seu auge econômico ,  como  bem anotou até um isento Chomsky. (“Para entender o poder” e outros estudos ) .

            Por que o fariam agora, em posição de força bem melhor do que a  de décadas atrás , mas de situação econômica inferior ,  no caso brasileiro, por exemplo,  enfrentando   resistência tão menor ? Isto porque suas táticas de infiltração , legalização, corrupção, cooptação , etc. das esquerdas -foram muito b em sucedidas .

             O que, aliás, demonstra o quanto o Brasil , como país soberano , foi debilitado todos esses anos, em especial depois da tal “distensão democrática”, pós-regime terrorista , quando ainda se mantinha com certa dose nacionalista, pró-soberania e independência.  Talvez por isso , então, se falasse muito em “democracia” e “diretas”já ,década 80 , agenda do regime terrorista em retirada ordenada  .Mas, muito pouco nas  questões econômicas ou de soberania e independência nacional. Isto para depois implantar-se uma “democracia” de instituições deturpadas, num “jogo da direita” bem planejado, inclusive co m um”Centrão” que sobrevive em nossos dias . Situação que sucedeu anistia ditorcida e distensão lenta e gradual de acordo com interesse do antigo regime terrorista.

                                                                                            -IX-

                                                                                  Conclusão

        Nem nas análises de Shoshona , Bloch, Dowbor ou outros são apresentadas soluções e caminhos mais efetivos para a situação descrita – caminhando para o totalitarismo , precedido de genocídios  . Nem mesmo pregações tipo “caminhemos para ver como é que fica”  ou “durante a caminhada   escolheremos  ou construiremos o caminho”.

           De outro lado , no fundo , há  a proposta de sempre de  pedir pequenas concessões ao poder dominante , a caminho do totalitarismo(?!).  Em outras palavras, progressivas  e lentas e tranquilas reformas. Cabível ? Sabe-se bem os limites impostos pelos poderosos – bem anterior de estarem colocados em risco seus interesses e poder  – já assinalamos . Eles , a essa altura do “jogo mortal”,  são peritos no uso da violência como aborteira da História. E aperfeiçoaram diagnósticos e remédios preventivos – tipo guerras  híbridas ou , mais sutis ainda, os do “capitalismo de vigilância”, via algoritmos.

         Possível os autores citados não quisessem deixar povos e leitores sem saída racional e tenham culminado em buscar saídas em quase utopias irrealizáveis , como provável soubessem e a História o tem demonstrado. Classes dominantes não  abdicam do poder sem luta – e são capazes de irem à guerra atômica, até memos quando  não necessitam dela , de  imediato , para sobreviverem.  Nagasaki e Hiroshima chacinadas demonstram-no .

            Como sair de um controle, a caminho do totalitarismo , e de tal nível , escorado pelo mais forte poder militar do planeta ? Teríamos que apelar à volta a tempos primitivos , pela importância da comunicação, eis que lembrados seja por um moderno Google ou  por um velho Freud , este com  sua ênfase nos instintos os mais primitivos, que dia a dia  nos alertam e protegem .E que talvez agora, de forma mais sutil, estejam colocando-nos tais logofrifos.

              Apelar para elites de classes dominantes, elas mesmas responsáveis por tal situação ? Sendo que já demonstraram, através de séculos, sua completa frieza e descaso frente à morte de milhões de pessoas.

                Recorrer , como faz o povo simples e confuso , aos com bíblias e constituições e metralhadoras nas mãos , todo o tempo fazendo  provocações, insensíveis, desejosos de matar e  agredir , defensoras de torturas ? Quer dizer , numa situação e pregação muito diferente do cristianismo original e querendo atrair massas para tal , na verdade consistindo numa mera tática dos que exercem o poder visando o totalitarismo?

                    Voltar-se-ia ao campo do idealismo , nessas circunstâncias terroríficas  , obrigados a tal , ou seja, ao mais nefasto a quaisquer  sonhos de humanismo e civilização ? O Brasil atual , de  fome, miséria, crise, desigualdade , desinformação  , falsa e hipócrita religião , o estado laico sendo sepultado –  nos mostra o mundo  real para onde avançamos pouco a pouco.

                        Crises monstruosas , com mortes e violência de todo tipo , o que já tem havido em diferentes localidades  do Rio( policiais militares massacrando , a  êsmo , populares e não bandidos, por vingança), tais coisas sequer desencadeando efetivas e influenciadoras  reações populares, mas servindo de motivo para massacres. Escravos de nascença tem muito mais dificuldade em aprenderem a reagir, ainda mais com curtas vidas. Vivemos , brasileiros e parte do mundo , tais crises. Embora assinale-se que crises podem envolver oportunidades. Verdade ?  No caso , quais ?

           Seria hora de criticar métodos, ações, velhas técnicas e teorias políticas , embora a partir delas buscando-se mudanças e adaptações ? No caso , uma luta envolvendo igualdade , mudanças qualitativas , o que só é próprio das esquerdas , no plural,  dando-se amplitude ao termo, admitindo-se  tipos de interpretação teórica e estratégias diferentes.

            Mas, vivemos dias  em que há esquerdas que não o são , apenas assim caracterizadas pela big mídia imperial , a qual  convém tal afirmação – porque o fracasso dessas atinge e prejudica as outras,  mais sérias e responsáveis – e acatadas e perseguidas , pois reais defensoras de maior igualdade social.

       Nesse sentido, não é de esquerda quem apóia o capitalismo imperialista e sua práxis. Só quem discorda dos regimes desigualitários e até autoritários e neofascistas por ele apoiados e também de seu próprio sistema, intrinsecamente desigualitário e explorador . (E é significativo que tal tema, superado pelo tempo, tenha que voltar a ser discutido em nossos dias, pelo enfrentamento direto com essas questões, que voltam à ordem do dia).

       Se vivemos época de ampla cooptação das próprias esquerdas, sem aspas  ,  pelas “democracias” , hoje,  apenas autointituladas sociais ou do bem-estar , o mesmo vem acontecendo com intelectuais, mais empenhados na luta por prestígio  pessoal  e títulos do que por qualquer programa de mudança social – oportunismo, revisionismo , reformismo  , em moda há décadas – novamente na agenda atual .

         A “trinca” de vícios citada  assimilando , como se fosse algo natural em pleno século XXI , sucessivas e bem evidentes derrotas políticas e sociais. E ainda defendendo aqueles que as originaram , naturalmente mais benquistos pelas classes dominantes , e mesmo populares, do que os “radicais” que pregavam diferentes estratégia e táticas – não as das eternas conciliação e submissão aos poderosos. Por isso mesmo , muito mais populares, pois , disfarçadamente, apoiadas pelos mesmos que exercem o poder – dão-se ao luxo de escolher os adversários, em especial  no caso do uso e sonho contínuo com as eleições “burguesas”ou aquelas das sociedades ocidentais, ao fundo geridas por plutocracias ligadas ao Império.

       Vivemos tempos de esquerdas não bem definidas, projetos  idem, sem elas poderem defender algo mal conceituado , que seria o “socialismo real” , que nunca existiu , segundo os próprios teóricos autores dessas teorias, de um Marx/Engels a Lênin/Rosa Luxemburgo  .

          Pior , um “comunismo” ,também mal definido por má-fé evidente,  agitado pelos detentores do  capital , capaz de servir de espantalho para crianças e ignorantes, e de ser auxiliar das religiões permitidas, promovidas com o objetivo de cultivar-se maior conformismo e submissão aos interesses  dominantes  – causadores de fome, miséria , doenças.Fecha-se o jogo e os limites do tabuleiro , os do neoliberalismo totalitarista.

               E então ? Se à esquerda “dorme-se” demais , que pelo menos dessa letargia retire-se um “ócio criativo”, como queria Domenico De Masi. Com condições para que  surjam reflexões sobre novos tipos de partidos, de usos da internet , de recursos  digitais , algoritmos, melhor reflexão sobre o “capitalismo  de vigilância”, repensando-se novas formas de organização ,movimentos e lutas.

               Que se imaginem novos tipos de hackers , agora do “bem”, da democracia , da liberdade , dos direitos humanos, que consigam dar segurança a comunicações sem controle total estatal de minoorias , buscando-se recuperar a primitiva liberdade e privacidade mínimas .

            Mesmo que , ao contrário desse caminho,  durante  algum tempo, tenha-se  que voltar à comunicação por cartas , por exemplo, ou  ao uso de primitivos mimeógrafos , ou à tentativa de trocas de idéias através de pequenos grupos e cartas e bilhetes levados por mensageiros . Que absurdo?!

            O fato é que , sem pensar coisas aparente prosaicas,  como essas, jamais  será superada  tal situação . É preciso pensar  caminhos para fugir a tais armadilhas. E elas parecem serem tão agradáveis para  alguns, de certo nível , em especial intelectuais necessários à mudança dessa situação ,  que eles colocam-se dentro delas felizes e satisfeitos , exibindo-se nelas aos gritos públicos, com poucos reclamos e pretensões .

            E sobrevivendo, quando políticos ou poliizados, direta ou indiretamente,  com verbas  de fundo eleitoral e/ou partidário, com até salários para   dirigentes. Sem contar os milhares de benefícios especiais dirigidos pelos estados neolierais  para aqueles eleitos dentro do sistema eleitoral vigente nas “democracias”.

              Nada estranho que jamais consiga-se mudanças efetivas,  nesse contexto. As “elites” , de  um lado e  de outro,  não tem qualquer motivação  efetiva para tal . Muito ao contrário. Nada estranho que se unam na manutenção do status quo . Há , então, que enfrentar lutas à esquerda e à direita , como as contra partidos que apenas autointitulam-se democratas ou comunistas e , de fato, estão muito longe disso. Quem sabe fundados por direitistas extremos para melhor confundir e enganar ? No contexo hoje vivido, tudo é possível e motivo de insegurança e dúvida.

                                 Hora de refletir . Dar a volta por cima , fazer do limão amargo uma limonada, etc. ? A que preço ? É possível ? Se não , buscar outros caminhos . Atenção .  E reflexão  , maior ainda  , sobre esses temas. Que , aparente, são elementares, simples , prosaicos.  Serão mesmo ? (*)

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(*) De dentro da “armadilha neoliberal” .Original não revisado  , o que não impede  entendimento.

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