JESUS HOJE : O HOMEM, O LÍDER, O MITO

dez 2, 2019 by

JESUS HOJE :  O HOMEM, O LÍDER, O MITO

JESUS HOJE :

 

 O HOMEM, O LÍDER, O MITO

 

*Apresentação , resumo de artigo a ser publicado em caminhandojornal.com, de ESPECIAL DE CAMINHANDO JORNAL TV ,(número 36), de fim de ano, levantando aspectos preliminares de indagações e opiniões que sobre JESUS DE NAZARÉ, DEPOIS JESUS CRISTO . A ser veiculado na TVC – TV Comunitária, RJ, e , de imediato , pelo You Tube . Artigo integral, repita-se ,  poderá ser encontrado em caminhandojornal.com *

                                   -I-

    Ao focarmos na figura mítica de Jesus Cristo, enfrentamos , em verdade,  tema atual e essencial  , não só no que se refere a cada um de nós como a todos, à coletividade,   a sociedade não só brasileira, como mundial , em seu conjunto. E , de tabela, pode-se observar o comportamento dos diferentes povos, eis que tal envolve a questão da aceitação popular das religiões e o papel atual delas no contexto político e econômico.

                                     -II-

   O  tema estende-se  desde a fé  , às diversas  religiões , seitas, crentes , igrejas e organizações, e até a um Trump ou Bolsonaro  ou Carter  ou Lula ou a grupos políticos poderosos, como “A IRMANDADE”, origem americana (confira CAMINHANDO JORNAL TV nº 30), todos useiros e vezeiros na manipulação de “Jesus Cristo”, sua imagem , símbolo,  e das religiões em geral, com objetivos políticos, eleitorais – e eleitoreiros .

                                     -III-

    As redes de TV ou as redes sociais da internet, por sua vez , não  esquecem nem de Jesus, nem de Deus ou das religiões, nomes de igrejas multiplicando-se , todas crescendo  apoiadas em curas e  milagres , tipo os atribuídos a Jesus, nos Evangelhos , agora multiplicados via diversos pastores e missionários. Quer dizer, “milagres”, em nossos dias,   que desmoralizariam , se analisados e  autenticados com seriedade cientifica , toda a ciência moderna. A não ser que sejam apenas um tipo de  ilícitos mais leves,  protegidos pela famosa impunidade brasileira, sempre a poupar os mais aquinhoados –  e , hoje, essas igrejas “midiáticas”, até donas de redes de tv , sem dúvida,  estão entre eles.

                             -IV-

     Curas aos milhares ,  divulgadas noite e dia em quase todas as redes de mídia , em nome de Jesus . Ele , mais atual do que nunca , pois, o  mito Jesus Cristo,  e seu Pai, Deus, chegam ao  teatro , cinema, esporte , atletas diversos, até às recentes vitórias do Flamengo no futebol ,  Campeonato Brasileiro e Taça Libertadores. De outra parte , mais intelectualizada , Jesus Cristo e seu Pai , Deus , segundo multidões   passando pelos olhos e ações  de políticos e estrategistas , caso de um Bannon, Olavo de Carvalho, Breitbart, Vaticano, alguns espíritas, entre muitos outros . Todos buscando usá-los segundo seus objetivos – políticos e econômicos.  

                             -V-

    Nessa tentativa , historiadores, jornalistas, políticos ,estrategistas indo às origens dos atos e lendas sobre Jesus , além da Judéia antiga ,  ao Egito e à Índia , buscando apoio ou críticas em lendas e narrativas mais antigas que a Bíblia . E em ações realizadas não só por Jesus como por outros líderes com origens similares , sempre envolvendo  indagações filosóficas de todo tipo  – Jesus Cristo teria mesmo existido ou tratar-se-ia de “construção histórica”? Isto é,  feita há séculos, sempre retocada e reinterpretada  por poderosas  burocracias religiosas e políticas ? Para estes, isto teria sido  facilitado pela união de parte das  vidas de pessoas diferentes , no caso,  Jesus e Crestus . Em suma, uma construção histórica,  aliás,  muito bem sucedida, através de séculos .

    No sentido referido ,  poderíamos lembrar , ainda, o  falecido socialista venezuelano  Coronel Chávez ou guerrilhas sul americanas  ou a “Teologia da Revolução”. A figura de Jesus, carismática,  de líder e mito, foi tomada por todas essas referências , tendo servido  tanto à chamada “direita” política , e a poderosos , como  à “esquerda”.

                          -VI-

     E pode-se  ir mais longe , para entender o apelo atual à religião pelo capitalismo, hoje o Império do Capital , perscrutando a  essência do   sistema capitalista. E voltando-se a um inicial “espírito do capitalismo”,  séculos atrás .Sucesso em alguns países, nem tanto em outros, tudo documentado por estudos como os de Weber, uma sociologia da religião . Até  chegar-se  a um outro ângulo de indagações , com  um Freud, que fez afirmações peremptórias,  imaginosas e até mesmo, então ,  bombásticas sobre as religiões . Como ateu declarado , ou apenas humanista para alguns , Freud entendeu tratar-se de “delírio coletivo”. Embora atenuando a afirmação ao assinalar que a humanidade talvez tivesse que passar por isso para alcançar a maturidade , superando “a infantilidade e ignorância” de séculos , oriunda nas  origens do Homem , desamparado , acossado pela natureza . Freud analisou desde a questão do “Pai”, lembrando desde o Deus todo poderoso, pai de todos , até a  relação dele com seus filhos assassinos – com sentimentos de culpa .

                        -VII-

    Donald Trump volta e meia tira Deus da cartola e exibe-o ao mundo, sua vida sendo o exato oposto das pregações cristãs . Bolsonaro, idem e ainda dá-se ao luxo de defender torturas e torturadores famosos e a   repetir seu “Brasil acima de tudo , Deus acima de todos”. Lula, dileto adversário do outro,  vai a missas , cita Deus, declara-se religioso, como o adversário . O PT lulista tem um movimento interno evangélico, política e religião  inter-cruzando-se . O governador Witzel, PSL/RJ, , por sua vez , ajoelha-se perante Gabigol , jogador do Flamengo, vitorioso , que o esnoba. Imita crentes fiéis  e dobra os joelhos frente ao outro. Trai suas atitudes diárias, de violência e autoritarismo,   com um gesto cínico e exagerado. Carter, ex-presidente americano ,  toma o famoso café da manhã , religioso e político ,  com a turma da IRMANDADE, capaz de  perdoar qualquer erro de políticos poderosos, seja ético ou mesmo legal,  tudo justificado via sucesso e riqueza, numa bem particular interpretação religiosa e política da Bíblia,  tão peculiar quanto acorde com seus interesses.

                           -VIII-

      Todavia , esse Jesus Cristo tão aceito e aplaudido , nunca teria existido .Não haveria provas irrefutáveis e certas menções a ele,  como as de Flávio Josefo, historiador, teriam sido  forjadas por interesses diversos. “Jesus Cristo”seria apenas  uma entidade ideal, “criada para cumprir as escrituras, visando a dar seqüência ao judaísmo , em vista da diáspora , da destruição do templo e de Jerusalém. De um lado , o “Jesus de Nazaré”serviria de base a  sua vida ; de outro,  Crestus, o Messias dos essênios. Dando o ponto exato , uma história e adaptação conveniente de velhas lendas, do Egito e da Índia , bem  mais antigas que a Bíblia .Assim entendem alguns historiadores.

                             -IX-

      Em sentido oposto , histórico, de certo modo misto ,  pois aceitando aspectos religiosos e fé , o líder venezuelano Coronel  Chávez assinalava :

”O revolucionário é o escalão mais alto da espécie humana .Cristo é um dos maiores revolucionários da História”…”O socialismo que pretendemos …tem muito de socialismo cristão.  (…) o primeiro grande socialista de nossa época é Jesus Cristo …”

 

     O falecido líder venezuelano foi  mais longe ao agradecer a “Deus e a Bolívar”até  a viajar numa caminhonete enfeitada  com “uma imagem de Jesus Cristo colada no para-brisa”, o que fala por si , e a citar São Francisco ,  assumindo Deus, Cristo e  milagres diversos .

                                         -X-

      À luz do povo ,  uma outra interpretação sobre Jesus Cristo , qual a da “Irmandade” , de origem americana, em que  ricos e poderosos são mais valorizados que pobres. Logo , no Brasil , um “surto religioso” neo-pentecostal,  com uma “teologia da prosperidade” propagada, de forma maciça , entre outros , pela Igreja Universal do Reino de Deus .Política e religião misturando-se sempre mais, um bispo daquela igreja administrando o Rio de Janeiro.

     Não esqueçamos os ricos sacerdotes, dois mil anos atrás , dirigindo o Sinédrio , na Jerusalém da época de Cristo .  Um templo loteado por comerciantes , alguns ricos , os sacerdotes com luxuosas casas de campo , aliados de Roma . Esta , arrogante, dominando a Judéia de então, de quando em vez massacrando revoltas. Muitos judeus considerados rebeldes, fossem ligados a Jesus ou aos zelotes ou aos essênios ou outros, até porque os romanos não conseguiam bem distingui-los.

                           -XI-

     Hoje, com o Império do Capital em crise, as velhas democracias liberais desmoralizadas , incapazes de admitirem efetivo poder popular,  além de simples liberalizações , face ao poder de  grandes corporações e ao neoliberalismo dominante . O Império do Capital é obrigado a reorganizar-se , com novas estratégias e táticas , uma delas a manipulação das religiões . Violência e guerra permanentes, genocídios , de um lado .Uma forma de liquidar inimigos , ganhar meios de produção e mercados consumidores , além de matérias primas importantes como petróleo e nióbio, entre outras.

       Daí, o complexo industrial militar Americano  provocar seja a  Coréia, Síria ou  Venezuela , Iran, e agora Hong-Kong , China ,  desesperado em conquistar seus objetivos econômicos , sempre capaz de  colocar a violência não como parteira da história, mas  ao contrário como aborteira. Ao meio dessa luta permanente do Império , ele tira  da sua sacola de táticas , como fizeram no passado os capitalistas de certas regiões , a fé e as crenças,  sejam lá quais forem, apelando para o  lado ideológico-religioso o mais tradicional da humanidade . Isto,  em pleno século XXI, ciência e tecnologia em expansão , sendo tais os recursos de um Trump, Bolsonaro imitando , além de  outros líderes mundiais, todos incentivados pelo Império, via recursos financeiros e  teóricos e estrategistas do nível de um Bannon, Streitbart e outros .

                            -XII-

      Há uma lógica , nesta tática  do Império do Capital , de trazer à linha de frente de luta política, em nossos dias , Deus, Jesus Cristo , santos diversos, Papas , religiões , puritanos, pietistas , muçulmanos , protestantes , em especial, qualquer religião  . Weber , há muitas décadas, percebera a importância da “ética protestante” no desenvolvimento capitalista .  De outro ângulo, Freud, também há décadas, percebera a importância e conseqüências da religião   , importantes para a humanidade , as origens dela , significado e futuro .(“Futuro de uma ilusão”). Max Weber  recorreu a B.Franklin  e àquela expressão conhecida e clássica, “Tempo é dinheiro”, percebendo  aí uma distorção da natureza, das  relações naturais do Homem,  que, entretanto, trouxe imenso impulso ao desenvolvimento capitalista , em certas partes do mundo. Ele mostrou que aquele ascetismo e puritanismo iniciais , nos primórdios da afirmação capitalista , típicos de certas correntes  protestantes, teriam sido  importantes para o  desenvolvimento do capitalismo .

                           -XIII-

     Weber lembrou  ,  citando Brentano  ,que  a ética protestante,  no sentido de …

...“ganhar mais e mais dinheiro combinado com o afastamento estrito de todo prazer espontâneo de viver é, acima de tudo , completamente isento de qualquer mistura eudemonista , para não dizer hedonista ; é pensado tão puramente como um fim em si mesmo , que do ponto de vista da felicidade ou da utilidade para o indivíduo parece algo transcendental e completamente irracional”.

          Nessa visão , o  homem dominado pela geração de dinheiro como propósito final de vida. Uma “inversão daquilo que chamamos relação natural”, tão irracional de um ponto de vista ingênuo “, mas… “um princípio guia do capitalismo”…Ou seja, “…um tipo de sentimento …ligado a certas idéias religiosas”.

       Em resumo , o   ganho de dinheiro ,se feito legalmente, seria expressão de virtude e eficiência.Weber , de passagem , ainda mostra problema que dificultaria o desenvolvimento capitalista em países como o Brasil, exato por aqui não ter predominado uma ética protestante , que, como mostramos, estimulava a competência, eficiência , ascetismo, acumulação , inclusive contrariando a própria relação natural dos homens.

“O predomínio universal da completa falta de escrúpulos na ocupação de interesses egoístas na obtenção do dinheiro tem sido uma característica daqueles países cujo desenvolvimento burguês-capitalista, medido pelos padrões ocidentais, permaneceu atrasado”.

       O capitalismo não poderia utilizar o trabalho de indisciplinados, homens de negócio inescrupulosos ao lidar com outros .E Weber, a partir daí,  tira uma série de  conclusões.O ascetismo teria remodelado o mundo, os bens materiais adquirindo um…“poder crescente , …inexorável sobre a vida do homem.

                            -XIV-

         Suficiente exposto o papel de certas correntes religiosas no desenvolvimento do capital, não sendo esdrúxulo que , hoje, em meio a sua crise, o Império do Capital, embora não tenha mais , de longa data , necessitado de tal suporte, agora volte  a recorrer a ele . Embora de forma nova e em paralelo com ameaçadores suportes atômicos, entre outros. De qualquer modo,  Capital e Religião tem sido  compadres de longa data , interligando-se e auxiliando-se, digamos assim .Hoje, ainda , como resultado bem pensado de sofisticado planejamento estratégico, que os liga a interesses maiores, os velhos Estados Nacionais exercem um papel básico nesse intrincado jogo político , que vai envolver religião, capitalismo , democracia liberal em crise , eleições.

                           -XV-

       (1)O Império do Capital desmantela-se, pouco a pouco , vítima de suas  contradições , internas e externas ; (2) sendo-lhe impostos  limites sejam políticos ou mesmo militares, inimigos e adversários unidos ,  ele mantendo-se mais pela guerra, sequestros, ações de mercenários e serviços secretos (CIA e outros ) ; (3) “suas” “democracias liberais” já claramente falseadas, na verdade estados de exceção informais e implícitos travestidos de democráticos ; (4) muitos fracassados,  como o  Brasil, mais necessitando de ajuda do que capaz de colaborar militar, política ou financeiramente com ele.

        Observando essas características com atenção,  mais lógicas e inteligentes mostram-se suas novas “estratégias”,digamos“religiosas”,usando, manipulando, financiando, juntando-se a religiosos de toda  parte e de todo tipo , de muçulmanos (promovendo , inclusive , o terrorismo no Oriente Médio, Síria, etc.Cf. Moniz Bandeira, “A desordem mundial”) a protestantes e extremistas,  de diversos matizes , estimulando divisões, guerras convencionais , guerras “híbridas”,promovendo a divisão sempre que possível para melhor manter-se e reinar , numa recuperação  modernizada das lições de Maquiavel . Assim, no Ocidente ,  volta a grudar-se às religiões, em especial as evangélicas, e mais direta , politica, eleitoralmente mesmo. Às religiões, sim , Bíblia como elemento central, mas interpretada de forma conveniente a seus interesses , via organizações, seitas , pastores importantes , igrejas, caso da Irmandade, já citada, por exemplo .

       O objetivo seria   incentivar um outro tipo de ação, que não militar ou violenta, mas no mesmo sentido  de suas bolsas de estudo , compra de mandatos parlamentares,financiando campanhas (o que fez no Brasil, p.e., década 1960, via IBAD e IPES, algo comprovado ). Ou seja, tentar promover  novo surto virtuoso mundial ( E o que seria mais virtuoso e ético do que promover Jesus Cristo, interpretando de forma conveniente suas parábolas e ações  ?), além de ser visto apenas como imperialista, assassino e invasor de países diversos, sempre mais fracos, tomando-lhes riquezas pela dissuasão ou pela guerra direta .   Uma luta ideológica mundial, sorrateira , bem além somente  de guerras , crimes, genocídios, torturas , o  que  tem semeado nas últimas décadas . Ao ver soçobrar , aos poucos,  seu velho poder hegemônico , situação que as guerras apenas não mais parecem resolver , além de certos limites , o Império Americano , mesmo tendo superioridade bélica , parece enxergar que, de fato, trata-se de boa hora para voltar  às origens as mais conservadoras de seu desenvolvimento – as religiões . Não importa quais sejam , desde que  colaboradoras , podendo incluir até vieses terroristas , como dito , como aconteceu na Síria, por exemplo . De qualquer modo , com elas, afirmar maiores laços entre países que , em essência,  sempre estiveram juntos,subordinados a ele, caso do Brasil ,  embora tivessem cedido às  aparências , conveniências, por vezes antagônicas, forma de melhor iludir aliados e concorrentes ou inimigos – isto é, posando de países independentes, soberanos, democráticos , escondendo uma realidade que, só com estudo  e independência de pesquisas, pode-se perceber.

      Pelo exposto, vê-se quão longe chega a influência de “Jesus  Cristo”, exaltado à direita e à esquerda nas lutas políticas , seja em partidos e disputas diretas  ou de forma mais  sutil nas igrejas , templos, movimentos religiosos.

                          -XVI-

    A visão de Freud, este no campo dos não religiosos, estabelece  limites e dá explicações ou razões e análises lúcidas  – entre deístas e ateístas e agnósticos (não conhecedores , face a algo que não pode ser provado) , entre os dois, talvez , tendendo aos segundos , suas dúvidas parecendo mais  medo  de assumir uma  clara posição minoritária , em especial  no Ocidente .

      Os que  acreditam em Deus e nas religiões e  os que não acreditam. Os primeiros seriam os que vêem Jesus como Cristo, independente de provas, ou ações históricas, eis que se trata de fé – e assim dizem a Bíblia, líderes religiosos , pastores, a própria tradição . Os dados históricos apenas melhor ilustrariam o essencial – a crença em Deus, em Cristo como Filho de Deus,  na Virgem Maria, etc.

         Para os outros, que não acreditariam no “sobrenatural”, querendo provas empíricas de fatos e acontecimentos ,”Jesus Cristo” limita-se ao Jesus histórico, com fatos e vida apontados por estudiosos , sendo analisadas suas pregações, ações, atitudes, até mesmo, em detalhes,  o que se teria passado no famoso julgamento de Jesus.  Nesse campo , estariam  os que vêem  Jesus de Nazaré como um grande líder , com táticas e estratégias sofisticadas , algumas retiradas de lições egípcias ou hindus . Deste campo, ainda assim o de negação de Deus e de lendas, daí decorrentes, pode-se dizer  : o  dos a – teus , isto é , sem theos, Deus , que, por sinal ,  alguns negam até para o caso do próprio  Freud, cuja teoria o levaria bem  além disso . O que faria dele não um ateu, mas um humanista .

         Freud , sem dúvida,   trouxe sólida teoria , no  campo da não fé religiosa. Entendia a questão religiosa  e a aceitação da religião por multidões   como uma necessidade de defesa do homem primitivo contra as forças da natureza.Desamparado, quando criança , o Homem continuaria assim, como adulto.Como o Pai está para o Filho, Deus estaria para o Homem. O Homem, carente, desamparado, ignorante,  forjaria uma ilusão ,  um pai todo poderoso e imortal.A religião representaria um estado infantil da humanidade , com necessidade de proteção.  De outro lado, seria freio para os instintos humanos , de sexo, violência , tendências destrutivas. E além disso, elas prometeriam recompensas para quem tivesse bom comportamento. Assim, também conveniente para os detentores de poder político , dos estados , em geral.  A mudança dessa situação só viria através de uma educação que levasse tal Homem a entender a realidade à sua volta,  forma de não precisar do recurso religioso para superar suas angústias e enfrentar o meio hostil.

        Tratar-se-ia , no momento , de uma ordem cultural comparável a uma neurose , no caso coletiva.Teríamos uma ilusão bem aceita como resposta ao desamparo. A inibição dos instintos feita pela Lei, uma violência contra o ser humano,  teria compensação na religião , com  uma recompensa  sendo oferecida ao Homem – uma ilusão, através de “reconfortante mentira”.

       Assim , situar-se-iam os dois lados , o dos que têm ou não fé , acreditam ou não em Deus, ao fundo as religiões, Deus, Jesus Cristo , uma resposta  às necessidades humanas, em certos momentos da História da Humanidade .

       Atenção à questão ideológica e política,  sempre a cercarem a figura e o mito “Jesus Cristo” . Se  extremistas de direita, estilo Trump ou Bolsonaro , o invocam,  seguidamente, o mesmo o fazia um Hugo Chávez, o líder socialista venezuelano, do mesmo modo que guerrilheiros socialistas colombianos e de outros países da América Latina .Sendo que invocam o Jesus Histórico e, muitas vezes, aquele que seria o Filho de Deus. O que significa tratar-se de um líder e mito acima das maiores divergências ideológicas de nosso tempo. [Isto , sem caber, aqui,  discutir-se  se seu nome tem sido invocado por oportunismo e demagogia , pelo respeito e prestígio entre as massas populares , eleitoras ou não , ou  por real convicção e respeito a sua história e ações] .

                                    -XVII-

    Todo o referido , de passagem  , atesta a importância e lógica do recurso à religião por parte do Império do Capital, atualmente, de forma a mais ostensiva , sendo uma espécie do outro lado, da outra face, que não aquela de bombas nucleares e canhões , a matarem sem justificativa alguma ,  fora a do ganho de poder em geral e de espaço na disputa geopolítica mundial .

        Ainda que de passagem , Weber traz outra explicação  para as crises do desenvolvimento capitalista em alguns países, inclusive no Brasil   , que tem levado de roldão seus estados pretensamente soberanos e independentes e democráticos ;  hoje, claramente fracassados – o “capital humano”, inadequado, despreparado, sem escrúpulos, incompetente para as necessidades daquele sistema . Isto se teria acentuado , no caso brasileiro ,  nas últimas décadas , e mais  em vista do salto tecnológico do resto do mundo, enquanto o Brasil  permanecia sob o tacão de regime militar-terrorista . E,   depois,  sob um regime promovido e organizado por aquele, ou seus aliados , todos sempre sob a bota imperial, inclusive na última  Constituinte.

      Nada a admirar , com o fracasso do neoliberalismo, imposto ao país a bofetões,  e via coisas bem piores, como assassinatos , esquartejamentos e torturas(algo provado ,com inúmeros depoimentos, detalhes conhecidos), durante décadas – o apelo tão decidido às religiões . O fracasso, afinal,  cada dia mais comprovado,  de um estado como o brasileiro, por exemplo , implicou no recurso extremo , e revelador da verdade política e econômica ,  quando as locais “elites” dirigentes,  dependentes do Império, recorreram às táticas mais conservadoras – religiosas. Por sinal, sendo  vitoriosas, eis que ainda apelando para todo tipo de recursos , desde ilegalidades aos milhões, via redes sociais , a manipulações jurídicas via segredos do estado de exceção informal vigente, por vezes o STF socorrendo-as e expondo-se perante a opinião pública , ou pelo uso continuado de especiais urnas eletrônicas brasileiras, tão duvidosas que não usadas pelos países mais importantes do mundo . Enquanto isso, a opinião pública tão denuncista como  irritada e impotente .

        Trata-se de via religião apelar-se aos mais desamparados e fracos e carentes, confusos, em busca de esperança e conforto . Aqueles desamparados que encontraram  alento e esperança , segundo Freud, nas “mentiras confortadoras”de alguma crença sobrenatural ou religião ou seita. Por tudo isso , Jesus Cristo promovido em prosa e verso e pelas grandes redes de mídia, evidente intepretando-se suas posições e ações conforme conveniências dos poderosos do dia.

                        -XVIII-

        Fica evidente a complexidade (religiosa , histórica, sociológica, psicanalítica, psicológica, política ,  antropológica , etc.),  que envolve a fascinante figura daquele que ficou conhecido como “Jesus Cristo” ,  bem vivo em nossos dias, exaltado em toda parte , no Brasil . E direta e indiretamente, à nossa sempre perto de nós, à nossa volta ,  sob vários aspectos, de forma especial no mês de dezembro, data conveniada entre estados e poderosos como a de seu nascimento  .

       O que significaria, numa perspectiva freudiana , entre outras conclusões, apenas a continuidade da imaturidade dos homens, sua infantilidade ainda persistente, após séculos. O que o tornaria frágil , dependente , apto a mais sofrimentos, sem reação à altura. .

      De outro ângulo, daquele religioso , teríamos a esperança de fartura, paz, amor , concentrada no Filho de Deus e no Reino de Deus ,  ao alcance não do sonho do Homem , mas de sua ação no mundo real.  Terceiros , separariam os dois mundos, o famigerado de César, frente ao qual teriam que ceder ou contra o qual teriam  que lutar ; e o do Reino de Deus , acima disso , onde os valores seriam outros e onde os que lá chegassem seriam felizes privilegiados.  

      Assim, atenção, reflexão , cuidado, desde que tendo-se  conhecimento de alguns dos inúmeros ângulos e interesses envolvidos no que cerca o “mito” Jesus Cristo .Longe de nós pretensões no sentido de responder tantas questões, nossas análises  mais como hipóteses do que conclusões . Nada de  pretender-se respostas definitivas, apenas  refletir, ouvir , aprender , dialogar , trocar idéias sobre as questões apontadas, ouvindo diferentes cidadãos e/ou especialistas . E esperando que o passar do tempo , no atual contexto mundial,  embora sempre implicando em mais sofrimento e perdas de vidas , ao menos propicie menos ignorância , mais e melhor organização política,  novas informações históricas, abordagens mais próximas do que poderíamos chamar de verdade, embora esta  sempre relativa.

      Estudos , reflexões, cotejamentos, troca de aprendizados , podem propiciar o  desvendamento da escuridão e da não transparência, e, quando não , ao menos permitir-nos  avançar nesse sentido .(*)

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(*) Original não revisado , o que não impede entendimento . Artigo base da apresentação(resumida)  de Caminhando Jornal TV especial (número 36) .

“JESUS HOJE: O HOMEM, O LÍDER, O MITO.”

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