Dia dos Mortos e dos Muito “Vivos”

nov 12, 2017 by

Dia dos Mortos e dos Muito “Vivos”

* dois artigos para reflexão  *

                        UM

     Os Mortos Vivos : A Bruxa Está Solta

Aylê-Salassié Quintão*

            Morre-se em agosto, ressuscita-se em novembro.  É finados. Os mortos vão inquietar o espírito de pessoas que têm medo de assombrações, ocupando espaços nas ruas, nas igrejas, nas casas e nos corações. As lembranças de parentes e amigos mortos os libertarão na memória, em conversas, sermões nas igrejas e visitas aos cemitérios. Esses ausentes estarão imaterialmente presentes na vida dos humanos.  Pela internet será possível conversar com milhares, senão milhões. E-mails não cancelados são utilizados pelos mais próximos e também pelos políticos,  com o fim de  celebrar seus mortos ou usá-los para as suas conveniências.

         As manifestações sempre surpreendem por excessos de consternação, pela irreverência da juventude e pelo seu caráter virtualmente aterrorizante.  Inspirado pelo Halloween, há quem pratique atos de extrema violência. No Pará, no município de Altamira, foi preso há alguns anos um grupo de místicos que seqüestrava  crianças para extrair delas os órgãos genitais, e transformá-los em objetos de rituais ocultos. Em Brasília, sem pedir para ninguém, o patologista retirou, na autópsia, o coração de Luís Eduardo, ex-presidente da Câmara, filho de ACM, e o guardou num armário: “interesse científico”, justificou, ao ser descoberto.

           Reproduzindo o comportamento de pessoas infectadas pela peste nos séculos XIV e XV, na França,  nesse período,  um grupo de pessoas cobre alegoricamente o rosto como se fora um morto-vivo. Multiplicam-se daí as missas, as festas dos defuntos, as danças macabras para homenagear os mortos e os que estavam próximos ao desenlace da vida. No México, ao contrário, e em alguns países da América Central, os familiares promovem verdadeiros banquetes dentro dos cemitérios com o propósito de atrair seus mortos para a vida.

   Imagem relacionada          A semana dos mortos é hoje cercada por um espírito meio burlesco. Fantasiada de mortos vivos, fantasmas ou feiticeiras, a juventude realiza enormes festas privadas, encenando a presença dos mortos na vida real. Retornam à  Idade Média, quando fiéis adornavam as paredes dos cemitérios em Finados, com imagens do diabo puxando para as campas  papas, reis, damas, monges, camponeses, leprosos e políticos . Afinal, a morte não respeita os mortos, e nem os vivos.

            Mas, seguindo os passos dos sírios que festejavam seus mártires,  nos anos 600, o Papa Bonifácio IV transformou o Panteão romano, dedicado à Santa Maria,  em um lugar para  homenagear santos e mártires com vigílias e orações. Fixou, para isso, o dia 2 de novembro. A data chegou aos britânicos, sobretudo da Cornuália, por meio dos exércitos e ganhou o nome de AllHallow’sEve (Vigília de Todos os Santos). Contudo, os protestantes a abreviaram para   Halloween  caracterizando-a  como o Dia das Bruxas.  Recuperada aqui e ali, a tradição pagã sobreviveu em pequenos grupos e em algumas liturgias dentro do próprio cristianismo.                  

                Atuando como médiuns de familiares vivos e mortos, e administrando os espíritos dos que retornavam para visitar seus antigos lares, os sacerdotes druidas foram transmitindo  clandestina e oralmente seus segredos as gerações. Orientavam os jovens soldados à luta, pregando que os mortos habitavam um lugar onde não havia fome, nem dor. As reinterpretações contemporâneas terminaram  por agregar, entre vários povos e religiões, a ideia da busca do paraíso. Na modernidade, tornou-se motivo de agitação  lúdica entre os jovens,  com festas de mortos-vivos, mas serviu também de inspiração para o Estado Islâmico. Os pagãos não tem templos. Em Brasília encontram-se se, vez por outra, no Parque da Cidade.

*Jornalista, professor, doutor em História Cultural

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   DOIS

                               OS VIVOS , OS MORTOS 

                                                    E

                                   OS MORTOS VIVOS

      Em nossos dias e sociedade doentia ,nem  os mortos são deixados em paz, mas ao contrário usados e manipulados ,tirando-se do cadáver ,e até do hipotético cadáver , o lucro possível .

     Recupera-se , “socialmente o resíduo produtor “ (…) de modo mentiroso e dissimulador , caso dos políticos, quando até o mais vil “é louvado junto ao sepulcro como alguém “dedicado ao bem comum .“

                                                                                           (Jean Ziegler”, “Os vivos e a morte”).

  

   (Caminhandojornal.com/redação)

 

          Dois de novembro. Dia dos Mortos. Cada um lembra seus parentes, amigos mais chegados que se foram, pais , mães, avós,primos, quando não filhos, amigos ,companheiros.Lembranças,lições, momentos – que continuam vivos em nós. Mais de 61 mil mortos por ano, assassinados, no Brasil. Dia a dia , balas ” perdidas” matando nas favelas cariocas. Crianças , policiais, mães e pais . 

         Mas, também não há como esquecer aqueles companheiros, ou parentes,  que, mortos em circunstâncias não naturais , de alguma forma  ainda nos inquietam , de modo especial,  isto é, tanto sua morte como a manipulação dela, bastante evidente,  causando irritação e ,até pode-se dizer, indignação – vítimas da chamada “ditadura militar”, instalada desde 1964, logo um regime terrorista hediondo .

         É o que nos causa  , por exemplo , o ocorrido com  antigos colegas estudantes da UnB, Brasília, Brasil, caso de Ieda Delgado, Paulo de Tarso Celestino e , o mais conhecido, Honestino Guimarães, que até  tornou-se, em Brasília, nome de uma  ponte ,atravessando o Lago do Paranoá. O que, ao fundo ,  nada consola, ao contrário faz desconfiar tanto quanto às origens do ato/homenagem  como dos resultados efetivos dele- psicológicos ? Quais ?

         De fato, não se  trata, no caso, sequer , propriamente, de “mortos”, mas da categoria “hitlerista” , aqui abrasileirada , de “desaparecidos forçados”,      uma espécie , takvez, de especiais mortos – escondidos pelos terroristas  .Os  seus corpos tornados desaparecidos,há décadas , deliberadamente, , prática iniciada  por Hitler (Segunda Guerra Mundial),e ,depois ,utilizada na Argélia e de lá trazida ao  Brasil, inclusive por torturadores militares franceses.

            O objetivo seria  mais macabro e efetivo que a própria morte  –  atingir mentes, corações, amigos, famílias ações futuras dos ainda vivos , herdeiros, descendentes   , relembrando sempre sofrimentos ,intimidando, coagindo ,entristecendo , inquietando,  confundindo todos , para sempre  .

  Quer dizer, algo além da própria morte dos efetivos alvos . No caso brasileiro, os fatos ,angústias provocadas em  parentes, amigos, famílias, filhos , a existência grupos como “Tortura Nunca Mais”, e até  este artigo- demonstram que o objetivo dos sádicos torturadores foi , são menos , psrcialmente atingido .

 

  MAIS DE QUATROCENTOS 

MORTOS/DESAPARECIDOS

 

 

 Resultado de imagem para fotos de pessoas desaparecidas na ditadura militar no brasil

           Tema  antigo, mas não resolvido , o que fala por  si só.   Prova que houve mudanças muito limitadas , no Brasil,  nas últimas décadas . O povo percebeu mais a tecnologia importada , celulares e computadores , com os quais deslumbra-se e passa horas – distraído. Hoje, crise continuada , muitos nem suportam uma realidade política que os sufoca e não bem entendem.

Mais de 400” desaparecidos”, ainda hoje, no Brasil, inclusive os antes citados, muitos “honestinos”, e, como se pode perceber , por isso,  bem  reduzida ,  limitada mesmo uma única homenagem, como a citada , embora sempre apta a  relembrar, ao menos para uns poucos hoje , episódios plenos de covardia, indignidade  humana, vergonha para  toda a sociedade, que causam revolta , pela impunidade continuada .

              Existem outros casos,  até  mais conhecidos,como  os de Marighella, Lamarca , Prestes, que teve morte natural,mas muito  sofreu ,  e até  Allende , ex-Presidente chileno , ou Vargas,  homenageados com seus nomes  em ruas, praças ,monumentos, por todo o Brasil . Este último ,por sinal, depois de décadas de homenagens , costuma receber silêncio tumular da big mídia nos últimos aniversários de sua morte .Por quê? Há casos e casos , cada um com especificidades. No caso de Vargas, agora o objetivo parece ser silenciar sobre as circunstâncias de sua morte e idéias – inclusive  sua conhecida “Carta Testamento” .

             Há homenagens que buscam servir não para lembrar a pregação dos mortos homenageados , ou para dar qualquer mínimo endosso ou ,ao menos  , alguma justificativa , ou  compreensão , ou simples respeito , quanto a suas idéias ou ações  . Visariam  , em sentido contrário, respaldo mascarado , e até enaltecimento e afirmação, justo daqueles atos hediondos ? Isto é, os antes realizados pelos detentores do poder  , só que agora ,  de forma indireta,  sem jamais mencioná-los. 

Afinal, tratar-se-ia, no caso, de inimigos mortos, derrotados , símbolos que podem expressar lutas heróicas , mas  que deixam também claras, públicas, trazendo efeitos sociais,  as  consequências terríveis  de suas ações destemidas ( a própria morte e de outros de seu grupo) – derrotas , não só simples mortes , mas mortes aviltantes , com esquartejamentos , empalamentos , assassinatos sombrios e covardes .  E ,quanto aos “desaparecidos” , deixada sempre a dúvida – como terão morrido, se é que morreram mesmo ? Terão  sofrido ainda mais que outros  , de que forma?  

Como visto , certos objetivos dos vencedores parecem nítidos , mesmo nas homenagens as mais comuns ,por eles permitidas  . A coroa portuguesa esquartejou Tiradentes e usou tal para melhor intimidar e ser entendida pelos súditos submetidos .

       Vista a questão  de outro ângulo, tratar-se-ia de indireta legitimação e tentativa disfarçada de levar à aceitação social  e legitimação do oposto do aparente – dos atos pretéritos realizados por criminosos políticos do regime anterior .Atos do regime que sustentou os criminosos , já anistiados assim como suas vítimas ,e  que antes perseguiu ,torturou, matou ou fez “desaparecerem ”inúmeras pessoas , inclusive os próprios homenageados . Uma busca , de ambos lados , por sutis  símbolos  ,  via  mascaradas intenções, que teriam efeitos na sociedade   – luta ideológica . Refletir.

    O OUTRO LADO DAS HOMENAGENS 

Ou seja, buscariam tais homenagens, além do objetivo oficial,  declarado, em muitos casos servirem , em essência, não só aos próprios homenageados, ou a suas famílias , descendentes , futura sociedade – mas, também, ao novo regime vitorioso, desejoso de impor sua “paz social”, e , de certo modo, exibi-la? Elas serviriam, ainda, aos anteriores criminosos ( anistiados,perdoados) e a seu regime anterior  , de fato bem  “vivo” , pois vencedor ? Daí , a razão da permissão oficial dessas homenagens, pelos vencedores?

Pensar diferente seria enganar-se quanto aos reais vencedores – como duvidar que vencedor o regime terrorista,  que promoveu “sua distensão” controlada e depois sua “democracia  relativa” ? ( Cf,arts.anteriores) .

De outra forma , seriam permitidas tais homenagens , pelos vencedores , preteridos generais e próceres da “ditadura”?  Isto é ,  se elas servissem apenas  ao interesse de  vítimas perdedoras ou da sociedade sofrida ?  

O oposto poderia  ocorrer  , sim, se fossem os homenageados enaltecidos apenas por seus próprios adeptos , caso vencedores da “guerra”  , relembrando-se então seus feitos, vitórias e  resultados  finais  positivos .Nào é o caso desses homenageados brasileiros . 

As homenagens aqui referidas , pois, envolveriam, ao menos ,  dois lados ,  um deles o aqui levantado, em geral esquecido. Isto é,  que essas homenagens também valeriam e beneficiariam   os vencedores, justamente os algozes dos homenageados . 

            Isto porque “eles” , autores das homenagens , no sentido de pagarem-nas, permitirem-nas , sejam  regime/pessoas , vencedores(  muitas vezes via atos os mais indignos) , agora buscariam “ressurgirem”  , legitimarem-se na sociedade, aos poucos ,indiretamente, com uma nova aparência, forma ,embora talvez não necessariamente essência – buscariam a “paz social” , desde que vencedores da anterior guerra ( ou batalha?) . Quereriam construir uma nova realidade , de seu interesse , no que entendiam  ser um “pós-guerra” e segundo suas perspectivas/valores  de vencedores. 

Trata-se de uma  “aparência” que sugere , parece promover, na superfície ,  e até  aceitar ,de forma  magnânima ,as antigas ações contestatórias dos homenageados, os  derrotados de ontem. Até mesmo , inclusive  , as  mais  “atuais” manifestações de apoio  aos homenageados por parte dos  também seus derrotados partidários/simpatizantes  , ontem inimigos figadais .

O objetivo de tais concessões do “novo regime” ,talvez  o velho com apenas nova forma , seria trazer todos , inclusive os ex-inimigos , de um modo ou outro, para dentro dos limites do sistema/regime político vencedor .  Por isso, ele aparenta até serenidade , parecendo assumir  um certo  “perdão” e “esquecimento” , embora  implícitos , sempre irreais .No caso brasileiro , o passar dos anos comprovou  isso. 

Mas, de fato, o “novo” regime político ,  que pareceu admitir, sem maiores problemas,  homenagens aos antigos adversários, como se eles até vencedores fossem , usou/usa tais homenagens também em proveito próprio – e por isso as permitiria ?  Tudo indica que sim. 

Apenas  insinua ,ao admitir tais honras para os antigos inimigos , uma  indireta autocrítica, modificação na sua essência política  e sistema econômico (vencedores, repita-se) , certo altruísmo e até aquiescência com os derrotados e alguns seus valores , certa compreensão . Isto seria possível, mas provável tudo falso :  política, apenas . No caso brasileiro, não é  o que ocorreu , ocorre ou ele admitirá , pois derrotou de firma acachapante seus contestadores .Veja-se as últimas décadas.

     Isto ficou  bem claro, por aqui, embora muitos inimigos vencidos (mortos, alguns homenageados )do antigo regime  tenham virado nomes de praças , ruas, pontes, escolas . Como ? Por quê? Em nome da “paz social”, também de interesse dos vencedores, aliás construção  discreta deles , negociada, à época,  com lideranças opositoras 

 

A MANIPULAÇÃO DO SOFRIMENTO

 

              Em outras palavras, explica o cientista social,  especialista no estudo do “imaginário”, isto é, formação de ideologias, quanto a aspecto,aplicável ao caso, quando se busca “convencer a sociedade de algo” (ainda que implícito)  :

“Se a ação tinha de se basear no convencimento , impunha-se o uso de símbolos”. (…)

Continua:

 ”O instrumento clássico de legitimação de regimes políticos no mundo moderno é , naturalmente, a ideologia …” o discurso é “inacessível a um público com baixo nível de educação formal. Ele teria    de ser feito mediante sinais mais universais …como as imagens, as alegorias, os símbolos , os mitos “.

(José Murilo de Carvalho estuda tal simbologia quanto à República. “A formação das almas”,C.das Letras, RJ, 1990, p.10 e outras).

          Por isso, homenagens falsas e sem sentido,aceitas ,alegremente, de forma ingênua ou cínica ,  por alguns  antes perseguidos, derrotados , humilhados, vítimas, famílias , enganados pela aparente “democracia”renovadora ,ou volta à democracia, que teria existido até 1964 – o que não é verdade , pois não houve jamais volta alguma aquele tipo de “democracia”, muito mais efetiva e democrática, no sentido de controle popular, que a atual.

   Tanto que a “anistia geral e irrestrita”beneficiou mais torturadores do que perseguidos, garantindo impunidade eterna para  aqueles , segundo o STF .E também a  existência dos “desaparecidos”para sempre, questão que nem mesmo os falsos “governos esquerdistas” resolveram, em décadas .

Além de tudo ,  foi-se ainda mais longe na sociedade brasileira  – os torturadores, assassinos ,  receberam “Medalhas  do Pacificador”, por suas barbaridades cometidas , estas sim , homenagens ainda em vigor , 2017, jamais anuladas. Esta a “democracia”atual, de muitos mortos sem túmulos conhecidos,  no Dia dos Finados/2917  – embora alguns nomes em ruas e pontes .

        O que vimos , realmente, com tais homenagens a mortos ” heróicos” , no Brasil,  teria sido uma forma hábil, indireta, de manipulação, na morte , da própria imagem de vida deixada por eles ,  “heróis perseguidos e sofridos”, alguns “desaparecidos”, torturados, assassinados ?

  ”Esquecem-se” ,desviam-se , assim, do foco direto do povo/ mídia  , os antigos e reais fatos ,  pensamentos , macabros”desaparecimentos”, ou assassinatos , com sequestros e torturas indescritíveis – caso de Mário Alves , empalado , ou David Capistrano, esquartejado . Belos monumentos produzem novos enfoques, imagens novas desvirtuam /substituem as cenas horripilantes do passado .  

Com  tais homenagens, assim,  legítima-se o passado terrífico , ele  torna-se aceitável , aos poucos , via esses símbolos “positivos” , grandiosos , quais monumentos, praças, pontes, escolas. Constrói-se , implícita,  uma outra situação,   bem diferente da  ocorrida , os sofrimentos das vítimas, p.e., colocados em patamar inferior , quando não ” esquecidos” .

As vítimas , derrotadas , de alguma maneira , via  símbolos, afinal tornadas “mitos” até falsamente vencedores , quando elas são , de fato,  os maiores derrotados. Mas, não mais agora , eis que já  elas acima da vida e da morte , inclusive de julgamentos políticos e sociais, parte de nova narrativa dos vencedores ,que virará História , enquanto mantiverem-se preponderantes na sociedade .Desaparecem os fatos ocorridos , e outros , perdidos nas  novas , recentes narrativas . Fica a versão dos vencedores , donos , no presente,  do passado – e que pretendem construir , com  eles,   o futuro . Algo bem  além , como visto, da realidade à nossa volta .

 

  MANIPULAÇÃO DO PASSADO, PRESENTE E FUTURO

 

          Quando menos,  tal procedimento, esperta manipulação dos mortos , heróis dos “inimigos de ontem” , não mortos heróis dos vencedores, soa  como algum tipo de “compensação”, quando trata-se mesmo é de manipulação esperta de atos abomináveis ,”esquecimento” que se deseja  legitimado, facilitado por estar acompanhado, no caso,  da famosa “anistia ampla, geral   e irrestrita” , que nunca foi nada disso, fora para os próprios vencedores . Mas, que é invocada  por eles quando sem argumentos , como fez o STF quando dele exigiu-se punição de crimes hediondos .

  Daí em diante, como visto, tratar-se-ia  apenas de “distorcer”, desde logo,sempre ,  ou aos poucos,  a verdadeira História dos fatos, o que vem ocorrendo no Brasil,  desde décadas ou séculos . (Cf.arts.neste blog). Um método conhecido e mascarado de dominação, feito via pesquisas  , big mídia , cursos de pós-graduação, bolsas de estudo , etc. sempre com financiamento dias interessados nos resultados .( Aspecto analisado neste blog.Cf,arts.anteiores) .

          “Quem controla o passado controla o futuro . Quem controla o presente controla o passado”.(“1984”, de George Orwell).

           Distorce-se , inclusive, as ações e vidas dos homenageados,isto  quando o são – Honestino , que, ao menos,  se pretendia revolucionário radical, pregando o comunismo e  a  luta armada como única solução ,e imediata ,dos problemas brasileiros, em algumas versões divulgadas já virou um “lutador pela democracia”, sem  esclarecer-se sequer que democracia  seria essa( o que  ,de forma indireta ,  insinua que,  talvez, seja a brasileira atual) . A quem “isso” serve ? 

         Contradições notáveis, como vemos,  nessas”homenagens” – o novo regime político”democrático” que as fez  , pós-Constituinte, depois de  décadas de prisões, torturas, mortes, sequestros , teria mudado,em qualidade ? 

Isto  embora   ainda  hoje incapaz de apontar sequer onde se encontram os cadáveres dos “desaparecidos políticos”, alguns dos quais até homenageia ?!  E muito menos de punir os responsáveis (conhecidos )por tais atos  (sabido que crimes hediondos  imprescritíveis, segundo cortes de Justiça internacionais).

           Quer dizer ,trata-se , ainda hoje , de prováveis mortos,  cadáveres  que, no atual “Dia dos Finados” não se pode prantear , de fato –  escondidos , nenhuma transparência do regime a respeito, mesmo após os  governos FHC , Lula, Dilma e  agora Temer,  os últimos juntos, em passado recente , velhos parceiros, pois  .

        Foram /são usados, ainda hoje,  cadáveres,  mortes abomináveis ,  para ,com manipuladas  homenagens ,como as referidas, auxiliar a  consolidação do que seria  uma mudança qualitativa em relação ao regime terrorista anterior, o que de fato não ocorreu .

O objetivo  – passar à sociedade,de forma indireta , implícita ,   a imagem de uma  “democracia”efetiva , “normalidade”, a existência de verdadeiras  mudanças políticas, econômicas e sociais.

         Que, de fato , não ocorreram,na medida em que, como mostrado em vários artigos deste blog/site(caso de “Desaparecidos …”, cf. , onde são citadas referências) , ao regime terrorista seguiu-se , sim, uma controlada“distensão lenta e gradual” e depois uma“democracia golberyana” , “relativa, possível”, ainda hoje em vigor.Esta  reproduziu os objetivos do regime terrorista anterior, de fato institucionalizando-o e a seus interesses e objetivos.(Cf. arts. neste site , com refs. , insista-se).  O caos político-jurídico e econômico que nos cerca é prova inconteste do afirmado 

 

OS VIVOS, OS MUITO VIVOS E OS MORTOS

Resultado de imagem para Temer, Moreira, Lula,Dilma

          Temer, Moreira, Lula,Dilma e muitos outros ,mais de uma centena, com mandato parlamentar ,  ou não, a serem investigados pelo STF/Justiça , que não parecem ter pressa alguma. Este  último , STF, recheado de ministros indicados justamente pelos citados,  que deveriam serem mesmo “mortos políticos”, estes sim , símbolos , já punidos, com processos finalizados, desde que alguns com acusações recheadas de provas oriundas já no “mensalão”(2004), caso de Lula e outros  .

           Entretanto, tal não é o que ocorre –  circulam eles ,livremente,  sequer sendo “mortos vivos” políticos, mas, sim,  políticos “vivos, muito vivos”, uns defendendo-se , gastando bilhões de reais com isso, como Temer , outros viajando, terceiros fazendo até campanhas eleitorais ilegais – sem nenhum problema maior, e ainda à custa  do falido povo brasileiro. Usam como pontos de apoio governos, prefeituras , mandatos conquistados em outros melhores tempos – passado ainda presente.

          Tais políticos , ao fundo,  acertados, nos bastidores,  entre si, frações políticas neoliberais, chegam a fazerem até propaganda uns dos outros – Lula, condenado, ao lado de Dilma,  já perdoa os “golpistas” e tenta compor-se com eles (ESP, 1-11-17); Temer e Pimentel manobram , livres;  Bolsonaro viaja pelo país e reconhece(Prog. Mariana Godoy – entrevista, Rede TV) que,  em  eleição passada , segundo turno, entre Lula e Serra, votou e apoiou …Lula.

E ainda o quer como adversário/2018 [explicou, mais ou menos, como no passado o general Leônidas, que Lula era “virgem”, ou seja , “intrasistêmico” ,  e Serra tinha sido da AP]. Em outras palavras, Serra  estaria, então,  à esquerda de Lula. Bolsonaro, militar, bem informado, deveria saber quem é Lula, pois eleitor dele . Jogo político e máscaras  à parte. Surpreendido pela jornalista  , Bolsonaro , sempre sorridente( por certo ordem de seus marqueteiros) , por minutos, teria esquecido  de colocar uma de suas máscaras.

      Tudo isso mostra a indignidade, desmoralização, desfaçatez do quadro político brasileiro , no “Dia dos Mortos“/2017 . Nem eles, mortos,  são respeitados.Corruptos indecorosos, com sobejas provas de culpa,em toda a mídia , e na Justiça, que deveriam já terem-se tornado ,ao menos eles ,reais  “mortos  vivos políticos”, presos ,  mostram-se como  políticos ativos e prestigiados.

  A demora da Justiça provoca dúvidas,protege acusados/culpados, dá-lhes tempo. Graças ao estado fracassado ( Chomsky) de exceção( Agamben) , implícito, informal, existente na Província(Ianni)Braz$l ,ou no Protetorado Americano Brasil( Mangabeira Unger) .( Citadas as fontes, de propósito). 

Políticos ainda com votos, segundo consta, tão “vivos” que ainda manipulam/ram , direta ou indiretamente,  até os “desaparecidos”, e suas famílias e amigos( inclusive elegendo-se por partidos de “esquerda”) , por décadas , estes “desaparecidos” realmente muito prováveis todos mortos , de fato.

E , incrivelmente , após décadas , ainda hoje usados , social e politicamente, esses mortos e “desaparecidos”, bem como vivos sofridos, em hospitais e favelas e pocilgas , da maneira a mais indigna, mentirosa , inclusive servindo de trampolim eleitoral para muitos políticos corruptos , à direita e “esquerda” , muito vivos , duplamente “vivos” . Pobre Braz$l.

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 (Original sem  revisão , o que não  impede entendimento).

 

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